A Hard Day's Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I've got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her
And Your Bird Can Sing
Anna (Go To Him)
Another Girl
Any Time At All
Ask Me Why
Baby It's You
Baby You're A Rich Man
Baby's in Black
Back In The USSR
Bad Boy
Because
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Birthday
Blackbird
Blue Jay Way
Boys
Can't Buy Me Love
Carry That Weight
Chains
Come Together
Cry Baby Cry
Day Tripper
Dear Prudence
Devil In Her Heart
Dig A Pony
Dig It
Dizzy Miss Lizzie
Do You Want to Know a Secret
Doctor Robert
Don't Bother Me
Don't Let Me Down
Don't Pass Me By
Drive My Car
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody's Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying (instrumental)
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don't
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don't Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell You
I Want You (She's So Heavy)
I Will
I'll Be Back
I'll Cry Instead
I'll Follow the Sun
I'll Get You
I'm a Loser
I'm Down
I'm Just Happy to Dance with You
I'm Looking Through You
I'm Only Sleeping
I'm so tired
I've Got A Feeling
I've Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won't Be Long
It's All Too Much
It's Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell's Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That's What I Want)
Mother Nature's Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus's Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She's A Woman
She's Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There's A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You're Doing
When I Get Home
When I'm Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don't we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
Yellow Submarine
Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can't Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won't See Me
You're Going to Lose That Girl
You've Got to Hide Your Love Away
Eu tinha uma lista de assuntos pregados no desktop para usar neste fim de semana aqui na Coletiva (enfim, aprendi que é a e não o Coletiva). Tudo com os devidos links, como o horror do pai que matou o filho com tiro no nuca, um ilustre advogado, professor e escritor que ainda teve a cara de pau de deixar uma carta dizendo que assassinava o filho para evitar-lhe futuras infelicidades. Tinha também a miss que perdeu a coroa porque foi sincera dizendo que preferia casamento entre homem e mulher quando o malandro do júri (certamente bem pago para isso e já sabendo o que ela responderia e a repercussão que causaria) lhe perguntou o que ela achava do casamento gay. Também queria falar de outra miss, a da Austrália, que revelou, em fotos, sua anoréxica figura.
Aí, pensei em minha mãe, 80 anos, olhos de lince para a vida e crítica feroz 24 horas por dia que há tempos deixou de ler jornais por não querer ver desgraças (acusando meu pai, inclusive, quando ainda tinha seu controle cognitivo) de se abastecer em sangue e infelicidade e decidi falar aqui de Susan Boyle.
Até eu? Sim. E mais uma vez, porque já fiz um post sobre ela no Clínica da Palavra . Vi hoje, na Globo, que é o vídeo mais assistido do momento no youtube e a mulher mais comentada no mundo. Ok. No mundo tal como conhecemos – com acesso à internet, informação, etc. Mas é o prato servido nas mídias, nos blogs em especial.
Uma blogueira comentou lá no meu espaço que achou palhaçada a cara de espanto dos jurados e que televisão é tudo mentira. Claro que os caras já sabiam que ela cantava bem. Claro que foi tudo bem armado para a velhota (gordota e mal-vestida para os padrões midiáticos que vendem bem) ter sucesso em sua apresentação não só no programa de calouros mas em toda a agenda pré-programada de entrevistas e, evidente, gravações. Não tenho mais idade para acreditar em papai noel, bem que eu queria.
O que me interessa, porém, no caso, não é a armação ou não do sucesso. O talento ou não da solteirona de cabelo que parece peruca despenteada.
Me interessa é que uma mulher fora dos ditos padrões está aí, movimentando internet e até jornais que agora querem porque querem desmentir tudo como se isso desmerecesse o que ela é. Digamos que para Susan chegou a hora e ninguém tasca.
Já sei: ela até mexeu no visual, botou uma roupinha menos conservadora ou ao menos cobriu aquela que deve estar no roupeiro desde os anos 50. Que me importa: Susan Boyle resgata todas as mulheres de mais de 40 com pneus em volta do que um dia foi cintura, queixo-duplo que nem écharpe pode disfarçar, barriga que não tem paletó Armani que esconda. Ela tem coragem. Mais que isso: ela não tem medo de botar a bunda na janela. Há tempos vem gramando em busca de reconhecimento, cantando aqui e ali, vendo a cara de deboche das magrinhas de cabeça vazia que ficam na platéia, dos marmanjos que só se preocupam com o conteúdo simbólico sexual das criaturas do showbizz que Madonna tão bem representa.
Não me interessa nem se ela vai se manter no topo ou vai alguém que faz sucesso e se apaga.
Saboreio o que aconteceu com esta mulher sem graça fisicamente que, como milhões, fica no anonimato porque não se enquadra em molde algum do que o mundo espera dos que almejam o estrelato.
Não tem moral da história. Só o fato.
(originalmente publicado em Coletiva.net)

Como se este bando que bancou viagem pra amante, filhos, amigos e outros quetais não tivesse condições de pagar uma passagem de avião com seu próprio dinheiro! Tinha de ser com o meu, com o teu, com o de todos nós, em especial dos aposentados, dos desempregados?
Incendiária, eu? Apenas 200 no máximo me leem por dia! Mas calar, não calo.
Por isso fico com pena do Paraguai por ter um presidente cafajeste como este carola Fernando Lugo que foi até bispo mas não tinha poder que chegasse e ganhou a permissão do Papa, aquele alemão de ficha suja, para voltar a ser leigo.
Pois o cara está honrando a tradição da Santa Madre Igreja em ter representantes sexualmente muiiiiiito ativos. Quando não é pedófilo, é sedutor de fim de linha, como este Lugo.
Agora, apareceu a terceira mulher dizendo "toma que o filho é teu".
Quantas outras mulheres ainda não vão aparecer contando que a sacristia não servia só para as práticas religiosas do santíssimo bispo Lugo?!
Me poupem! Este senhor não conseguia manter o pinto dentro das calças enquanto estava sob o tal juramento (ou coisa que o valha) de castidade. Aliás, a tal castidade é outra hipocrisia da Santa Madre!
Estou aqui, há meia hora, vendo e revendo um vídeo. Não um vídeo qualquer: um vídeo que um amigo que não vejo há quatro, cinco anos, talvez mais, me enviou por mail com a seguinte observação: "Vale a pena ver...........como ainda estamos longe da evolução, pois vemos o exterior e não o que a alma pode mostrar..."
Este amigo que não vejo há anos, aliás, hoje se puxou: me mandou um ppt sobre cães (e este não foi enviado em cópia oculta para vários amigos, veio só pra mim) caçoando: "Por que será que me lembrei de vc???" Explica-se: ele não é do tipo cachorreiro e já me puxou as orelhas em relação ao que deve achar um exagero desta que vos escreve, como o fato de eu ter feito atendimento espiritual à distância para o Occhi quando veio aquele diagnóstico de câncer linfático que "misteriosamente" foi mudado para histiocitoma. Categórico, quando lhe pedi que rezasse pelo Occhi, ele disse não, coerente, certamente, com sua visão do espiritismo que pratica com fé absoluta.
Enfim. Hoje, domingo quase findo, chuvisquento, meio friozinho, vou falar deste amigo com quem convivi quase nada pessoalmente e que de mim se afastou por minha culpa, mais especificamente por eu estar, na ocasião, num péssimo momento, julgando as pessoas de acordo com meus parâmetros tortos. Um dia, encontrei um mail que ele me mandara e que me fizera tanto bem, me enchi de coragem e escrevi agradecendo.
Não toquei no assunto causador do nosso afastamento, não me alonguei tampouco esperei que ele retomasse contato.
Pois retomou e, embora estejamos longe de ser aqueles bons amigos que trocavam suas histórias por internet com a naturalidade dos bons sentimentos, sempre me envia arquivos engraçados ou para eu meditar. Quando me torno mais pessoal, educadamente me responde, sem muitos detalhes, sem muitas delongas.
E hoje, ele me enviou um link para o youtube que chegou na hora certa.
Ando empacada em meus projetos pessoais e profissionais, sem ver muito sentido em arriscar coisas novas muito menos em retomar antigas. Por insistência dos meus filhos, voltei à psicoterapia e também aceitei ser medicada para esta forma mesquinha de depressão que se chama distimia, que deve vir com a gente de outras encarnações e que, por algum motivo, a gente vai cultivando vida afora.
Esta mulher, Susan Boyle, que estrela este vídeo que meu amigo enviou, sua força de vontade, sua sinceridade em se revelar solteira aos 47 anos tendo por companhia um gato e o fato de nunca ter sido beijada, tudo isso, mais o fato de não se enquadrar em qualquer padrão de beleza consumido pelo mundo do showbizz e das artes em geral, esse pacote todo me fez muito bem. Não me canso de ver Susan cantando I Dreamed a Dream, da montagem de Os Miseráveis, a voz maravilhosa encobrindo seu queixo duplo, sua quase ausência de vaidade, o modelo fora de moda do vestido, o cabelo parecendo uma peruca mal penteada, o corpo redondo e sem cinturaque ela não se envergonha de rebolar diante do "espanto" dos jurados ao revelar sua idade.
Quisera eu ter esta categoria, esta classe de Susan. Este despreendimento.
Houve um tempo quando os homens eram amáveis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo quando o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era excitante
Houve um tempo... então tudo deu errado
Eu tive um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram elevadas e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus estaria perdoando
Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos eram feitos e usados e perdidos
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção desconhecida, nenhum vinho intocado
Mas os tigres chegaram à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Tal como eles rasgam sua esperança em pedaços
Tal como eles transformam seus sonhos em vergonha
Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele encheu meus dias de maravilha infinita
Ele fez da minha infância o seu êxito
Mas ele se foi quando o outono chegou
E ainda sonho com ele vindo até a mim
E nós viveríamos juntos os anos
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades que não podemos desafiar
Eu tive um sonho que minha vida iria ser
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora do que parecia
Agora a vida matou o sonho que tive.
(foto: Telegraph.co.uk)
Estava demorando, mas era fatal que acontecesse: Ingrid Betancourt, um ícone das ações de libertação de reféns feitos pelas Farc, está levando tiro de tudo que é lado, ou melhor, dos que com ela estiveram na selva. O Le Point destaca em sua matéria intitulada Ingrid Betancourt: ange ou démon? os testemunhos de oito companheiros da política franco-colombiana que, diz a legenda da foto da revista em sua versão virtual, “está longe, muito longe da imagem de santa divulgada pelas mídias do mundo inteiro”.
Só faltou o Le Point fazer um mea culpa porque foi ele também foi uma destas mídias que colocaram Ingrid no pedestal, seja em busca de justiça, seja em busca de (obviamente) mais leitores.
Não dá para julgar, aqui, os veículos – e digo isso sem constrangimento porque não faltam textos meus justamente acusando os dignos colegas e donos de empresas de comunicação de agir no limite entre a má fé e o excesso de babaquice.
De Ingrid ninguém pode tirar o papel de ter sido mobilizadora de um enfrentamento antes jamais visto com a decadente e arrogante organização terrorista colombiana. É besteira a alegação de alguns dos que saíram do mato graças ao poder econômico e político da família da ex-candidata à presidência da Colômbia de que havia esforço para libertar apenas a personagem mais conhecida, esquecendo dos demais. Ou são burros ou sem-caráter porque duvido que estivessem hoje em liberdade se ela não tivesse sido o motivo das negociações até agora nebulosas entre os matadores que se dizem revolucionários e as autoridades, o insuportável Hugo Chávez incluído.
Vai sair ainda muito coelho desta cartola. Os quatro livros focalizados pelo Le Point são apenas uma pontinha do tititi. Clara Rojas, que fez um filho com um guerrilheiro (o que, a meu ver, sinceramente, é muito furor uterino e nem a síndrome de Estocolmo explica!) e era parceira da famosa prisioneira na corrida pelo trono da Colômbia, lançou o livro Cautiva e acusa a família de Ingrid de ter escondido correspondência que ela havia enviado aos seus “provavelmente para manter Ingrid no papel principal”. E se queixa também da frieza de quem ela tinha por “irmã” diante de sua gravidez.
John Pinchao, o policial que também provou da hospitalidade das Farc, escreveu Mi Fuga Hacia
Já Luiz Eládio Perez, autor de Inferno Verde, fica do lado da mulher que o aponta como seu constante defensor, claro. Diz que tudo é fruto de inveja, ciúme e “cólera” dos demais presos por causa do que ele chama “exposição midiática” de Ingrid. E se derrete todo dizendo que ela é a melhor em vários aspectos. Hmmmmm! Ele deve saber bem do que fala.
Quanto aos três funcionários do Pentágono, Tom Howes, Marc Gonsalves, Keith Stansel, que fizeram, a seis mãos, Out of Captivity, eles não têm a menor paciência com a companheira de dias ruins: “Aqui não tem lugar, ponham eles em outro lugar”, teria dito ela aos esfomeados das Farc, na chegada dos “estrangeiros”. Estranho: não parece a mesma a mulher que apareceu naquele vídeo magra e chorando e que estaria até morrendo, conforme foi noticiado dias seguidos, comovendo o público. Gonsalves acusa Ingrid de instigar os terroristas a fazer revista nos pertences dos três atrás de documentos que ela mesma lhes houvera enviado. “Ingrid nos tratava como se ela estivesse do lado das Farc”, afirma o moço.
Nove meses depois da hollywoodiana libertação,
Faz parte das tarefas jornalísticas este tipo de revés. Até porque a moça está bem faceirinha, livre, leve e solta, ganhando seu honesto dinheirinho com suas memórias. Quanto aos pés-rapados que ainda estão em poder das Farc, quem está preocupado com eles? As mídias, em especial, é que não.
(foto de abertura publicada no site de Veja)
Mas eu queria falar de Páscoa, de simbologia, do Pessach dos hebreus etc e tal. No entanto, quando me lembro que vou entrar no supermercado e, mais uma vez, como faço há semanas, vou ter de desviar de um mar de ovos pendurados sobre minha cabeça e outro tanto de carrinhos parados nos cruzamentos das gôndolas, com gente aflita querendo comprar coisas para os ninhos, vai embora toda minha tesão pacificadora.
Claro que já fui da tropa de choque que também saía em desespero para comparar preços e comprar ovos para empanturrar os filhos de chocolate. Além dos ninhos de casa, eles ganhavam ninhos das duas avós, fora o que vinha de escola e vizinhos gentis.
Por semanas tudo cheirava a chocolote: sofás, roupeiros, roupas de colégio e até trabalhos escolares. Com sorte, ninguém ficava de caganeira ou empelotado com alergia.Era uma tortura ficar regulando quando dos ovos já tinha ido, fazer uma cota diária para evitar mais gastos, desta vez com médico e remédios.
Não lembro de ter ganho grandes cestas em minha infância. Lembro, sim, de sempre ter ganho dois tipos de confeitos que não vejo mais hoje. Um deles, eu amava, era feito de uma espécie de gelatina dura, tinha cheirinho de laranja, era uma delícia - eram ovos de goma. Outro, eu odiava e era o que mais vinha em cesta de pobre: eram ovos feitos de açúcar, duros até nos confeitos que desenhavam coelhos e cenouras por fora, na embalagem de papel celofane. Ovo de chocolate, mesmo, era pouco. Com sorte, vinha um pacote de cigarrinho de chocolate, que minha mãe detestava porque podia incentivar a fumar. Também, às vezes, a gente ganhava uns ovos de galinha pintados por fora e com amendoim torrado e cercado de açúcar. E, na escola, se faziam cartões ilustrados, sempre, com coelhos e mais coelhos, algodão colado para fazer o rabinho do bicho, com sorte uma purpurina pra jogar em cima das letras formadas com cola.
No edifício em que eu morava, assim como no Natal, era costume, no dia seguinte à Páscoa, cada criança sair à rua com seu ninho para se exibir. E sempre, claro, havia as que ganhavam cestas grandes, ovos imensos e nunca, jamais, davam um pedacinho para os menos aquinhoados. De todas as figuras que lembro, desta época, que regulavam de idade comigo, a figura de Rejane é a que mais permanece na minha memória.
Rejane era uma menina forte, gordinha, de rosto grande, cabelos compridos, que morava no primeiro andar, em diagonal a meu apartamento. Na verdade, era(é) mais nova que eu, mas, quando dava, brincávamos juntas, ou de boneca, ou de amarelinha (que a gente chamava sapata), de passar o anel, de roda - quem brinca disso hoje?
O pai de Rejane era barbeiro, um homem enorme, quieto, que no final do dia ia para a janela da sala fumar seu cigarro. Seo Armindo. A mãe, dona Lourdes, era pequenininha, cabelo preto, andava ligeirinho, tinha uma voz quase sumida, e trabalhava na fábrica de cigarros Souza Cruz que ainda era aqui, na rua Marquês do Pombal. Rejane ficava sozinha depois de voltar da escola e, obediente, não descia do apartamento jamais.
Chegávamos a brincar juntas, ela da janela, eu na rua, diante do edifício.
Na Páscoa, Rejane ganhava um ninho grande, enfeitado, acrescido de mais ovos que uma tia, irmã da mãe, vinha lhe trazer. Então, ela punha o ninho na janela e, dia após dia, ia comendo, ali, seus chocolates, entre uma brincadeira, uma risada e uma briga de mentirinha. Ela na janela, uma rapunzel do século 20. Nós, na rua. No tempo em que se podia brincar até anoitecer, em frente das casas, até a hora do banho, do talco e do pijama, naquela vidinha de vila operária.
Feliz páscoa a todos, com belas e doces lembranças.
(foto Manu Schmidt)
Há assuntos tão penosos que a gente, na maior parte das vezes, prefere ignorar.

Gostei do comentário curto e grosso de um leitor do Figaro online postado abaixo da notícia publicada sobre a cópia roubada do filme X-Men Origin s: Wolverine: “normal”. É o que diz ange_sans_l, seja lá quem for, justificando: “se vocês fizessem filmes novos em vez de explorar até a náusea as licenças velhas como estas, isso não aconteceria. Se eu já tinha os comics de origem do X-men tenho direto para ver o filme, não? Então, não existe roubo”. Uma mentalidade cada vez mais comum desde que o acesso às tecnologias antes em mãos de poucos se democratizou mundo afora, particularmente na web.
A questão da pirataria ainda será revista, tenho certeza. Ontem, ouvi de uma colega jornalista uma explicação para a facilidade com que os produtos piratas (roupas, relógios, sapatos, bolsas, etc) se reproduzem e a repressão é infinitamente menor em relação ao crescimento do delito: os produtos piratas, em muitos casos, são produzidos pela empresa de origem em fábricas terceirizadas, largados para consumo nas ruas e alimentam, assim, o conhecedíssimo caixa 2. Na Itália, me contou ela, isso é admitido e reconhecido.
Confesso que não sabia desta notícia. Mas sei que o original de há muito deixou de sê-lo. Cada vez mais copiamos e copiamos e o esforço criativo termina, mesmo sem querer, se abastecendo no que já existe. Reciclamos e damos o nome de novo. Como acontece com esta nova produção a partir dos personagens dos quadrinhos que vazou para a internet esta semana. Basta entrar no site do filme (que continua, pateticamente, fazendo a contagem regressiva para a estréia em primeiro de maio, apesar de todas a cópias baixadas) para ver que pouco muda no roteiro de sempre. Mesmo os efeitos especiais terminam se repetindo.
Eu gosto destas viagens ficcionais em cima de personagens fantásticos. Não li os quadrinhos desta turma de seres estranhos da Marvel, surgidos em meados dos anos setenta do século passado. Certamente por estar recém-formada e ingressando na vida jornalística, em velhas redações com barulhentas máquinas de escrever e cercada de medo de um bicho-papão chamado censura por todos os lados. Talvez por isso, as versões cinematográficas não só dos X-Men mas também dos velhos Super Homem e Homem Aranha e tantos outros me surpreendam e divirtam.
Quanto ao fato de baixar produtos culturais sem pagar por eles, não é futuro: é presente. A troca de arquivos já existente vai se impor, mesmo que chiem autores, gravadoras e estúdios. A queda no lucro exorbitante que havia em geral, em especial para as entidades de direito autoral (razão de muito bate-boca, em especial no Brasil) é a causa maior da chamada “moralização”. Não a moralização em si, a partir da discussão do que pertence a quem na internet: o dinheiro é que manda, não me iludo.
Volto a bater na tecla em que já bati outras vezes: basta olhar os jornais, revistas e mesmo as versões online das publicações para ver que os releases são simplesmente recortados e colados. Raramente se vê uma edição, ou uma interpretação objetiva de uma notícia. Falta de tempo? Falta de interesse de quem escreve? Preguiça de redator e de editor? Ou simples realidade? A lamentar, acima de tudo, que se copiem textos, muitas vezes artigos de opinião, e ainda se assine embaixo, assumindo indevidamente uma autoria, isso sim, a meu ver, algo indecente.
Voltando ao vazamento do filme que conta a origem de Wolverine e suas garras afiadas: quem teclar download da produção vai encontrar esta explicação do Uncle Google: “Devido a uma queixa que recebemos de acordo com a lei americana Digital Millennium Copyright Act (Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital), 1 resultado(s) foram removidos desta página. Para ler a queixa DMCA que causou a remoção, acesse ChillingEffects.org.”
Não adianta nada. O remédio chegou tarde. A estas alturas, milhões já viram e estão passando adiante as caras e bocas de Hugh Jackman, por sinal com uma cara de cansado e tão enrugado que parece estar precisando, de fato, de um bom implantezinho de adamantium.
PS: Mas o corpinho (se não for de dublê, parece estar em forma. Pelo menos é o que mostra o Perez Hilton aqui, com a sequência de nus do moço)








