Author: maristela
•Sábado, Janeiro 31, 2009
Ah, os telhados de vidro!
Em especial, nas religiões.
Agora, tá a escola carioca de carnaval Porto da Pedra encurralada porque inventou de mostrar um período canalha da Igreja Católica em que muita gente morreu na fogueira (inclusive gato preto aos montes) sob acusação de bruxaria. E alguém disse: não pode. Igreja não!!!
O pior foi ter de pedir reconhecimento da Arquidiocese para poder botar o carro com aquela figura malévola de um bispo ou papa ou seja o que for apontando o dedinho para quem não se enquadrava nas regras da santa madre igreja.
Mas aí entra o telhado de vidro das religiões.
Muçulmanos com total desrespeito às mulheres, alegando que os homens podem ter várias esposas e alegando que a burka protege o mulherio da maldade! Maldade de quem? Dos homens, ora. 
Neopentencostais difamando todo e qualquer espiritualista, sem ao menos separar o cara que sacrifica um pobre animal indefeso em nome de um Deus primitivo que nem lhe pertence de um umbandista que fuma lá seu charutinho e bebe uma cana mas não mata bicho nenhum.
Espíritas que se acham o umbigo do mundo e que vivem esfregando na cara de quem sofre que, por exemplo, o filho morreu ao nascer porque, com certeza, era uma "prova" que pediu ou que compulsoriamente teve de cumprir por ter feito muito mal a alguém em outras vidas. Afe!
Hindus que permitem que gente de casta inferior passe fome e morra, mas não deixa tocar um dedo em uma vaca. 
Tudo radicalismo.
Se pegar uma por uma, cada religião tem seu ponto fraco. E quem tenta exercer um pensamento mais crítico, se rala direto. Perde as benesses dos deuses dos que se dizem enviados por eles para agir aqui na Terra.
Obviamente, tem gente boa no meio de tudo. 
Mas lembro de outro episódio, envolvendo carnaval e catolicismo, aquele do Cristo no monte de lixo criado por Joãosinho Trinta, que teve de ser coberto e desfilar assim, pela avenida.
No fundo, tudo é culpa de quem se abaixa para a tal autoridade religiosa que, num Estado laico, deveria se colocar em seu lugar. O medo, porém, sempre é mais forte e pelo sim pelo não, a turma não quer arriscar dar uma chegada nas labaredas, mesmo que viva um dia- a - dia de inferno muito pior aqui mesmo.
Já vi muita barbaridade em nome da fé, do amor ao próximo, da caridade, de Deus e das religiões e crenças. Todos nós já vimos, aliás.
Fora o mercantilismo que vem a reboque. E quem é a Igreja para reclamar de se expor no Carnaval, quando mantém altares em ouro e um Papa vaidoso tapado de tecidos caros e todas aquelas pedrarias???? Depois falam mal dos travecos!
Nessa, se igualam aos pastores que não têm a menor vergonha de subir no palco e vender orações e benefícios em troca de doações, sem falar no dízimo, e nas campanhas eventuais em que (e isso eu vi, ao vivo, ninguém me contou) um cara inteligente, carismático, quem sabe até, em grande parte, bem-intencionado, diz em alto e bom som que quem não pode dar um dinheiro bom e graúdo na tal Fogueira Santa que entregue o carro. Afinal, tem fé ou não tem? Pior: tem gente que dá carro, casa, tudo o que tem.
Me perdoem os que acreditam nisso e acham normal, uma prova de fé viva. Um dia, vou contar minha experiência de alguns meses numa das maiores igrejas neopentecostais do mundo. E também dos meus 40 anos de kardecismo. 
Fé raciocinada. Isso é que importa. O resto, é crendice e oportunismo, de lado a lado.
E a Passo da Pedra e seu carnavalesco que dêem uma banana pra padrecada e botem o bloco na rua. Depois dos escândalos de pedofilia revelados e admitidos pela tal Santa Sé (úi, que nojo!), seria melhor a turma da batina enfiar a viola no saco.


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Author: maristela
•Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Passeio pelo noticiário brasileiro e o Fórum Social Mundial tem destaque. Aquele fuzuê de sempre, só que agora em Belém, com direito a coreografia de nossos silvícolas para encantar ainda mais os estrangeiros que, com maior ou menor sinceridade, estão na reunião iniciada aqui em Porto Alegre bandereando o slogan “um outro mundo é possível”. Nunca acreditei no Fórum e nunca vou acreditar. Acho que é um Woodstock de uma ideologia cheia de ideais e pouca prática. Termina o acampamento, os namoros, a “integração” entre os povos, os coletivos, este monte de gueto que se junta para “mudar o planeta” e volta tudo ao que era antes.

Trabalhei com uma jornalista muito boa gente que vivia para o Fórum. Esperava por ele como quem espera pela chegada do filho mais amado, do amante mais especial. Ficava torcendo para ter “gente” em casa, como se não bastasse a pilha de familiares que se agrupava em seu humilde quarto e sala. O que importava era fazer parte, ser do Fórum, mesmo sem ouvir nada direito, sem participar de uma palestra inteira, em fazer maratona de uma barraca para outra ou de uma sala para outra para ouvir “autoridades” mundiais em qualquer assunto.

Agora, o povo está lá no Norte. Deslumbramento total num cenário que, de uma hora para outra, esqueceu da miséria nativa, dos conflitos, porque, claro, é cenário.

Queria muito saber o que um cara em especial faria se vivo e ativo estivesse nessa época de Fórum Social Mundial: Mohandas Gandhi, cuja morte está completando, neste 30 de janeiro, 61 anos. Um sujeito dazelite, que conseguiu estudar em Londres, tinha um carisma natural a ponto de agregar em torno dele até quem queria deixar de comer carne e virar vegetariano e, claro, era um líder de competência acima da média.

Bebeu na fonte de Henry Thoreau, cujas hoje em parte questionáveis regras de desobediência civil foram uma forma de protesto foram na época que era, na verdade, uma sementinha da sociedade globalizada que viria em seguida. Assim como Gandhi, tantos outros beberam da mesma água do autor de Walden.

Mas, enfim, eu falava de minha curiosidade em saber da reação de Gandhi diante do FSM que termina dia neste domingo. Imaginemos o velho miúdo, careca, teimosamente calmo (e, algumas vezes, paciente), desfilando com sua túnica, descalço, em meio aquela turba de garotos festeiros, de branquelos vindos de países sem sol espantados com tanta cor, de gente muiiiiiiiito desocupada, desempregada ou esperta demais a ponto de conseguir ou férias ou licença para tratar de fazer um outro mundo. De preferência na barraca ao lado.

Será que Gandhi acharia bonito? Será que andariam seguindo Gandhi ou o confundiriam com um hare krishna e lhe dariam um sorriso complacente do tipo “ih, sai tio alienado”? Será que o governo de Lula o cooptaria para ser uma espécie de porta-voz da candidatura da agora Dilminha Paz e Amor? E ele aceitaria?

Digressões da última sexta-feira do primeiro mês de 2009, numa Porto Alegre meio vazia, descarregando carros e mais carros na free way para os embalos de sábado à noite de Capão e Atlântida. E o novo mundo possível parece que está aí, no anúncio da queda do PIB do Grande Irmão do Norte, logo acima ali de Belém, onde a turma passeia, faz a terapia do abraço, canta e dança, reclama dos ricos, aplaude os índios, faz de conta que tolera os mendigos na rua e, depois, vai pra casa, cheio de fotos e mails para, quem sabe, um dia, mandar uma mensagem e falar sobre o exotismo deste país chamado Brazil.

 

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Author: maristela
•Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Mães, morram de inveja: recebi, hoje, um mail de meu filho que finaliza com uma poesia de Mario Quintana. O resto da história, a origem de tudo, não vou contar porque não é o principal. O principal é a sensação de renascimento, ao se receber, desta maneira, na manhã de uma terça-feira de verão, abrindo a caixa de correspondência eletrônica, um escrito deste velho que conheci ranzinza e que, no final da vida, letrinha trêmula, me mandou um pedido, num cartão, que guardo como a relíquia mais cara e preciosa que alguém pode receber em matéria de presente material.
Deixemos pra lá essa historieta também.
O que me deixa feliz, com renovadas esperanças (assim mesmo, escrevendo com este estilo pomposo, em vez de esperanças renovadas) é que, desde que ele era menininho de escola e , claro, tinha a obrigação de me estampar versinhos em cartões de aniversário, dia das mães, páscoa etc, meu filho quase trintão, músico e letrista, nunca, nunca, nunca, me mandou uma poesia.
Casualmente, tenho brincado com Betty, Yvonne, Odele, Luci e Grace, com quem converso todos os dias por mail, com uma expressão: simijeidirrí". E isso eu achava que tinha copiado do Mario. Não lembrava onde lera, mas sabia que um dia tinha marcado a página. E lá fui catar o original. 
Achei! Mas não era bem assim. Prá ver como todas as certezas são incertas hehehe.
A origem da minha palavra boba está no texto Filó, que integra seus Poemas para a Infância. Eis o texto:
"O negrinho Filó era um artista no pente. Naquele velho pente envolto em papel de seda, tirava tudo, de ouvido, desde a Canção do Soldado até La Donna è Mobile. A gente fica escutando, com orgulho e inveja. Pois nenhum de nós conseguia tocar pente. Dava-nos cócegas e, como dizia Gabriela, "a gente se agachava a sirri que não parava mais". Quando ele morreu, foi logo declarando a sua qualidade, para S. Pedro: 'Musgo!' " E S. Pedro lhe deu uma gatinha-de-boca. Uma linda gaitinha-de-boca! E até hoje ele vive explicando que não há nada como o pente...Mas o Céu é tão perfeito que na sua Filarmônica não existem instrumentos de emergência:um pente, lá, é um pente mesmo."

Já o poema que o Lou me mandou é este e ele endereçou assim:

Vai ai um poeminha do véio Quintana...

"E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro a passar.

Nada jamais continua,
Tudo  vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas."

Bj do filho que te ama!

Lou


Então, não é pra ficar muito besta mesmo?

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Author: maristela
•Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Laurent Mueller, presidente da Associação Européia Cuba Livre, assina um artigo muito informativo sobre Che Guevara no Le Figaro tendo como gancho a estréia do segundo episódio do filme de Steven Soderbergh que exalta as grandes qualidades do timoneiro da revolução cubana que hoje é figurinha carimbada em tudo que é boné de petista e, claro, no eternamente chato e picareta Fórum Social Mundial.

Laurent conta que Ernesto Guevara de la Serna tem entre seus ancestrais “um nobre próximo de Guilherme da Normandia e um vice-rei de Espanha, sujeito que foi um dos homens mais ricos da Argentina e um aventureiro “que fez fortuna na Califórnia durante a corrida do ouro”.

Parêntese meu: não me estranha aquele ar de nobre do charmoso Che. Sangue azul, hum! E a culpa, será coisa de reencarnação obrigatória para espiar estes crimes? Hem?Hem?

Bueno. Continuando o artigo: “O mito fez de Guevara um médico que teria abandonado sua profissão para libertar a América Latina. Na realidade, assim como seu pai fez com a Engenharia, Che nunca terminou seus estudos. Ao deixar, em definitivo, Buenos Aires, em julho de 1952, ele não tinha outro objetivo que não fosse viver uma aventura “. Isso incluía,  no início, ganhar uma grana legal na Venezuela e visitar a Europa e, por dois anos, vagabundeou com dinheiro mandado por papai e mamãe, ajuda de amigos e gente endinheirada que foi encontrando no caminho. Até chegar aos píncaros da glória (hehehe), o moçoilo bonitinho, em seus 31 anos, tinha feito uns biscates como fotógrafo ambulante e enfermeiro, entre otras cositas más.

Aquela vocação fantáaaaaaaaastica para revolucionário veio assim, num záz, quando encontrou Fidel Castro. Foi paixão imediata. Olhos nos olhos e Che já estava pegando em armas (!!!!), louco para derrubar Fulgêncio Batista. Aí vem a história do batizado do novo revolucionário, quando enfiou uma bala na cabeça de um camponês cubano chamado Eutimio Guerra, acusado de denunciar os barbudinhos que adoravam brincar no mato. Segundo Mueller, dali pra frente, foi facinho, facinho: virou comandante, o Che, passou a espalhar com maestria o terrorismo (sua divisa era “Em caso de dúvida, execute!”) em Sierra Maestra e na fortaleza de la Cabana. Supervisiionando tribunais encarregados de julgar e, claro, eliminar os contra-revolucionários.

Tão exemplar era, que usou os seus conhecimentos de medicina não terminados para torturar os presos, extraindo sangue dos condenados para “salvar os militantes feridos”. Bonito gesto, hem! E Fidel ainda tem a cara de pau de falar da tortura dos Estados Unidos depois do 11 de Setembro.

Já quando foi para a vidinha urbana, ganhando de presente a direção da indústria cubana e do Banco Nacional, diz Mueller, Che simplesmente aboliu as noções que chamava burguesas de empresa, produtividade e rentabilidade.

A economia cubana foi a pique, mas não importava que o povo passava fome: tinham se livrado de Batista, realmente um canalha. E Che, que adorava jogar para a torcida, era o foco central dos fotógrafos, trabalhando “duramente” nas usinas.  Tudo, segundo o articulista, dentro da proposta castrista de transformar os cubanos em espartanos legítimos, com consciência transformada.

Para mim, a velha balela dos ditadores em usar as massas para ganhar busto em praça pública como salvador da pátria.

Mas, enquanto fazia sua trajetória de homem novo, Che fez inimigos dentro das trincheiras, em especial comunistas da então gloriosa (hehehe) União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, muito emputecidos com as teses guevarianas que só davam em porcaria. Pois então: Che, que sonhava em colocar florzinhas na tumba de Stálin, se ferrou. Meteu os pés pelas mãos, chamou os soviéticos de cúmplices dos capitalistas na exploração dos países pobres  (que injustiça!!!!) e ganhou o que seu lindo nariz em pé estava pedindo: foi mandado embora por Castro, que com certeza já tinha descurtido aquela paixão estonteante pelo argentino.

Foi se enterrando mais e mais, chamou Castro de covarde, se enfiou no antigo Congo Belga e, com o rabicho no meio das pernocas, teve de voltar para a latinoamerica e se embrenhar na Bolívia, cujo partido comunista lhe deu uma banana.  Abandonado por todos, o aventureiro teve o fim por todos conhecidos e visto mundo afora, aquela imagem patética, o olho aberto, exposto aos fotógrafos, a esquerda caviar jurando que foi a CIA que fez o serviço, etc etc etc.

Mas, como o cara rendeu pra caramba como imagem, foi marqueteiro até depois de morto, eis aí mais um filme sobre Che, o gostosão do matinho cubano, vivido pelo Benício del Toro e aquela cara de quem ta sempre no baseado.

Tem quem ainda goste. Fidel, com certeza, quer esquecer a parceria.

Acho que todos se mereceram. E, oxalá, breve morra toda esta família Castro horrorosa, antiga, pobre de espírito e Cuba seja uma ilha realmente feliz. Quem sabe Barack Hussein Obama dá uma mãozinha e levanta o embargo e mata os Castro de susto, apressando o processo???

ps: a estrelinha da foto acima lembra alguma coisa?hmmmmmmmmmmmmmmm

 

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Author: maristela
•Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Mais uma vez, nos terrificamos diante de uma notícia de agressão de babá contra crianças. Foi o prato do dia servido em todos os almoços desta sexta-feira: a câmera escondida flagrando o que vizinhos já tinham denunciado e, pior, a vítima já tinha denunciado aos pais. Não dá para julgar quem sai para ganhar a vida e é obrigado a deixar seus filhos com estranhos confiando numa pretensa “humanidade” que, no fundo, se sabe que pode ser mais cruel do que qualquer bestialidade. Já são tantos os casos flagrados pela modernidade do olho eletrônico de uma digital, não só contra crianças sem problemas, como a do caso atual, mas contra doentes mentais e velhos, que não entendo é como quem deixa estranhos cuidando dos seus já não instala direto uma câmera nos primeiros dias.

Inquirida pelo repórter, a babá, olhando no monitor de TV as imagens de sua crueldade, nada disse. Pode até ir presa. Ou ir para um manicômio. E sair, depois, para prestar “serviços à comunidade” uma figura jurídica que considero um deboche, em algumas circunstâncias.

Mas, aí, a gente depara, com gente boa por todo lado, pessoas dedicadas a fazer o bem, longe de ser isso uma obrigação “cristã” ou “social”. Consciência? Espiritualidade? Que nome terá esta capacidade de vencer o lado ruim que existe em cada um e ir além, tentar levar bem-estar até a quem nem conhece?

Quando trouxe para casa uma vira-latas que pedia comida em frente à cantina da TVE (onde há um grupo, liderado pela Marisa, que cuida dos bichos mal-tratados daquele Morro de Santa Teresa que se refugiam no terreno da emissora) resolvi lhe dedicar um blog,  em forma de diário, dando-lhe voz. Pois não tem sido fácil minha vida com Docinho: mesmo encantadora, tão judiada foi que, apesar de todo nosso carinho, ela tem uma síndrome de abandono tão forte que faz com que se desespere e, claro, grite, lata e uive, sempre que me afasto.

Como há nove (eu disse NOVE) cachorros no prédio de onze apartamentos em que moro (incluindo uma imensa cadela Labrador que, mesmo dócil, late e fica zangada como qualquer um de sua espécie) seria de se esperar que o choro de Docinho não perturbasse tanto os vizinhos com quem convivo há 14 anos. No entanto, dias antes do Natal, eu fui premiada com um bilhete anônimo ameaçador sob minha porta, reclamando do choro de Dodô. Temendo qualquer coisa contra ela (sim, sei de gente que, incomodada com o gato que mora ao lado, passou um produto no chão do corredor do edifício que detonou um processo de convulsões no animal) mandei Dodô para uma Ong,  por 15 dias. E fui relatando esta nova experiência de Dodô (e nossa) no seu blog.

Recebi vários comentários, entre eles o de Luisa B, que vive no Aveiro, em Portugal. Ela tem um blog que se chama Os Aspergers são Incompreendidos. Ela chegou ao blog da Dodô porque seu filho ama gatos e, em sua quinta, ela tem um monte de felinos que foram recolhendo das ruas.

Confesso que não sabia o que era a síndrome de asperger e hoje, lendo os textos desta mãe muitas vezes desesperada e revoltada com o que fazem com seu filho, não consigo nem mesmo ficar estupefata com a ação da babá baiana hoje divulgada. Pior, mesmo, é ter de ver um filho ser tratado mal na rua, na escola, nos shoppings, porque é diferente, e não suporta um olhar nos olhos, por exemplo.

O nome do menino de Luisa é Bruno e, no blog, além de textos escolares dele sobre diferentes temas, há um auto-retrato feito há dois anos, quando tinha 12 anos. Luisa briga com força e coragem contra o preconceito. Joga para o mundo seu inconformismo não com o fato de ter um filho autista, mas com a ignorância e a maldade em especial de quem deveria ter maior compreensão sobre o assunto: os educadores. Sim: há professores que não têm nem paciência nem carinho para com quem é diferente, mesmo sendo capacitado para aprender.

Tenho, também, uma prima-irmã que é mãe de dois meninos que têm lesão cerebral, o mais velho, Gabriel, já com 18 anos, e o mais jovem, que é esperto e um verdadeiro comediante, chamado, João, com 15 anos. Isabel, minha prima, já tentou deixar João em escola dita “normal”, mas desistiu, cansou de tanto lutar, porque não há o menor preparo dos professores para integrar os especiais aos demais da turma.

Mundo miserável, esse, em que babás batem em crianças, doentes e velhos e em que aspies e portadores de deficiências são discriminados. Ao mesmo tempo, mundo maravilhoso que conta com mães bravas, indômitas, que brigam por seus filhos e, por tabela, pelos filhos alheios discriminados, divulgando sua guerra santa. Bendito mundo da internet e seus blogs que ajudam a gente a saber que a vida vai bem além dos nossos problemas cotidianos e pequenos.



*Texto produzido originalmente para o site Coletiva
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•Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
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•Segunda-feira, Janeiro 19, 2009



O Rio de Janeiro, ou o Estado da Guanabara da minha infância no subúrbio era o que me chegava nas fotos coloridas das revistas O Cruzeiro que meu pai ganhava, de uma "freguesa" da sapataria. Eram recortes, na verdade, de um Estado e de uma cidade que também me chegava nos parcos gibis que o dinheiro curto permitia comprar do Zé Carioca e, claro, nos filmes de Carmen Miranda, Oscarito e Grande Otelo que o Cinema Itinerante do Serviço Social da Indústria projetava nas paredes laterais dos edifícios do IAPI, do ladinho de onde eu morava.
O Rio era, então, uma quase abstração, com suas praias, aquele desenho em preto e branco ondulado da avenida na beira da praia, o Carnaval que o povo daqui tentava porque tentava imitar e ainda as "figurinhas de passar"(como a gente chamava os decalcos) que eu colava nos cadernos do meu curso primário no Grupo Escolar Gonçalves Dias.
Um dia, minha mãe me levou ao cinema para ver Orfeu da Conceição e tivemos de sair antes do fim tanto eu chorei apavorada com a figura vestida de caveira que o diretor escolhera para personificar o destino dos amantes criados por Vinícius de Morais.
Mas na Cruzeiro eu adorava O Amigo da Onça, lia David Nasser e Vão Gôgo que, muitos anos depois de minha meninice, se revelaria Millôr Fernandes.
Pois hoje tem duas coisas importantíssimas acontecendo neste mundo de meu Deus.
O aniversário de São Sebastião, eleito padroeiro do Rio para agradar a realeza portuguesa e seu herdeiro, devoto do santo a ponto de ter seu nome, e a posse de Barack Obama.

São Sebastião, para mim que nunca fui católica e nada entendo de santo, aprendi agora que foi um mártir do cristianismo, um legionário convertido. Tenho simpatia por ele porque acho um santo menos assexuado do que os outros - portanto, mais humano, e tenho especial predileção por aquela representação dele que aparece no clipe do R.E.M. do Losing my Religion.
Acho bonito demais que coincidam estes dois fatos - o aniversário (ok, estabelecido pela Igreja, sabe-se lá se é de verdade) do santo e, por conseguinte, do Rio, e a posse de Barack Hussein Obama na terra em que, não faz muito, negros eram queimados dentro de suas igrejas pelo simples fato de serem negros.

Esqueçamos as tristezas. Ainda não pude conhecer os Estados Unidos, nem Washington que minha filha preferiu à Nova Iorque, mas o Rio pude conferir, mais de uma vez, depois de adulta, casada e, posteriormente, divorciada.
Foi, é e continuará sendo um lugar mágico, lindo, absurdamente desenhado e que só encontra similaridade na geografia do Espírito Santo, que também conheço e admiro.
Sei que vi muito pouco do Rio, de suas praias, seu centro histórico, suas pessoas. E claro que vou ali voltar. Sonho, aliás, em retornar ao Rio levando minha mãe e meu pai que nunca passaram de Camboriú, no norte de Santa Catarina, e muito sonharam em ir até a terra abençoada por Sebastião.
Quem sabe um dia vamos?
Esta terça feira é um dia especial, portanto. E estes escrevinhados vão como homenagem especial à Betty e a Yvonne, defensoras de sua terra, e a todos os cariocas de nascença ou de adoção deste capricho da natureza e dos deuses que nem os malfeitores conseguem destruir.
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Author: maristela
•Domingo, Janeiro 18, 2009

Fui ver a adaptação que Brad Pitt estrela do curto conto de Scott Fitzgerald The Curious Case Of Benjamin Button - um conto ao estilo que, depois, se enquadraria no gênero do fantástico, que focaliza um homem que nasce com 80 anos e vai remoçando até, obviamente, morrer.
O Curioso Caso de Benjamin Button está cheio de elogios no tal mundinho cinematográfico, entre críticos e aficionados, por suas qualidades técnicas e estéticas.
A história nasceu da cabeça genial do autor de O Grande Gatsby nos anos 20 e, para a telona, depois de andar peregrinando, como argumento e roteiro, por alguns anos, está aí integrando a narrativa com um fato bem recente que é a chegada do furacão Katrina a Nova Orleans, onde se passa a ação.
Não quero fazer comentário à la crítico de cinema, não me interessa este lado. Me encantou muito, mas muito mesmo, o universo em que a história em si acontece: o mundo dos velhos.
Benjamin, que fica órfão da mãe pouco depois de nascer, é abandonado pelo pai num asilo de velhos no ano de 1918, quando o mundo comemorava o fim da chamada Primeira Guerra Mundial. Ele é um monstro que deve morrer logo, já que tem, pela avaliação médica, 80 anos e todas as doenças que, na época, matavam um homem nesta idade. Mas vive, e sua vida se desenvolve entre velhos que vão morrendo enquanto ele vai acompanhando o misterioso relógio incluído na narrativa - um relógio que anda para trás, construído por um homem inconformado com a morte do filho durante a guerra.
Não há lugar para choramelas no filme, nem na história.Não no sentido do pieguismo - claro que emociona (e acrescentei esta frase aqui depois do comentário que veio há pouco), mas como a direção é segura e os atores são "cancheiros", não existe uma apelação sentimental, apesar da tristeza implícita da situação. Mas também não há lugar para ao menos a gente se deslumbrar com a mais remota chance de viver ao contrário, ficando jovem em vez de senil. Tudo desemboca na nossa não-perenidade material.
O castigo, diz lá pelas tantas, de toda pessoa, é perder aqueles que ama. 
É da lei da vida. Aprendemos ou somos ensinados a amar pessoas, situações, ideais, animais, coisas. E sabemos que, cedo ou tarde, eles se vão.
Mesmo assim, só os esquizofrênicos não amam. E assim mesmo não por que não querem, mas porque não conseguem. 
Sofremos sempre. Quando crianças, por medo de perder o amor da mãe e do pai, ou, pior, os próprios.
Adolescentes, diante da perda de uma amizade infinita ou um primeiro amor.
Adultos, trememos com a ameaça de um olhar para o lado do objeto de nosso interesse e com o primeiro espirro de um filho ou até com a lista de demissão que ainda é boato no emprego.
Perdemos a cada minuto tudo o que ganhamos. Corremos atrás de novo, para recuperar, para tentar conquistar outras coisas, outras pessoas. Nos frustramos, mas engatamos a primeira e lá vamos de novo. 
Agnóstico ou religioso, não tem jeito: todo mundo anda neste ganha perde ganha de cada dia e assim foi feito o mundo e assim sempre será.
O filme merece ser revisto. E o farei. Se Brad Pitt está bem? Muito, como ator, lindinho como sempre (embora não seja meu tipo, portanto Angelina pode ficar descansada) e convincente.
Não é o filme em si que faz com que eu tenha certeza de que devo revê-lo. É a vida.
Meu pai em seus 80 anos inventou ontem que um dia ele teve um tambo de leite. Minha mãe, hoje, contou isso rindo, mas disse que ficou muito chocada, ontem, com a absoluta convicção dele a respeito do tal tambo de leite, cujo endereço também indicou.
Comentamos no almoço domingueiro, ele riu muito. E confirmou, embora, claro, vendo que a gente estava evidenciando sua atrapalhação de memória, emendou que na verdade queria falar da sapataria e que levavam leite do tambo para ele lá.
Fosse outro dia, agora eu estaria chorando em casa, lamentando o Alzheimer que está, hora a hora, levando meu pai. 
Mas vi a história de Benjamin e estou serena: meu pai está rejuvenescendo! A ponto de reinventar sua história.
E acho que é o que os velhos desmemoriados, que cruelmente a medicina chama de dementes, fazem: se reinventam, anexando desejos não realizados, imagens coladas de algum noticiário ou conversa, vivências alheias até, em sua própria história.
Agora, vou tentar saber mais detalhes do tambo de leite do seo Waldemar.  Vai que a gente tem um mesmo, cheio de vaquinha holandesa, com pasto verdinho e uma figueira para elas descansarem durante o dia e nem sabemos!
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Author: maristela
•Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Fim de semana leva a duas coisas: ou programação festiva, aquilo que quebra a rotina dos chamados dias úteis, ou então uma chance para ficar só de pernas pro ar, vendo tv, ouvindo música, lendo um bom livro ou até jornais e revistas acumuladas numa pilha, com a devida atenção.
Curtir a vida, pra mim, está nisso também. E em evocar momentos passados.
Nada de nostalgia, não é isso.
Mas puxar alguns quadros que a gente mesmo foi ajudando a pintar.
Ontem, em especial, lembrei de uma época determinada da minha vida em que meus dois filhos tinham entre seis e um ano de idade.
Eu recém saíra de uma casa lindinha, na Zona Sul de Porto Alegre, à beira do rio do qual nunca pude usufruir por causa da poluição da água e da frequência de marginais. 
Eram os anos 80, do século passado. Não é tragicômico falar em século passado?
Mas eram. 
Lembro cenas assim:
- eu, sentada na casa alugada (porque perdêramos a nossa, própria, porque a empresa jornalística em que eu e o pai dos meninos trabalhávamos quebrou), a Manu com seus cachos dourados, um ano de idade, dormindo no meu colo, enquanto eu entrevistava mais uma candidata a doméstica; Fred e Morena, meus pastor alemão e belga, no pátio de pedra que a gente tinha de lavar três vezes ou mais por dia;
- Lou indo para a escola, pela primeira vez, Manu no meu colo. A ansiedade dele, suado, com uniforme novinho em folha, chegando no imenso colégio, de área verde que eles chamavam O Elo Perdido, o parquinho em que a mana adorava ficar brincando depois que dava o sinal e os alunos iam para suas salas.
- uma ida ao Pampa Safari, Manu toda com um conjunto de tricô rosa salmão que eu mesma fiz, fazendo pose para as fotos, apavorada e encantada com o hipopótamo e sua bocarra, Lou absolutamente encharcado de suor por tanta correria, parecendo um cachorro que fugiu da corda
- nós quatro e me pai e minha mãe numa cidade próxima, de colonização alemã, e Lou com um capacete verde e pedaço de madeira encontrado ao acaso,  fazendo de conta que era revólver porque a mãe neura aqui não permitia que ele brincasse com arma, sua figura cômica deitada atrás de um pé de azaléa rosa, meu pai rindo e gritando: Fritz, sai daí. E ele parecia mesmo um arremedo de soldado alemão, daqueles das séries cômicas de tv antiga
- Manu e minha mãe sentadas nas cadeirinhas coloridas diante da mesinha de criança que ela ganhou, brincando com massinha de modelar, as duas concentradas criando bonecos, móveis, panelinhas
- Lou nas aulas de judô, contando até dez em japonês, rolando no tatame, o professor mandando as mães saírem da sala porque cada tombo era um ái, cuidado, meu filho
- As tardes na pracinha do  Colégio Americano, com Manu brincando na caixa de areia, sem saber que a gente curtia a dor de saber da tia querida, Helga, que mal ganhara Sibila e já tinha os dias contados, com um câncer de suprarenal que a levou aos 33 anos, deixando uma bebezinha de 40 dias
- a casa inteira empacotada para a mudança que nunca aconteceria para a cidade paranaense de Cascavel, onde já tínhamos casa alugada, colégio à espera, emprego garantido para mim também num jornal local, sonhos de prosperidade que nunca se cumpriram
- Lou vestido de Homem Aranha, inclusive a máscara, em pleno verão, com a capa esvoejando pela casa e Manu gritando de medo, porque na época tinha medo até da própria sombra
- Tardes de inverno, agulhas e lã, blusões, casacos, mantas, brotando das minhas mãos com rapidez absurda, jornalismo abandonado temporariamente, vida de mãe e dona de casa, pouca grana mas sem estresse
- O toca-discos ligado e Manu cantando músicas da Arca de Noé, batendo palmas, dançando
Imagens. Saudades. Memória que ninguém me tira.



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Author: maristela
•Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

O sujeito matou quatro pessoas inocentes a sangue frio, PELAS COSTAS. Em nome de uma ideologia, podre, como quase todas.
Mas Tarso Genro, ministro da Justiça do meu Brasil, acha que isso não conta.
E resolveu dar asilo para Cesare Battisti.
A Itália inteira ficou de bunda caída com o que aconteceu aqui. Cesare Battisti está livre da mão da justiça italiana. Não poderá ser extraditado. Vai continuar gozando das mordomias do presídio brasileiro em que está.
Eu não me surpreendo.
Não com Tarso.
Quando foi prefeito de Porto Alegre, obviamente pelo PT, o também político, que integrava um dos maiores escritórios advocacia de Porto Alegre, se mostrou até um humanista e chegou a entusiasmar muita gente: foi sob sua administração que surgiu o I Porto Alegre em Cena, que trouxe o mundo externo das artes cênicas para Porto Alegre e cuja primeira divulgação eu coordenei. Um megaevento, que colocou esta província no mapa cultural nacional e, vá lá, internacional, graças ao qual também fui expurgada do teatro gaúcho porque ousei apontar para Tarso e para a então secretária da Cultura local, Margarete Moraes, os muitos furos do primeiro evento.
Não obtive qualquer resposta do prefeito ou de seus assessores, na época, para meu gesto de honestidade. Ao contrário. Quiseram me comprar com uma cesta de flores.
Botei a boca no trombone no programa de rádio que eu tinha na época e se chamava Em Cena, o Teatro no Rádio. Nem uma manifestação - o documento foi devidamente protocolado na prefeitura. Deve ter sido queimado.
Passou, passado.

Mas precisei contar isso para embasar a minha indignação pelo gesto de Tarso acolhendo o criminoso italiano que escapou da Itália e virou escritor na França.
E o ministro da Justiça ainda teve o peito de dizer, na televisão, que não se pode julgar o cara tendo por base a realidade de hoje e sim levar em conta a época em que ocorreram as ações do grupo esquerdista de Battisti.
Como se assassinato tivesse justificativa em tempo de guerra ou de paz. Quer dizer que criticar Israel, tortura contra prisioneiros iraquianos etc pode? Mas esquerdista assassino não!

Me envergonha profundamente o gesto de Tarso, um ativista da legítima gauche caviar, adepto do terno bem cortado e da boa mesa, um antípoda de seu cumpanhêro de partido Olívio Dutra, grosso como seus bigodes.
Outra historinha: um dia, fui entrevistar Olívio para o Jornal do Comércio, durante a Feira do Livro. Ele estava sentado à uma mesa de um bistrô com meia dúzia de aspones e amigos, homens públicos, e tinha um copo de uísque na mão. Estava já bem relaxado, por sinal.
Cheguei educadamente, profissionalmente, com minha pauta, o cumprimentei e lhe fiz a pergunta, coisa rápida, uma enquete que saía diariamente no caderno da cultura do jornal. Resposta do bigodudo (cuja equipe, mais tarde, à frente do Governo do Estado, detonou com o mobiliário, carpetes e até vaso sanitário da ala residencial do Palácio Piratini - e isso EU vi com meus olhos): "Mas como? A senhora vem me perturbar? Não vê que o prefeito está descansando?"
Jamais vou esquecer da expressão debochada dele, da certeza de seu poder e de minha insignificância, do riso dos puxa-sacos que o acompanhavam.
Me desculpei, guardei caderno e caneta, afinal, noblesse oblige, e já ia saindo com o rabo entre as pernas quando sua assessora de imprensa, que tinha sido minha colega em redação de jornal e é uma excelente pessoa, veio em meu socorro. "Convenceu" o chefe a me atender. E Olívio e toda a mesa da cumpanherada alegre, entre cervejas e uísques, me saudou alegremente, porque afinal fui entronizada no grupo. E o ilustre prefeito se dignou a dar a resposta para minha pauta.
Recordo tudo isso porque estou ficando de novo muito, muito, muito enojada com esta gentalha deste governo que anda por aí distribuindo desculpas e dinheiro público em nome da justiça e para reparar danos da época do regime militar.
Me enojou ver a família de Jango aceitando dinheiro (como se dele precisasse) em reparo ao que lhe foi feito - sua deposição.
Me enojou e enoja ver coleguinhas de imprensa, hoje até escritores de certo sucesso, cobrando seu quinhão por uma certa "tortura moral" quando sei de gente que ficou surda e sem memória nas torturas dos porões e quase nada recebeu.
Uma discrepância, uma justiça feita sem justiça, desigual, vingativa e para apaniguados.
Agora, vem esta história de Battisti, que tem vários defensores por aí e alega estar há 30 anos vivendo como cidadão honesto. Ou seja: para ele, foi um erro de juventude, matou faz tempo, não tem mais problema, virou inocente.
Que vergonha, Tarso Genro! Até Mino Carta, eterno defensor de Lula, deste governo e do PT, se escandalizou.
Mas, pensando bem, num país de um José Dirceu, que ao voltar do exílio fez plástica, mudou de identidade, casou-se com uma moça, fez família e não contou nem para a esposa quem era, não dá para estranhar o asilo concedido a este assassino.
E ainda tem o Gilmar Mendes querendo soltar Marcos Valério!
É uma canalhice em cima da outra.
Pobre Brasil.
Espero que Lula honre suas calças e aja. 
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Author: maristela
•Domingo, Janeiro 11, 2009


Recebi um presente muito legal do meu filho, neste final de domingo: a edição de uma reportagem que o programa Pandorga, da TVE do Rio Grande do Sul, fez quando eu lá trabalhava como assessora de imprensa e recém havia levado a Docinho para casa.
Este vídeo mostra a minha cara de desdormida porque, afinal, Dodô estava recém-parida e havia seis pimpolhos fervendo no apartamento. E a vida seguia normal, todo mundo saindo pra trabalhar, obviamente eu incluída.
Não me arrependo um segundo de ter adotado esta sem-teto canina que vale mais que um milhão de pessoas sem caráter como os deste edifício em que moro que tanto fizeram que terminei tendo de enviar Dodô para um retiro. Tenho uma teoria: como há 11 apartamentos aqui e 9 cães, todos de raça, a implicância não foi com o choro ou com os eventuais latidos de Docinho e sim com o fato de ela ser vira-latas.
Mas, como tenho dito por aqui, um dia a cobrança vem.
Houve muita agressão a mim e a ela. O estresse ficou incontrolável porque, como uma cadela esperta, ela sabia que tinha carga pesada em cima da gente. E cada vez que eu saía de casa, ela ficava desesperada.
Como este é um edifício de raras exceções de gente de caráter, o clima ficou insuportável, culminando no dia em que encontrei o tal bilhete anônimo exigindo "providências" porque eram 11 da noite e meus cães ainda estavam latindo na porta.
A balbúrdia geral, as festinhas regadas a muito mais que cerveja de certos adolescentes do edifício, a bateria instalada sobre o quarto de minha filha e que por mais de dez anos fazia tremer todo nosso apartamento (e que era tocada até na madrugada, nas brincadeiras do "músico"), a falsidade de quem vinha com endereços de milagreiros do comportamento animal que podiam fazer Dodô se comportar, isso tudo fica no saco das injustiças que eu não posso reparar mas alguma força, estou certa, o fará.
Deixo este vídeo para vocês verem o quanto amo este bichinho e como a recíproca é verdadeira.
Quem não gosta de cachorro, ok, nem precisa se manifestar, porque vou deletar os comentários aqui e no youtube.
Mas os cachorreiros são bem-vindos, claro.
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Author: maristela
•Sábado, Janeiro 10, 2009
Deixo, para o final de semana, esta notícia e este vídeo, que achei uma maravilha.
Li no G1 sobre o gato que invadiu um estúdio de tv no momento em que o moço do tempo falava sobre o clima e coisas a fim.
Olhem a expressão do gato no colo do cara, chamado Jörg Kachelmann, um suíço. E o profissionalismo e carinho do sujeito, que foi até o fim com o bichano como se ele fizesse parte do quadro!
Que cada um de nós aprenda com este vídeo a ter jogo de cintura, espontaneidade e principalmente tolerância.
Com os animais e com as pessoas.
Eu, inclusive, que continuo sendo testada em minha paciência a cada momento e estou com uma puta saudade da Dodô, que tive que tirar de circulação daqui do prédio por causa de gente má.
Mas, nada como um dia após o outro.
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Author: maristela
•Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Vou trazer pra cá um tema que tem blog próprio: a Dodô.
Para quem não sabe, Dodô é uma moça fina, que eu trouxe para minha casa em 2006 e me deu seis lindos netos de todas as pelagens e cores.
Quem quiser saber bem da vida dela, pode ir lá no diário virtual que criei em homenagem a esta brava cadelinha sem raça definida, vira-latas das boas, que sobreviveu no morro, numa das áreas mais escancaradamente divididas social e economicamente de Porto Alegre (Morro Santa Tereza), em que chiques condomínios horizontais convivem com favela, trabalhadores com traficantes, usuários endinheirados dos traficantes com gente que nunca soube o que é canabis na vida.
Conhecem este filme?
Então!
Pois Docinho está comigo desde 2006, veio barriguda pra este edifício onde hoje há 9 cachorros, desde labrador até linguicinha. Mas Docinho, como fina moça de morro, gosta de botar a goela no mundo e se apegou demais comigo. Não posso sair de casa que ela não chora: ela urra.
E, claro, mesmo que os outros gritem, latam, uivem, a viralatas é ela. E a ela se dirigiu toda a ira dos finos habitantes deste chiquetésimo prédio (claro que há exceções entre os moradores, como em tudo na vida).
Encurtando a historinha: com pais de 80 anos e minha mãe recém começando um sério tratamento cardiológico, com o filhote de Dodô, Occhi, tratando uma lesão hepática causada pelo uso do Gardenal para suas convulsões, com filha encerrando faculdade em época de TCC, enfim, estas coisas banais da vida, tive de tomar uma medida drástica. Que também foi motivada pelo bilhete anônimo de um alguém (ou seria ninguém???) que se assinou "um morador" do edifício em que vivo há 14 anos deixou sob minha porta exigindo "providências" por causa do choro de Docinho até 23h.
Sei quem é o pobre-diabo e ele, um dia, com certeza, será pego pela Justiça Divina na qual acredito acima de qualquer outra deste mundo. Aliás, já começou a pagar e nem notou.
O problema é que, com o climão cada vez pior, a pobre da cachorra também entrou em paranóia e antes que eu a fizesse sofrer mais do que no tempo em que ela comia rato morto no morro, resolvi aceitar uma sugestão e enviá-la para um hotelzinho.
Não é um hotelzinho qualquer. É de uma Ong que recolhe e cuida de bichos abandonados e se chama Duas Mãos Quatro Patas.
Tocada por malucos abençoados que se preocupam com estes filhos de Deus tratados da pior forma possível por estes que se dizem humanos, esta organização acolhe cães de gente que sai de férias e, no meu caso, precisa de um abrigo momentâneo por alguma razão, para ajudar a fazer caixa e, enfim, poder curar, castrar, dar ajuda a em especial cães sem dono e carinho.
Dodô foi pra lá, pelas mãos de Rejane, que cuida, com Daniel, de cento e tantos cães.
Hoje, recebi mais notícias: a danada não pode ver nenhum empregado sentando que logo se joga no colo, bem faceira.
Usualmente machona aqui na área, provocando até rottweiller, lá ela não brigou com nenhum cachorro. Ao contrário, está uma lady.
Conto tudo isso para dizer que as vezes, por amor, é preciso se separar de alguém.
Dar espaço.
Arejar.
É isso.
Dodô tá fazendo falta.
Mas sei que está feliz lá, com Rejane e a cachorrada e deve voltar mais serena.
Quem sabe eu arrumo uma ong pra me acolher também e me fazer voltar mais serena pra casa????
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Author: maristela
•Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
Como é difícil falar de um filho que morre antes de um pai, de uma mãe. A gente sempre diz, não é natural. O natural é a ordem de predecência, ora: o mais velho antes.
Afinal, já viveu, teve sua chance de ser feliz, de deixar sementes.
Falo isso depois de entrar no site do John Travolta e ver sua nota, certamente redigida com ajuda ou direto por assessoria de imprensa, sobre a morte do filho de 16 anos, Jett.
Uma morte anunciada, já que a doença do garoto fazia antever que a vida seria curta e, acho, penosa, para o garoto.
Esta semana também soube de um jovem amigo de minha filha cujo bebê, tão ansiosamente esperado, viveu poucas horas nestes primeiros dias de 2009. Tristeza que não tem consolação.
E penso em tantas crianças que estão indo lá em Gaza, diante dos olhos dos pais, vítimas de suas intolerâncias e crenças irracionais em seus deuses vingativos e sem piedade. Penso nos nossos milhões de natimortos e de todas as idades da infância dos becos imundos deste Brasil. Penso nos soropositivos da África que vão nascendo e tombando como cartas de um baralho a que ninguém dá valor.
Assim como Steve Jobs, esta semana, exibiu ao mundo que não há fama, poder ou riqueza que garanta saúde e vida longa, o garoto Travolta se vai parecendo nos alertar que somos mais frágeis que uma formiga e ao mesmo tempo temos a centelha de todas as estrelas dentro de nós.
Pena que, no dia a dia, não consigamos ser serenos e lúcidos o suficiente para avaliar a fugacidade deste instante em que passamos por este planetinha perdido no espaço. E nos permitir ao menos ter mais momentos de alegria uns com os outros.
Pobre Travolta pai. Pobres pais que passam pelo que ele está passando.
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Author: maristela
•Terça-feira, Janeiro 06, 2009


Tem descobertas fundamentais na vida (que frase original, hem?).
Uma delas é que a família da gente pode estar fora do núcleo digamos "de sangue" e que encontramos, muitas vezes, mais compreensão, valorização e mesmo amor e carinho em gente que está a milhas de distância do que junto aos que, pelas "leis naturais" dividiram anos a nosso lado.
Esta é uma descoberta que abre caminhos no infinito, ao mesmo tempo que pode cavar fundos poços de dor e tristeza, por mostrar que nos enganamos jogando expectativas excessivas.
Porém, tudo isso é do jogo que é a vida.
Jogamos, queremos acertar as apostas. Nem sempre dá.
Temos essa mania do bando, de achar que o todo é uma glorificação do individual.
Erro besta: o indivíduo é só.
Faz alianças, tenta viver em grupo, tenta estabelecer laços. Mas nasce e morre sozinho.
Aprendi isso com um jovem, há pouco. Alguém que eu achava que conhecia muito bem, há quase 30 anos.
Ele me mostrou que a vida é um grande circo de marketing e que o legal é tentar fazer todo mundo feliz. O resto, é perda de tempo.
Então, fico eu com minha idealização perdida e ele com sua filosofia pessoal.
Assim é a vida.
Um dia, um de nós vai acordar e ver que não era nada disso.
Ou comprovar sua verdade.
Joguei a toalha.
Que seja como tem de ser.
Tenho mais o que fazer. E tem dois velhinhos de 80 anos que dedicaram boa parte de sua vida a me ajudar a criar minha prole que merecem toda minha atenção.
Quem tem olhos de olhar, veja
Quem tem ouvidos de ouvir, ouça
etc etc etc
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Author: maristela
•Segunda-feira, Janeiro 05, 2009


Steve Jobs abriu o jogo que vinha tentando esconder faz tempo mas que sua imagem, magra demais, pálida demais, revelava: está realmente doente. Acho que o mundo deve muito a Steve Jobs pela Apple, assim como deve a Bill Gates por ter criado a Microsoft.
O que seria de nós sem estes caras?
Fico triste por ver Jobs, um gênio, estar tão fragilizado e mais: não poder participar da festa dos novos lançamentos de sua Maçã nesta terça-feira, logo ele, que, com seu eterno jeans com blusa preta, era sempre a figura central do grande marketing esperado por quem já não vive sem computador e sem internet.
Leio na coluna do Pisani, Transnets, no Le Monde, um artigo cheio de sensibilidade da qual reproduzo aqui, traduzida livremente, esta frase que me parece a principal:
"Cruzemos os dedos".
Jobs teve a coragem de, mesmo arriscando ver despencar, neste mundo dinheirista e canalha, o valor das ações de sua empresa, falar honestamente de sua doença e da causa de seu brutal emagrecimento, como enfatiza Pisani.
A carta aberta do homem tido como irrascível de tão exigente com seus funcionários merece o respeito de todos.
Não é fácil estar doente e ter de escancarar suas chagas. Se, para o comum dos mortais isso é como ficar pelado diante de estranhos, para alguém que se fez graças ao racional e ao intelecto, imagino ser um martírio, uma mostra de impotência diante da vida: nem fama, nem dinheiro, nada serviu para evitar o que lhe ocorreu.
Um simples e banal desequilíbrio hormonal está tirando do palco um cara que fez tremer Silicon Valley!
Gostei da frase final da carta-confissão de Jobs, sobre sua doença: "So now I’ve said more than I wanted to say, and all that I am going to say, about this. Steve."
Nada de muita informação, nada de passional. No jeito de Jobs.
E fico eu, cá com meus botões, pensando no que tenho escrito, nos últimos tempos, sobre as doenças de meus velhos pais e no susto que ainda não contei sobre o infarto que tia Bina, minha amada tia, irmã de meu pai, teve na véspera do Ano Novo.
Nos deixou loucos mas três dias depois me telefonou e disse: "Minha rica filha, que susto. Mas tô louca pra reunir todo mundo numa festa bem grande, no aniversário da Lourdes".
Lourdes é outra irmã de meu pai, que tem diabetes, já tem as duas pernas amputadas e é outra campeã de alto-astral.
Tudo meus Steve Jobs da vida.
Viva eles!
Jobs, Bina, Lourdes, Waldemar, Luci e tantos outros que, feitos de carne e osso, levam rasteiras da vida, de doenças, de canseiras de coração e de mente. Mas continuam aí, mostrando que importa resistir.


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Author: maristela
•Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

Ah, gente, como eu queria estar neste lugar desta foto que o Bento colocou no blog dele e que eu peguei desavergonhadamente, sem pedir licença.
Queria lá estar, não sozinha, mas com minha mãe em especial, ela que ama os bucolismos, a natureza, que sabe apreciar cada veiozinho de uma folha por mais banal que seja de uma planta qualquer de beira de estrada.
Acabo de chegar da casa dos meus velhos, repetindo o que fiz ontem.
É bom este reaconchego. Mas tem suas dores também.
Entrei na garagem para onde meu pai transferiu sua sapataria depois dos primeiros AVCs e onde trabalhou até o início de 2008, quando voltou a ser atacado pela falta de saúde.
Minha mãe quis pegar a mangueira para dar uma rápida molhada em seus pés de azaléa, de framboesa (que nasceu por mistério!!!) e outras plantinhas que ela ama. Quando estávamos as duas enrolando a mangueira, fechando a água e nos preparando para trancar aquele pedaço de memória que nunca vou esquecer, eu disse: "não vejo a hora de mandar tudo isso em frente, doar para alguém, quem vai querer comprar?"
E ela, conformada: "deixa assim, minha filha. Eu também não consigo entrar aqui sem sentir tristeza. Há algumas semanas vim aqui, lavei tudo, tirei pó das prateleiras e quis botar fora estes vidros de tinta seca que estão na mesa, mas teu pai pediu pra deixar. Então, deixa aí".
Pois é.
Como é que um lugar tão insalubre, tão triste, de tanto esforço físico e pouco dinheiro, feio e sem graça, pode me tocar tanto? E doer? E culpar?
Como é que eu vou fazer para elaborar racionalmente, como me pedem os amigos, esta transição do que era real, absoluto, para isto que agora acontece e que eu sei, prenuncia algo que significa passagem.
Depois, sentadas na sala, eu reclamei do dia comprido demais, desse horário de verão que deixa o dia claro de doer até muito tarde, e ela me falou que, na última sapataria, nestes dias de verão, eles fechavam às seis da tarde, que ela vinha a pé, no sol, que o sol queimava.
Meu Deus! Era tão longe. Mas ela reclamou só de duas coisas: da saudade destas caminhadadas longas e do fato de nunca meu pai ter aceitado vir com ela a pé, preferindo vir de ônibus.
Ô, meu Deus?
Para que serve tanta memória?
Bento, me teletransporta para esta misteriosa cidade. Quem sabe ela me cura de tanta tristeza e medo.
PS:
Recebi um mail de Luis Bento, esta criatura gentil de lá do outro lado do Oceano e acrescento aqui porque acho que, como eu, vocês querem saber mais destas casinhas da foto:
"Só para completar a foto...a casinha pequena é o moinho velho que está alugado a um escultor. É verdade! vive lá um escultor. A casa grande é a casa do Moleiro. As casas foram transformadas em habitação de turismo rural. Esse riacho tem uma cascata e durante a noite só se houve a sua queda. Não há rede de telemóvel, nem internet, nem televisão. Tem água, luz, gaz, lareira. O restaurante mais próximo fica a 3 kms. A casa fica a 20 kms dado topo da Serra da Estrela. Ao vir embora, deixei a chave na fechadura para o dono vir recolher mais tarde...é Pura verdade! O único senão...é que à noite fazia 3 graus...mas havendo lenha para queimar...Pronto é melhor eu não falar, na carne de javali, nem no queijo da serra ou dos enchidos, ou dos pratos tradicionais (feijoada, cozido,etc.) Enfim, dada a crise financeira eles nem cobraram muito.. pelos três dias: 80,00 Eur. que em Real não deve ser muito. Como retiro de férias ou descanso é bom. As pessoas são simples, cumprimentam-se todas pois é uma aldeia. Bom...vamos fazer contagem decrescente para o teletransporte?
Um abraço
Luís Bento"
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