Author: maristela
•Quarta-feira, Abril 29, 2009


Estou sem a mínima vontade de postar. É febre amarela na minha cidade, é pandemia de gripe, é tristeza demais!
Tenho aquela famosa lista de assuntos mas hoje, em especial, fiquei ainda mais aborrecida com esta blogosfera que, já dizia e diz meu sábio amigo Sean Hagen, é lugar pra gente se divertir.
Acontece que não sei pegar leve quando vejo coisas injustas, aquela famosa história do pior cego é o que não quer ver.
Gente que se diz democrata e se mostra muito chegada a coisas "espirituais" mas que, na hora H, na hora de provar que é mesmo e não apenas aparenta ser, se revela.
Quem de nós não tem um lado sombrio, que as terapias mal e mal conseguem tocar e que nos impedem de ser plenos e deixar os outros também serem? 
Ninguém é perfeito.
E antes que isto vire filosofice demais vou direto ao ponto: achei deselegante o ataque de um blogueiro que tem todo o direito de defender seus afetos a Grace, uma mulher que luta por causas sociais importantes e que, mesmo já tendo sofrido no corpo e no emocional a consequencia de sua coragem exibida na web, não embainha sua espada.
Não vou citar o nome ou o blog desta pessoa porque meus poucos e fiéis leitores não precisam virar um visitante a mais em sua contagem e inflar sua vaidade. 
Estou apenas dizendo a Grace, aqui, já que no seu blog já disse o que penso, que ela tem a coragem dos decentes que não devem se abater com ataques das sombras.
Lamento tanto, tanto, tanto tudo isso.
Lamento os plágios e os que com essa atitude se aliam, as baixarias dos que não sabem baixar a cabeça e humildemente dizer que erraram, a cegueira dos que não querem ver e se botam a injuriar quem não merece. Mas lamento, acima de tudo, que um homem que criou um estilo "literário" em cima de uma aparente conduta conciliadora e solidária exibida em seu espaço virtual seja rude, grosseiro e injusto com uma pessoa como Grace.

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Author: maristela
•Domingo, Abril 26, 2009


Foi um domingo tão bom, mas tão bom, minha mãe bem de novo, meu pai estável, minha filha serena, o telefonema de meu filho, que não é justo finalizá-lo com a realidade dura que entra por nossos poros, nossos olhos, nossos ouvidos.
Então, recebo um presente por mail: uma lista de links de vídeos dos beatles.
E me permito deixar só isso aqui, para abrir a semana: o endereço que dá acesso ao tesouro de uma época em que, mesmo com as mesmas tristezas, as mesmas falhas humanas que hoje existem, as expectativas de minha geração eram outras.
Não quero perder esta perspectiva que se chama esperança, que caminha do lado da fé.
Sei que, um dia, tudo vai melhorar, que todos vamos ser melhores do que somos e já fomos.
Deixo este olhar quase ingênuo de Paul McCartney e o link mágico que abre as portas do passado-presente que sempre será futuro porque é belo e capaz de embalar o sonho, contra toda a desventura e desesperança.
Obrigada, Wal, por mandar a lista.
Boa semana a todos.
A Day in the Life
A Hard Day's Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I've got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her
And Your Bird Can Sing
Anna (Go To Him)
Another Girl
Any Time At All
Ask Me Why
Baby It's You
Baby You're A Rich Man
Baby's in Black
Back In The USSR
Bad Boy
Because
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Birthday
Blackbird
Blue Jay Way
Boys
Can't Buy Me Love
Carry That Weight
Chains
Come Together
Cry Baby Cry
Day Tripper
Dear Prudence
Devil In Her Heart
Dig A Pony
Dig It
Dizzy Miss Lizzie
Do You Want to Know a Secret
Doctor Robert
Don't Bother Me
Don't Let Me Down
Don't Pass Me By
Drive My Car
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody's Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying (instrumental)
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don't
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don't Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell You
I Want You (She's So Heavy)
I Will
I'll Be Back
I'll Cry Instead
I'll Follow the Sun
I'll Get You
I'm a Loser
I'm Down
I'm Just Happy to Dance with You
I'm Looking Through You
I'm Only Sleeping
I'm so tired
I've Got A Feeling
I've Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won't Be Long
It's All Too Much
It's Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell's Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That's What I Want)
Mother Nature's Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus's Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She's A Woman
She's Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There's A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You're Doing
When I Get Home
When I'm Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don't we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
Yellow Submarine
Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can't Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won't See Me
You're Going to Lose That Girl
You've Got to Hide Your Love Away






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Author: maristela
•Sexta-feira, Abril 24, 2009

Eu tinha uma lista de assuntos pregados no desktop para usar neste fim de semana aqui na Coletiva (enfim, aprendi que é a e não o Coletiva). Tudo com os devidos links, como o horror do pai que matou o filho com tiro no nuca, um ilustre advogado, professor e escritor que ainda teve a cara de pau de deixar uma carta dizendo que assassinava o filho para evitar-lhe futuras infelicidades. Tinha também a miss que perdeu a coroa porque foi sincera dizendo que preferia casamento entre homem e mulher quando o malandro do júri (certamente bem pago para isso e já sabendo o que ela responderia e a repercussão que causaria) lhe perguntou o que ela achava do casamento gay. Também queria falar de outra miss, a da Austrália, que revelou, em fotos, sua anoréxica figura.

Aí, pensei em minha mãe, 80 anos, olhos de lince para a vida e crítica feroz 24 horas por dia que há tempos deixou de ler jornais por não querer ver desgraças (acusando meu pai, inclusive, quando ainda tinha seu controle cognitivo) de se abastecer em sangue e infelicidade e decidi falar aqui de Susan Boyle.

Até eu? Sim. E mais uma vez, porque já fiz um post sobre ela no Clínica da Palavra . Vi hoje, na Globo, que é o vídeo mais assistido do momento no youtube e a mulher mais comentada no mundo. Ok. No mundo tal como conhecemos – com acesso à internet, informação, etc. Mas é o prato servido nas mídias, nos blogs em especial.

Uma blogueira comentou lá no meu espaço que achou palhaçada a cara de espanto dos jurados e que televisão é tudo mentira. Claro que os caras já sabiam que ela cantava bem. Claro que foi tudo bem armado para a velhota (gordota e mal-vestida para os padrões midiáticos que vendem bem) ter sucesso em sua apresentação não só no programa de calouros mas em toda a agenda pré-programada de entrevistas e, evidente, gravações. Não tenho mais idade para acreditar em papai noel, bem que eu queria.

O que me interessa, porém, no caso, não é a armação ou não do sucesso. O talento ou não da solteirona de cabelo que parece peruca despenteada.

Me interessa é que uma mulher fora dos ditos padrões está aí, movimentando internet e até jornais que agora querem porque querem desmentir tudo como se isso desmerecesse o que ela é. Digamos que para Susan chegou a hora e ninguém tasca.

Já sei: ela até mexeu no visual, botou uma roupinha menos conservadora ou ao menos cobriu aquela que deve estar no roupeiro desde os anos 50. Que me importa: Susan Boyle resgata todas as mulheres de mais de 40 com pneus em volta do que um dia foi cintura, queixo-duplo que nem écharpe pode disfarçar, barriga que não tem paletó Armani que esconda. Ela tem coragem. Mais que isso: ela não tem medo de botar a bunda na janela. Há tempos vem gramando em busca de reconhecimento, cantando aqui e ali, vendo a cara de deboche das magrinhas de cabeça vazia que ficam na platéia, dos marmanjos que só se preocupam com o conteúdo simbólico sexual das criaturas do showbizz que Madonna tão bem representa. 

Não me interessa nem se ela vai se manter no topo ou vai alguém que faz sucesso e se apaga.

Saboreio o que aconteceu com esta mulher sem graça fisicamente que, como milhões, fica no anonimato porque não se enquadra em molde algum do que o mundo espera dos que almejam o estrelato.

Não tem moral da história. Só o fato. 

(originalmente publicado em Coletiva.net)

PS: entrem no site do Cho Dornelles e conheçam as gordas lindas, como esta escultura aí de cima, que ele faz. 

 

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Author: maristela
•Quarta-feira, Abril 22, 2009
Juro em cruz que não sou do tipo preconceituosa em relação ao Paraguai. Au contraire: muita cosita comprei nos 1,99 sabendo que vinha de lá e também já andei em Ciudad del Leste quando ainda se chamava (ái, que nojo!) Puerto Stroessner. Aliás, acho uma arrogância dizer que paraguaio é sinônimo de falcatrua, de coisa sem qualidade, de contrabando, de porcaria. Tem coisa de acá que es muy peor, como esta farra das passagens aéreas. Até tu, Gabeira? Diz que deu passagem pra filhinha. Imagino que foi para ela poder surfar nas ondas do Hawaii. Diz que vai devolver a grana. 
Muitos que foram pegos com a bunda na janela estão prometendo devolver dinheiro. Duvido. Se devolverem, vai vir com perna de anão. Ou vão esperar esquecer (este povo é esqueciiiiiiiiiiiiiiido) e vão voltar a farrear de novo. Gentalha! Gente que além de ter tudo o que quer (poder, grana fácil, em alguns casos dinheiro ilícito de negociatas, garantia de vida de nababo depois de deixar o cargo etc etc etc) é de uma mesquinhez assombrosa!
Como se este bando que bancou viagem pra amante, filhos, amigos e outros quetais não tivesse condições de pagar uma passagem de avião com seu próprio dinheiro! Tinha de ser com o meu, com o teu, com o de todos nós, em especial dos aposentados, dos desempregados? 
Parêntese rápido: e o Michel Temer acha que engana quem? Quando se falou daquela pouca-vergonha do deputadinho insignificante metido a boy com a campeã brasileira de oportunismo Adriane Galisteu, ele se encolheu, fez muxoxo, achou que ia dar um rolê na imprensa que, nessa hora, honra seus culhões. Agora, veio de moralizador.
Incendiária, eu? Apenas 200 no máximo me leem por dia! Mas calar, não calo.
Por isso fico com pena do Paraguai por ter um presidente cafajeste como este carola Fernando Lugo que foi até bispo mas não tinha poder que chegasse e ganhou a permissão do Papa, aquele alemão de ficha suja, para voltar a ser leigo.
Pois o cara está honrando a tradição da Santa Madre Igreja em ter representantes sexualmente muiiiiiito ativos. Quando não é pedófilo, é sedutor de fim de linha, como este Lugo.
Agora, apareceu a terceira mulher dizendo "toma que o filho é teu".
Quantas outras mulheres ainda não vão aparecer contando que a sacristia não servia só para as práticas religiosas do santíssimo bispo Lugo?!
Me poupem! Este senhor não conseguia manter o pinto dentro das calças enquanto estava sob o tal juramento (ou coisa que o valha) de castidade. Aliás, a tal castidade é outra hipocrisia da Santa Madre!
Mas agora entendi a razão daquele gesto que ele fez na campanha, na vitória e ainda faz: o braço flexionado, a mão fechada, sinalizando potência! E o povo acredita nesta chinelada que não ter vergonha de falar em nome de Deus!
O melhor castigo era botar essa gente a viajar de carro velho, sem ar condicionado e cheirando a gasolina no banco de trás, como eu tinha de andar quando trabalhava para a Secretaria da Cultura e precisava viajar pelos "interiô" do Rio Grande, como Coordenadora de Comunicação!



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Author: maristela
•Domingo, Abril 19, 2009


Estou aqui, há meia hora, vendo e revendo um vídeo. Não um vídeo qualquer: um vídeo que um amigo que não vejo há quatro, cinco anos, talvez mais, me enviou por mail com a seguinte observação: "Vale a pena ver...........como ainda estamos longe da evolução, pois vemos o exterior e não o que a alma pode mostrar..."
Este amigo que não vejo há anos, aliás, hoje se puxou: me mandou um ppt sobre cães (e este não foi enviado em cópia oculta para vários amigos, veio só pra mim) caçoando: "Por que será que me lembrei de vc???" Explica-se: ele não é do tipo cachorreiro e já me puxou as orelhas em relação ao que deve achar um exagero desta que vos escreve, como o fato de eu ter feito atendimento espiritual à distância para o Occhi quando veio aquele diagnóstico de câncer linfático que "misteriosamente" foi mudado para histiocitoma. Categórico, quando lhe pedi que rezasse pelo Occhi, ele disse não, coerente, certamente, com sua visão do espiritismo que pratica com fé absoluta.
Enfim. Hoje, domingo quase findo, chuvisquento, meio friozinho, vou falar deste amigo com quem convivi quase nada pessoalmente e que de mim se afastou por minha culpa, mais especificamente por eu estar, na ocasião, num péssimo momento, julgando as pessoas de acordo com meus parâmetros tortos. Um dia, encontrei um mail que ele me mandara e que me fizera tanto bem, me enchi de coragem e escrevi agradecendo.
Não toquei no assunto causador do nosso afastamento, não me alonguei tampouco esperei que ele retomasse contato.
Pois retomou e, embora estejamos longe de ser aqueles bons amigos que trocavam suas histórias por internet com a naturalidade dos bons sentimentos, sempre me envia arquivos engraçados ou para eu meditar. Quando me torno mais pessoal, educadamente me responde, sem muitos detalhes, sem muitas delongas.
E hoje, ele me enviou um link para o youtube que chegou na hora certa.
Ando empacada em meus projetos pessoais e profissionais, sem ver muito sentido em arriscar coisas novas muito menos em retomar antigas. Por insistência dos meus filhos, voltei à psicoterapia e também aceitei ser medicada para esta forma mesquinha de depressão que se chama distimia, que deve vir com a gente de outras encarnações e que, por algum motivo, a gente vai cultivando vida afora.
Esta mulher, Susan Boyle, que estrela este vídeo que meu amigo enviou, sua força de vontade, sua sinceridade em se revelar solteira aos 47 anos tendo por companhia um gato e o fato de nunca ter sido beijada, tudo isso, mais o fato de não se enquadrar em qualquer padrão de beleza consumido pelo mundo do showbizz e das artes em geral, esse pacote todo me fez muito bem. Não me canso de ver Susan cantando I Dreamed a Dream, da montagem de Os Miseráveis, a voz maravilhosa encobrindo seu queixo duplo, sua quase ausência de vaidade, o modelo fora de moda do vestido, o cabelo parecendo uma peruca mal penteada, o corpo redondo e sem cinturaque ela não se envergonha de rebolar diante do "espanto" dos jurados ao revelar sua idade.
Quisera eu ter esta categoria, esta classe de Susan. Este despreendimento.
Enquanto isso não chega pra mim, me contento em admirá-la e divulgá-la, agradecendo este presente a meu amigo querido que, mesmo mantendo distância "segura" de mim, não me esquece e me dedica alguns momentos de seu dia. Num final de domingo chuvisquento e quase frio, vai pra você, então, este post.

Eu Tive um Sonho

Houve um tempo quando os homens eram amáveis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo quando o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era excitante
Houve um tempo... então tudo deu errado

Eu tive um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram elevadas e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus estaria perdoando

Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos eram feitos e usados e perdidos
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção desconhecida, nenhum vinho intocado

Mas os tigres chegaram à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Tal como eles rasgam sua esperança em pedaços
Tal como eles transformam seus sonhos em vergonha

Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele encheu meus dias de maravilha infinita
Ele fez da minha infância o seu êxito
Mas ele se foi quando o outono chegou

E ainda sonho com ele vindo até a mim
E nós viveríamos juntos os anos 
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades que não podemos desafiar

Eu tive um sonho que minha vida iria ser
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora do que parecia
Agora a vida matou o sonho que tive.




(foto: Telegraph.co.uk)
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Author: maristela
•Sexta-feira, Abril 17, 2009

Estava demorando, mas era fatal que acontecesse: Ingrid Betancourt, um ícone das ações de libertação de reféns feitos pelas Farc, está levando tiro de tudo que é lado, ou melhor, dos que com ela estiveram na selva. O Le Point destaca em sua matéria intitulada Ingrid Betancourt: ange ou démon? os testemunhos de oito companheiros da política franco-colombiana que, diz a legenda da foto da revista em sua versão virtual, “está longe, muito longe da imagem de santa divulgada pelas mídias do mundo inteiro”.

Só faltou o Le Point fazer um mea culpa porque foi ele também foi uma destas mídias que colocaram Ingrid no pedestal, seja em busca de justiça, seja em busca de (obviamente) mais leitores.

Não dá para julgar, aqui, os veículos – e digo isso sem constrangimento porque não faltam textos meus justamente acusando os dignos colegas e donos de empresas de comunicação de agir no limite entre a má fé e o excesso de babaquice.

De Ingrid ninguém pode tirar o papel de ter sido mobilizadora de um enfrentamento antes jamais visto com a decadente e arrogante organização terrorista colombiana. É besteira a alegação de alguns dos que saíram do mato graças ao poder econômico e político da família da ex-candidata à presidência da Colômbia de que havia esforço para libertar apenas a personagem mais conhecida, esquecendo dos demais. Ou são burros ou sem-caráter porque duvido que estivessem hoje em liberdade se ela não tivesse sido o motivo das negociações até agora nebulosas entre os matadores que se dizem revolucionários e as autoridades, o insuportável Hugo Chávez incluído.

Vai sair ainda muito coelho desta cartola. Os quatro livros focalizados pelo Le Point são apenas uma pontinha do tititi. Clara Rojas, que fez um filho com um guerrilheiro (o que, a meu ver, sinceramente, é muito furor uterino e nem a síndrome de Estocolmo explica!) e era parceira da famosa prisioneira na corrida pelo trono da Colômbia, lançou o livro Cautiva e acusa a família de Ingrid de ter escondido correspondência que ela havia enviado aos seus “provavelmente para manter Ingrid no papel principal”. E se queixa também da frieza de quem ela tinha por “irmã” diante de sua gravidez.

John Pinchao, o policial que também provou da hospitalidade das Farc, escreveu Mi Fuga Hacia la Libertad e se queixa das grosserias de Ingrid em especial com a chegada de reféns norte-americanos, garantindo, com sua intransigência, uma acomodação especial que os outros não tiveram. Por outro lado, o policial diz que ela foi muito, mas muito querida com la Rojas e até roupinhas para o bebê conseguiu!

Já Luiz Eládio Perez, autor de Inferno Verde, fica do lado da mulher que o aponta como seu constante defensor, claro. Diz que tudo é fruto de inveja, ciúme e “cólera” dos demais presos por causa do que ele chama “exposição midiática” de Ingrid.  E se derrete todo dizendo que ela é a melhor em vários aspectos. Hmmmmm! Ele deve saber bem do que fala.

Quanto aos três funcionários do Pentágono, Tom Howes, Marc Gonsalves, Keith Stansel, que fizeram, a seis mãos, Out of Captivity, eles não têm a menor paciência com a companheira de dias ruins: “Aqui não tem lugar, ponham eles em outro lugar”,  teria dito ela aos esfomeados das Farc, na chegada dos “estrangeiros”. Estranho: não parece a mesma a mulher que apareceu naquele vídeo magra e chorando e que estaria até morrendo, conforme foi noticiado dias seguidos, comovendo o público. Gonsalves acusa Ingrid de instigar os terroristas a fazer revista nos pertences dos três atrás de documentos que ela mesma lhes houvera enviado. “Ingrid nos tratava como se ela estivesse do lado das Farc”, afirma o moço.

Nove meses depois da hollywoodiana libertação, la Betancourt está nos Estados Unidos e, afirma o Le Point, prepara uma nova biografia (a primeira saiu em 2001), agora com uma tal “dimensão espiritual”, segundo seu editor.  A revista francesa se queixa de que tentou contato com a estrela dos reféns farquianos e não obteve resposta.

Faz parte das tarefas jornalísticas este tipo de revés. Até porque a moça está bem faceirinha, livre, leve e solta, ganhando seu honesto dinheirinho com suas memórias. Quanto aos pés-rapados que ainda estão em poder das Farc, quem está preocupado com eles? As mídias, em especial, é que não.



(foto site Zimbio)
(foto de abertura publicada no site de Veja)
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Author: maristela
•Quarta-feira, Abril 15, 2009

Quem diria! Dizer que está ficando velho virou moda, agora!
Aquela coisa autodepreciativa de dizer - putz, estou velho, pelo jeito está se transformando em - vejam, estou velho - mas estou aí.
O reconhecimento do fato de envelhecer foi feito por dois sujeitos famosos e talentosos, cada um a seu modo. OK. Um pode até ser mais marketeiro que talentoso, no sentido artístico, mas continua ganhando dinheiro como ator - Sylverster Stallone. O outro é nosso bronqueiro velho (opa!) de guerra Caetano Veloso.
Stalone, com a boca a cada dia mais torta, está no Brasil filmando. Tem 62 anos e fez charme para repórteres e a atriz brasileira Giselle Itié ao se declarar velho para as cenas de ação.
Seja por charme, seja por sinceridade, seja por conforto, acho fantástico o fato de dois sujeitos de vida pública, com fãs clubes de todas as idades e situação social e cultural se manifestarem com tamanha naturalidade sobre esta fase da vida que odiosamente alguns chamam de a boa idade, bela idade (úi!!!!) ou terceira idade!
Não é bonito ou fácil envelhecer - esta é minha posição a respeito.
Vejo meus pais, meus tios, muitos de meus afetos indo em direção ao que poeticamente eu poderia chamar de ocaso da vida e acho triste.
Não me sinto alegre quando vejo que as costas doem por qualquer motivo (não me falem em falta de ginástica, ou de atividade física, pois faço todo o serviço da casa sozinha sem ter nem mesmo diarista e caminho quilômetros com os cachorros, diariamente!!!!!) , um joanete está me matando de tanto empurrar o dedão para o lado, mais de 30 minutos no computador me dão fincadas na cervical, não leio mais nada sem óculos etc e tal.
Tampouco acho maravilhoso que meus cabelos brancos (grisalhos, ainda) cresçam cada vez mais rápido, num vigor que nunca mostraram quando eu tinha 20 anos.
Envelhecer, do ponto de vista físico, não traz vantagem nenhuma. E que atire a primeira flor quem me der uma razão real para que se afirme o contrário.
Pode-se falar em experiências vividas, em maior capacidade de entender a vida, até em mais paciência (nem sempre, nem sempre) e outras questões filosóficas e emocionais. Mas é só este o lado belo da velhice. Ou alguém acha que a possibilidade de ter de usar fraldão é algo bom demais?
Por isso tudo, louvo a transparência de Stalone e de Caetano em se expor e dizer: sim, envelheci.
Não vai mudar nada na vida da gente, ninguém vai encontrar a força da eterna juventude para retornar a seus belos 30 anos, as rugas não vão sumir com creminhos por mais caros que sejam, as cirurgias plásticas vão continuar deixando gente com cara espichada mas pescoço e mãos que denunciam a faixa etária, e não adianta botar jeans apertadinho ou camiseta colada para fazer de conta que o tempo não passou se os pneuzinhos e a bunda caiu.
O negócio é ir-se acostumando com o novo lay out, aceitando que tem de parar de falar gíria do tempo de juventude, tentando entender o mundo pós-internet e tocando o barco.
Diferentemente de Stalone, a maioria de nós não tem dublê para as cenas mais difíceis da vida.
No entanto, estamos aí. Vivos.
E isso envolve capacidade de se alegrar e de se indignar.
De elogiar e de criticar.
De exercer o direito de julgar e aceitar ser julgado.
De sair de cima do muro ou de ficar lá, pendurado, esperando que a poeira caia, que se esqueçam de alguma coisa desconfortável - cada um, cada um.
Viver é tão bom.
Até mesmo quando parece muito ruim.
OU, como diriam os filósofos também já envelhecidos Roberto e Eramos Carlos


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Author: maristela
•Terça-feira, Abril 14, 2009
Não dá! Não tem jeito!
Sempre que eu me proponho a ser cordata, meiga, compreensiva, a promover em mim mesma uma reforma íntima que me afaste do tom denuncioso, rançoso, bronqueiro que me caracteriza, acontece alguma coisa que me traz para a cruel realidade do mundo.
Ontem, minha rua foi cenário de filme de ação: um garoto de 18 anos roubou um carro e a polícia já vinha em sua perseguição quando ele tentou roubar outro e não conseguiu ir adiante. Desceu do carro, viu que a p0lícia estava chegando, tirou a arma da cintura e saiu rua abaixo, como um Django deste país metido a rico e cheio de mazelas. Resultado: levou um tiro na bunda e outro na perna e todos aplaudiram a ação da polícia, eu inclusive.
No entanto, uma mãe teve de dar dois tiros no filho enlouquecido pelas drogas, que já tinha cortado o braço dela a facão. Não era favela, não: era casa de classe média.
Então, não dá pra fechar os olhos e ficar só escrevendo coisas bonitas.
Lamento muito.
E pra completar, confirmo o que já desconfiava a respeito de um blog que conheço desde que comecei a escrever nesta web: a dona é uma solerte plagiadora que não tem o menor pudor em se apropriar de textos alheios e JAMAIS citar a fonte. Só que agora existem mecanismos pra gente encontrar os plágios e o menino de quem ela usurpou a criação (sim, estamos falando de criação intelectual!) botou a boca no mundo.
Eu já tinha recebido, no final de semana, de uma amiga, um texto sobre gordinhas atribuído a Paulo Coelho. Como eu já tinha lido o texto original, vi que era falcatrua. Mas trazia a assinatura do autor do Alquimista (que muito, por sinal, foi e é acusado de usar histórias alheias) e eu mandei para o site dele e hoje recebi a confirmação: o texto que me enviaram não é dele.
O plágio é uma praga. Minha amiga que me mandou o texto supostamente do Paulo Coelho se conforma: tem coisas da internet que não mudam, disse ela.
Eu sei. Mas isso não deve ser motivo pra gente calar e ser omissa e conivente.
O que foi feito com Brunno, do Crônicas de Afeto, é lamentável! Se gostou do texto, e não quer se dar ao trabalho de pedir para publicar, qual a razão para não colocar a autoria a não ser mau-caratice? E não adianta escrever coisas melosas, cheias de supostas mensagens positivas (por favor, me alcancem o saquinho que vou vomitar) se o que se revela é a falta de caráter?
Acho que pessoas com consciência deveriam deslinkar de seus blogs gente do tipo usurpador como esta blogueira. Não tem perdão. Uma vez até se poderia dizer que foi uma escorregada. Mas habitualmente ser copiadora e apropriadora ilícita do trabalho dos outros merece desprezo e o rigor da lei, se não a lei da constituição a lei que nos rege como humanidade, cheia de falhas, mas que evita que viremos gente igual ao garoto que saiu de arma na mão numa rua movimentada às 10 da manhã ou como o filho que queria matar a mãe por causa de drogas.
Não sei como esta moça não teve indigestão de tanto comer textos alheios. Van Helsing nesta vampira da criação alheia!
E depois se botou a apagar os comentários dos que a flagraram. Que vexame!
Também apagou os textos copiados. Só esqueceu que existe o Paint:




Este é o texto original, do Brunno e é de OUTUBRO DE 2007:


Entrem em um dos blogs de Brunno e se solidarizem com ele. É o mínimo que a gente pode fazer para tentar manter a ética e a vida num parâmetro razoável de convivência.
Brunno, grita que a gente ecoa!


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Author: maristela
•Domingo, Abril 12, 2009

É Páscoa! O dia está simplsmente magnífico, como os dias de outono que eu mais amo. Recebi, ontem, uma carta por mail de um primo-irmão que não vejo há uns 30 anos. Presente de Páscoa.
Ele se chama João. Como meu avô-materno. É filho do tio Rubem, que não vejo também há décadas e, junto com Luis Carlos, o mais jovem da família de minha mãe, é dono de um humor invejável. Ninguém fica impune perto de tio Rubem, apesar de seu rigor no seguimento da religião escolhida (Testemunhas de Jeová). Tenho saudades dele, de tia Jane, de Jane Márcia minha prima que tinha riso solto em seus dez anos de cabelo de franjinha cortado curto.
João tem 50 anos, filhos lindos, esposa idem. E herdou aquele jeito gozador do pai - sua carta é cheia de frases para rir. Felizmente, porque do contrário, a gente chora quando lembra que deixou passar tanto tempo sem procurar seus afetos.
É assim que me sinto em relação a tinha Darcy, a mais velha desta família de matriarcas, que vó Zéca pariu. Tia Darcy, que nunca vi ou vi tão menina que esqueci suas feições, presentes na minha memória apenas por causa de uma foto de toda a família, todos jovens, num dia distante numa rua de chão batido. As filhas adoráveis de Tia Darcy ainda moram em Santa Catarina, onde a família se fixou, e nunca deixam de telefonar para minha mãe, num carinho que a gente, que mora perto, deixou de ter há séculos, em relação aos tios e primos. E, de toda sua prole, lembro com nitidez do primo Lily, que a gente chamava Lilo, que vinha nos visitar ainda menino, bem mais velho que eu, e era engraçado mas me assustava com um dedo cortado que tinha, herança de traquinagens, acho eu.
Nesta mistura de sentimentos, lembro agora que encontrei um amigo que era parceiro freqüente na minha vida, no shopping. Por acaso nos encontramos ontem. Ele está num momento daqueles que a vida reserva no tal potinho de surpresas e andava ausente, e eu chateada. Descobri, semana passada, a causa - uma doença braba em seu parceiro o tirou do eixo, embora ele lute para se manter dentro da chamada normalidade. Mas seus olhos verdes estavam marejados ontem, quando falamos. 
E ainda há pouco ouvi o burburinho, no apartamento de baixo, do garotinho de seis, sete anos, em busca de seus presentes de Páscoa. Ele, que nunca sai da cama antes do meio-dia, hoje levantou "cedo", para procurar o ninho, atento aos "tá quente", "tá frio", da mãe, guiando sua busca. Ainda ontem, ele chorava alto, como sempre faz, depois de um dos freqëntes corretivos que leva. Hoje, bom, hoje é Páscoa, e tudo se redime.
Minha Dodô dorme no solzinho forte que entra pelo quarto feito escritório, Occhi cansou do sol e se refugiu debaixo da mesa do outro computador. Ainda estou de pijamas e não quero ter pressa.
Vi que as ondas, no Rio, se rebelaram e invadiram a avenida. Espetáculo fantástico, mesmo que meta medo em muitos. Assim como esta revoada de andorinhas numa cidade do Paraná. Levam 43 dias para chegar em Guaíra, vindas do Canadá e voltam, 40 dias depois, para lá, em 13 dias, porque estão fortes e bem alimentadas. A coreografia de seu balé é de dar inveja até no finado Maurice Béjart.
A gente devia também, periodicamente, voltar para nossas raízes, nos alimentar, ficar um tempo juntos, e, depois, então, partir para nosaas vidas. Infelizmente, não aprendemos nem com as andorinhas, sua garra, sua organização e beleza. 
Um dia, porém, vamos aprender, com certeza.




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Author: maristela
•Quinta-feira, Abril 09, 2009


Estamos de novo aí, batendo na porta da Páscoa, antes dela a Sexta-Feira Santa que, na minha infância, conseguia ser pior que o Dia dos Mortos - minha mãe não gostava nem que se ouvisse rádio. Isso que ela já estava no Kardecismo havia anos - mas a carolagem impregnada em sua alma nunca saiu totalmente. Tanto que, depois de madura, ela e mais duas irmãs (que chamávamos o trio das Cajazeiras) pegava ônibus e ia até Marcelino Ramos para a procissão de Nossa Senhora da Salete! A Igreja Católica é fogo! Quando faz uma vítima, não larga mesmo!
Mas eu queria falar de Páscoa, de simbologia, do Pessach dos hebreus etc e tal. No entanto, quando me lembro que vou entrar no supermercado e, mais uma vez, como faço há semanas, vou ter de desviar de um mar de ovos pendurados sobre minha cabeça e outro tanto de carrinhos parados nos cruzamentos das gôndolas, com gente aflita querendo comprar coisas para os ninhos, vai embora toda minha tesão pacificadora.
Claro que já fui da tropa de choque que também saía em desespero para comparar preços e comprar ovos para empanturrar os filhos de chocolate. Além dos ninhos de casa, eles ganhavam ninhos das duas avós, fora o que vinha de escola e vizinhos gentis.
Por semanas tudo cheirava a chocolote: sofás, roupeiros, roupas de colégio e até trabalhos escolares. Com sorte, ninguém ficava de caganeira ou empelotado com alergia.Era uma tortura ficar regulando quando dos ovos já tinha ido, fazer uma cota diária para evitar mais gastos, desta vez com médico e remédios.
Não lembro de ter ganho grandes cestas em minha infância. Lembro, sim, de sempre ter ganho dois tipos de confeitos que não vejo mais hoje. Um deles, eu amava, era feito de uma espécie de gelatina dura, tinha cheirinho de laranja, era uma delícia - eram ovos de goma. Outro, eu odiava e era o que mais vinha em cesta de pobre: eram ovos feitos de açúcar, duros até nos confeitos que desenhavam coelhos e cenouras por fora, na embalagem de papel celofane. Ovo de chocolate, mesmo, era pouco. Com sorte, vinha um pacote de cigarrinho de chocolate, que minha mãe detestava porque podia incentivar a fumar. Também, às vezes, a gente ganhava uns ovos de galinha pintados por fora e com amendoim torrado e cercado de açúcar. E, na escola, se faziam cartões ilustrados, sempre, com coelhos e mais coelhos, algodão colado para fazer o rabinho do bicho, com sorte uma purpurina pra jogar em cima das letras formadas com cola.
No edifício em que eu morava, assim como no Natal, era costume, no dia seguinte à Páscoa, cada criança sair à rua com seu ninho para se exibir. E sempre, claro, havia as que ganhavam cestas grandes, ovos imensos e nunca, jamais, davam um pedacinho para os menos aquinhoados. De todas as figuras que lembro, desta época, que regulavam de idade comigo, a figura de Rejane é a que mais permanece na minha memória.
Rejane era uma menina forte, gordinha, de rosto grande, cabelos compridos, que morava no primeiro andar, em diagonal a meu apartamento. Na verdade, era(é) mais nova que eu, mas, quando dava, brincávamos juntas, ou de boneca, ou de amarelinha (que a gente chamava sapata), de passar o anel, de roda - quem brinca disso hoje?
O pai de Rejane era barbeiro, um homem enorme, quieto, que no final do dia ia para a janela da sala fumar seu cigarro. Seo Armindo. A mãe, dona Lourdes, era pequenininha, cabelo preto, andava ligeirinho, tinha uma voz quase sumida, e trabalhava na fábrica de cigarros Souza Cruz que ainda era aqui, na rua Marquês do Pombal. Rejane ficava sozinha depois de voltar da escola e, obediente, não descia do apartamento jamais.
Chegávamos a brincar juntas, ela da janela, eu na rua, diante do edifício.
Na Páscoa, Rejane ganhava um ninho grande, enfeitado, acrescido de mais ovos que uma tia, irmã da mãe, vinha lhe trazer. Então, ela punha o ninho na janela e, dia após dia, ia comendo, ali, seus chocolates, entre uma brincadeira, uma risada e uma briga de mentirinha. Ela na janela, uma rapunzel do século 20. Nós, na rua. No tempo em que se podia brincar até anoitecer, em frente das casas, até a hora do banho, do talco e do pijama, naquela vidinha de vila operária.
Feliz páscoa a todos, com belas e doces lembranças.
(foto Manu Schmidt)
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Author: maristela
•Terça-feira, Abril 07, 2009


Há assuntos tão penosos que a gente, na maior parte das vezes, prefere ignorar.
Juro que tenho tentado fugir e queria muito que este blog só abordasse mensagens "positivas", falasse de esperança e harmonia, transcrevesse belas frases de auto-ajuda.
Mas o mundo que rola aqui fora não dá oportunidade a que a gente fique alienado da realidade.
E a realidade não é cor-de-rosa.
Não neste mundo de provas e expiações, de gente canalha, de poderosos que continuam explorando ingênuos e ambiciosos burros, de adultos monstros e crianças vilipendiadas.
O noticiário desta terça dá destaque à renúncia do deputado Luiz Safer, do Pará, acusado de ter abusado, por anos seguidos, de uma criança que chegou à casa dele com 9 anos de idade!!!!
A história toda está no site Brasil Contra a Pedofilia, em sucessivos textos e é de vomitar.
Uma coisa, em toda a defesa do acusado, me chamou atenção, porque vejo neste costume uma porta aberta para abuso não só sexual mas moral acima de tudo, no sentido mais amplo da moral: a história de "pegar" crianças e adolescentes para dar "estudo" e oportunidade na vida.
Já se viu, pela menina que foi maltratada pela "boazinha" empresária a quem a mãe a entregou para ter "chance" na vida, que a prática é, quase sempre, um disfarce para o exercício da maldade proporcionada pelo poder econômico e também pelo poder que se move pela doença de alma e da mente de muita gente que se tem por decente.
No interior, de fato,  é comum pegar filhos de gente da roça não para dar estudo, mas para, em troca de estudo, ter empregadinhas dia e noite, muitas vezes socada num quartinho fora da casa principal, sem direito a um gesto de carinho. Os pais, pobres, iletrados, ignorantes e ou oportunistas, não se importam de se desfazer de uma ou duas crianças - afinal, o moço e a moça da cidade afirmam que vai ser melhor para estes "adotados" que serão criados como filhos. 
Mentira.
Sei de casos assim, com crianças de pés descalços, mal vestidas, tristes, comendo na cozinha enquanto os d0nos da casa se locupletavam à mesa na sala de jantar, e depois lavando pilhas de louça e panelas, sábado, domingo, feriado. Iam à escola, sim. Mas quando dava tempo. E quando tinham tempo faziam as lições de casa e, quando, de tão cansadas, estas crianças deixavam o colégio, eram acusadas de ser burras e mal-agradecidas.
Nem só o abuso sexual é maldito. Esta desmoralização de um ser humano travestida de bondade também deveria ser investigada. E punida. E eliminada.
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Author: maristela
•Segunda-feira, Abril 06, 2009


Prá começar: fui, sou e serei, sempre, careta!
Detesto até o nome droga.
Antes que me ironizem: sim, já fumei cigarros e felizmente parei, gosto de uma cervejinha, de um vinho, de um espumante e até de um destilado de vez em quando. Mas tenho horror à bêbados, bebedeiras e não me dou direito de ficar nem mesmo meio tonta quando bebo.
Por isso me dá absoluto nojo e decepção que este músico fantástico, o guitarrista Carlos Santana, venha abrindo caminho para mais uma turnê que vai lhe forrar a bolsa se dizendo a favor da legalização da maconha.
Pior: um homem velho, não se sente ridículo cantando a mesma velha música de que a droga abre a mente?
Pior ainda: tem a cara de pau de dizer que a maconha vem da natureza?
Será que este senhor tem sua própria plantação de canabis ou é um dos bem sucedidos a mais que engordam a conta dos traficantes, contribui para colocar mais crianças na criminalidade nas áreas de pobreza fazendo com que se tornem entregadores de tudo que é tipo de porcaria e ainda morram antes dos 14 anos viciadas em crack ou assassinadas?
Então são ovelhas os que não querem fumar maconha?
Ora, ora, ora!
Mas que coisa bem boa se ao botar os pés no Brasil a Polícia Federal desse de mão nesse canalha e o metesse em prisão comum, para ele aprender que deveria dar exemplo positivo e não, escolado em seu sucesso, achar que pode ir dizendo merda mundo afora e nada lhe acontece.
Depois diz que não está fazendo propaganda de droga!
Repressão nele!
Chapado, velho e sem-vergonha! Devia devolver o prêmio que ganhou em 2002, 
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Author: maristela
•Domingo, Abril 05, 2009
Ser celebridade de terceiro mundo, é isso:
- gramar anos a fio em busca de um lugarzinho ao sol, se não houver sol, pode ser à luz de alguma vela ou de um holofote mesmo
- investir sua alma na "carreira", claro que marketeando o quanto sofreu para chegar ao topo etc
- reclamar que a vida de celebridade é muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito cansativa
- reclamar que a vida de celebridade não permite ter privacidade (hahahahahaha)
- namorar sempre alguém tão ou mais célebre para aumentar a publicidade em torno de sua figura, agora já personagem e, claro, aumentar os ganhos que, a estas alturas, são astronômicos
- voltar à sua terra de origem fazendo de conta que continua a mesma pessoa, simples e simpática, capaz até de dar umas voltinhas fazendo o "V" da vitória com os dedos para mostrar: vim, vi, venci
- comprar casa em tudo que é parte do mundo (chique, é claro, ou no mínimo em locais "de charme") mesmo que não passe mais que um dia em cada lugar ao longo dos anos
- manter sempre o mistério sobre sua vida pessoal, claro que dando um jeito de sempre largar uma ou outra notícia para jornalistas escolhidos a dedo (ou a bolso)
- dizer milhares de vezes que não vai casar e, pouco depois, casar secretamente (claro que deixando que alguém vaze o local e a hora, para um flagrante de foto sem foco)
- vir ao carnaval do Rio de aliança no dedo mas não confirmar casamento, só pra provar que o povo é besta e burro mesmo
- fazer outra cerimônia não tão secreta mas só para íntimos, claro que devidamente vazada em data e local para a imprensa
- escolher um lugar exótico para casar e não estar nem aí para a miséria em que vive a maior parte dos moradores deste lugar
- montar um esquema de segurança maior que o do presidente dos Estados Unidos para que nenhum penetra ...penetre no local da cerimônia
- terminar sendo notícia por que um dos seguranças machucou um dos fotógrafos que tentavam tirar uma lasquinha da festa e ganhar uns bons trocos com isso
- ficar de bunda caída porque a notícia do tiro dado no fotógrafo ficou mais importante do que de sua cerimônia secreta

Pô, Gi!
Que cagada, hem! Tanto dinheiro, tanta fama, tanto carisma e perde o controle logo deste alto lance de imagem! 
Isso nem papai, que se vende por aí como marqueteiro e especialista em treinamento (seja lá o que isso for) , conseguiu prever. E evitar. Feio. Muito feio. Além de toda pobreza e breguice de ficar fazendo cerimônia atrás de cerimônia pra conseguir midia  mesmo jurando que não, que quer é...privacidade!
Só falta agora se fazer de vítima e processar o fotógrafo!
Um conselho: siga o exemplo de Shirley Mallmann, menina dos interiô gaúcho que nem ocê, que ganhou muita grana, achou um cara discreto, virou mamãe e hoje usufrui das benesses do seu trabalho sem fazer fiasco. E olha que foi ela que abriu a porteira pra gauchada magra e comprida se dar bem nas orópa e esteites!
Horizontina lhe agradecerá, assim como todos os gaúchos.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Abril 03, 2009

Gostei do comentário curto e grosso de um leitor do Figaro online postado abaixo da notícia publicada sobre a cópia roubada do filme X-Men Origin s: Wolverine: “normal”. É o que diz ange­_sans_l, seja lá quem for, justificando: “se vocês fizessem filmes novos em vez de explorar até a náusea as licenças velhas como estas, isso não aconteceria. Se eu já tinha os comics de origem do X-men tenho direto para ver o filme, não? Então, não existe roubo”.  Uma mentalidade cada vez mais comum desde que o acesso às tecnologias antes em mãos de poucos se democratizou mundo afora, particularmente na web.

A questão da pirataria ainda será revista, tenho certeza. Ontem, ouvi de uma colega jornalista uma explicação para a facilidade com que os produtos piratas (roupas, relógios, sapatos, bolsas, etc) se reproduzem e a repressão é infinitamente menor em relação ao crescimento do delito: os produtos piratas, em muitos casos, são produzidos pela empresa de origem em fábricas terceirizadas, largados para consumo nas ruas e alimentam, assim, o conhecedíssimo caixa 2. Na Itália, me contou ela, isso é admitido e reconhecido.

Confesso que não sabia desta notícia. Mas sei que o original de há muito deixou de sê-lo. Cada vez mais copiamos e copiamos e o esforço criativo termina, mesmo sem querer, se abastecendo no que já existe. Reciclamos e damos o nome de novo. Como acontece com esta nova produção a partir dos personagens dos quadrinhos que vazou para a internet esta semana. Basta entrar no site do filme (que continua, pateticamente, fazendo a contagem regressiva para a estréia em primeiro de maio, apesar de todas a cópias baixadas) para ver que pouco muda no roteiro de sempre. Mesmo os efeitos especiais terminam se repetindo.

Eu gosto destas viagens ficcionais em cima de personagens fantásticos. Não li os quadrinhos desta turma de seres estranhos da Marvel, surgidos em meados dos anos setenta do século passado. Certamente por estar recém-formada e ingressando na vida jornalística, em velhas redações com barulhentas máquinas de escrever e cercada de medo de um bicho-papão chamado censura por todos os lados. Talvez por isso, as versões cinematográficas não só dos X-Men mas também dos velhos Super Homem e Homem Aranha e tantos outros me surpreendam e divirtam.

Quanto ao fato de baixar produtos culturais sem pagar por eles, não é futuro: é presente. A troca de arquivos já existente vai se impor, mesmo que chiem autores, gravadoras e estúdios. A queda no lucro exorbitante que havia em geral, em especial para as entidades de direito autoral (razão de muito bate-boca, em especial no Brasil) é a causa maior da chamada “moralização”. Não a moralização em si, a partir da discussão do que pertence a quem na internet: o dinheiro é que manda, não me iludo.

Volto a bater na tecla em que já bati outras vezes: basta olhar os jornais, revistas e mesmo as versões online das publicações para ver que os releases são simplesmente recortados e colados. Raramente se vê uma edição, ou uma interpretação objetiva de uma notícia. Falta de tempo? Falta de interesse de quem escreve? Preguiça de redator e de editor? Ou simples realidade? A lamentar, acima de tudo, que se copiem textos, muitas vezes artigos de opinião, e ainda se assine embaixo, assumindo indevidamente uma autoria, isso sim, a meu ver, algo indecente.

Voltando ao vazamento do filme que conta a origem de Wolverine e suas garras afiadas: quem teclar download da produção vai encontrar esta explicação do Uncle Google: “Devido a uma queixa que recebemos de acordo com a lei americana Digital Millennium Copyright Act (Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital), 1 resultado(s) foram removidos desta página. Para ler a queixa DMCA que causou a remoção, acesse ChillingEffects.org.”

Não adianta nada. O remédio chegou tarde. A estas alturas, milhões já viram e estão passando adiante as caras e bocas de Hugh Jackman, por sinal com uma cara de cansado e tão enrugado que parece estar precisando, de fato, de um bom implantezinho de adamantium.

PS: Mas o corpinho (se não for de dublê, parece estar em forma. Pelo menos é o que mostra o Perez Hilton aqui, com a sequência de nus do moço)



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Author: maristela
•Quarta-feira, Abril 01, 2009

Ponto para a Globo: os telespectadores reclamaram e a poderosa resolveu tapar Zé de Abreu.
Aquela barriga flácida, branca, naquela imitação barata de um sacerdote hindu, doía nos olhos e na alma de quem assistia à novela. 
Conheci Zé de Abreu nos anos 70, aqui em Porto Alegre, quando ele aqui vivia casado com Nara Keiserman. Eram atuantes no movimento teatral e, numa época, como era moda, viveram numa casa em comunidade, ao estilo Novos Baianos, incluindo no grupo Caio Fernando Abreu que viria a me substituir como setorista de teatro na Folha da Manhã (jornal finado) para eu assumir como sub-editora de Variedades.
Eu voltaria a fazer reportagens e crítica teatral depois, no Correio do Povo, por ocasião de sua reabertura.
Mas na fase em que conheci este hoje figurinha carimbada das revistas Caras e congêneres, ele era apenas um cabeludo alto, queixudo, que fez uma interpretação que elogiei numa montagem de A Salamanca do Jarau, nos palcos desta capital gaúcha.  
Era um cara simples, este Zé de Abreu de então. Tinha aquele sotaque de interior paulista típico, mas não comprometia na interpretação teatral. 
Um dia, ele resolveu voltar para São Paulo com Nara e a família. 
Me surpreendi ao ver sua trajetória. Não a de ator, mas a de personagem de reportagens sobre namoradinhas novas, visitas a castelos. Nada a ver com o ator engajado daqueles anos de chumbo. Sim. Zé era um esquerdista convicto. Ou fingia ser.
No blog do moço, está assim escrito até que ele foi preso naquele famoso congresso da UNE de 68 e pertenceu à Ação Popular e a VAR-Palmares - sim, da nossa retocada Dilma Roussef. A seguir, o contraponto: exilado na europa, "participou do movimento hippie, com suas viagens lisérgicas e sua filosofia de paz e amor". Sim. Ele foi guerrilheiro e, DEPOIS, hippie. Hehehehe
Há uns quatro anos, fui chamada à sala do Secretário da Cultura gaúcho. Com ele, estava Zé de Abreu. Tinha projetos para, aqui no Estado, levar teatro ao interior, como fizera naqueles anos de cabelos e barbas longas e batas indianas. Andava atrás de patrocínio. Acho que estava meio fora do ar na Globo, depois de ter feito A Casa das Sete Mulheres.
Zé me telefonou várias vezes, para saber se a Secretaria iria apoiar seu projeto e eu, como era tão somente assessora de imprensa,  tinha de descobrar o que era evidente: cultura jamais ganha verba em governo algum e não seria nem justo dar patrocínio para alguém de fora com tanta gente, aqui, fazendo teatro e tentando sobreviver sem este recurso. 
Mais tarde, durante um festival de Cinema, em Gramado, voltei a encontrar com este moço que entrevistei tantas vezes, antes do boom global, e que me ligava insistentemente para saber se ganharia um dinheirinho para fazer sua caravana Rio Grande adentro. Pois um ano bastou para o sujeito que se mostrara tão simpático quando passava o chapéu na Secretaria esquecer de quem o atendera. Quando o interpelei, bem franca e direta: "E aí, Zé, como ficou teu projeto? Conseguiu alguma coisa com o governo?", ele me aplicou uma mentira convencional e fez o falso gentil que não conseguiu disfarçar que nem por oportunismo era capaz de gravar o rosto de quem não mais lhe servia.
Encontrei muita gente do tipo, enquanto estava escrevendo sobre teatro e coordenando editoria de cultura e, mais tarde, como assessora de governo. São pessoas que se "achegam" a quem pensa que tem poder para usufruir de benesses. Aprendi a descartá-las, trantando-as com a consideração que merecem: nenhuma.
Por isso quando vi aquela barriga de fora, pensei: isto é mais obsceno que bunda de fora!! 
Mas não tinha achado um momento certo para escrever a respeito. 
Pois é. A fama faz bem para muita gente, em especial nas artes cênicas, seja em tv, seja em palco. Para outros, faz cair o vernizinho.
Deve ser chato ser rejeitado por uma barriga de fora. Fosse uma boa interpretação, garanto que o público abstrairia aquela pança flácida.
Bem feito que foi rejeitado. Quem mandou pedir aplauso para o Zé Dirceu, lembram? Naquele encontro com Lula, logo depois de todo o bafão do mensalão que detonou o Golbery do PT. 


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