Engraçado como a vida vai dando rumo para tudo e a gente continua achando que está no comando.Não. Não estou sendo pessimista. Não além do habitual.
Não sou de acreditar no destino fatal. Sempre acreditei e acredito em causa e efeito. Acho que nada acontece por acaso.
Nunca imaginei que, ao terceirizar uma ação contratando um despachante (ia contratar um advogado, mas os profissionais com quem falei não me pareceram interessados em ser contratados) para correr por mim, que odeio essas coisas burocráticas sem fim, estas filas em postos implorando atenção de funcionário público sonolento e de má-vontade, pois nunca pensei em minha vida que estaria me metendo num rolo.
Cheguei a ouvir críticas de uma nobre causídica com quem contatei num primeiro momento para buscar o esclarecimento para o bloqueio de meu benefício como aposentada: me disse ela que nunca aceita que a paguem para fazer um processo de aposentadoria. E eu pensei comigo: que mentirosa. Quem trabalha de graça? Quem vai para filas esperar ser atendido sabe Deus a que horas e nada cobra se não for a mãe ou o filho da gente?
Contratei sim aquele senhor simpático, que a jornalista Cláudia Rejane do Carmo, que vinha de sete anos como secretária de Germano Rigotto e, enviada por Ibsen Pinheiro, então Secretário de Comunicação do governador, passara a integrar minha equipe de Imprensa na Secretaria de Estado da Cultura. Este senhor simpático chamado Gilberto Dresch, me disse Cláudia, havia feito com sucesso e sem entraves a aposentadoria de seu marido, também jornalista e na época assessor do BRDE, José Antônio Zulian.
Como Cláudia tinha uma conduta irrepreensível e vinha indicada pelo Palácio Piratini, aceitei seu gesto solidário, o telefone que ela me enviou e chamei Gilberto. Ele se mostrou otimista mesmo com o fato de eu ter que colocar em dia alguns anos em que me afastei do mercado formal mas que, mesmo sem registro na Carteira do Trabalho, tinha como comprovar. Ele avaliou o quanto era necessário para legalmente (eu achei, pelo menos) atualizar meus descontos previdenciários e eu tomei o valor emprestado e lhe dei. Não lembro nem como - se em dinheiro, em cheque, depósito em conta, afinal faz 4 anos tudo isso.
Fiquei, então aguardando. Mantinha contatos para saber a quantas andava e ele dizia que estava encaminhado até que, meses depois, recebi minha autorização para receber benefícios. Tudo normal e legal, para uma anta como eu, que só há uma semana vi, na minha velha carteira de trabalho, cheia de orelhas e de páginas puídas, que ainda está em aberta minha saída, em 1972, do meu primeiro emprego, na então Rádio e TV Gaúcha. Nunca me liguei.
Fui indo de um trabalho para outro, meu negócio era exercer a profissão que foi minha paixão e ganhar meu dinheiro. Nunca reivindiquei um aumento, nunca participei de passeatas pelo sindicato, nunca fui capacho mas tampouco agredi meus empregadores. Fui, tenho certeza, uma boa funcionária, competente, dedicada e quando as coisas não estavam de meu agrado eu saía do emprego.
Simples assim.
Quem diria que, por querer o que me era de direito, depois de então 33 anos de trabalho, com direito a não ter direito a finais de semana, feriados, aniversários, trabalhando quantas e quantas vezes mais que as 5 mais 2 horas extras "em carteira" (tantas vezes que com certeza daria para colocar no mínimo dois a nos a mais de contribuição), depois de toda esta carga de trabalho comum para jornalistas, eu iria pagar com um processo por irregularidades no processo de aposentadoria.
Não me conformo. Nunca vou me conformar. O cara que poderia esclarecer o que houve morreu há três anos: Gilberto Dresch.
Mais me deixa de queixo caído que só eu tenha sido envolvida numa investigação. Meu ex chefe, o secretário Roque Jacoby, a quem indiquei Gilberto, graças a Deus me disse que está tudo ok, que não teve aposentadoria bloqueada como eu tive tampouco recebeu qualquer ofício. Ele igualmente contratou Gilberto, a ele pagou muito mais que eu para buscar regularizar sua situação com a Previdência. E todos os que contrataram Gilberto, como Zulian e tantos que trabalharam e trabalham na Assembléia Legislativa, onde este despachante simpático me disse que tinha a maior parte de sua clientela?
Mas o mais triste é ver que colegas da gente, que trabalham em assessorias, não dão o braço a torcer e conseguem publicar justificativas injustificáveis para um simples mail que não respondem. Hoje, há uma nota de "esclarecimento" da assessoria de comunicação de Pedro Simon no mesmo espaço de ZH em que foi publicada minha nota sobre o fato de todos os deputados federais gaúchos e nossos 3 senadores não terem dado um "recebemos seu mail entraremos em contato assim que possível" ao receber a mensagem que enviei contendo meu primeiro texto sobre este teatro do absurdo que estou vivendo.
A nota está reproduzida em jpg aí em cima.
Quer dizer que, então, a assessoria de Simon, meu ainda admirado senador, só responde mail se for um questionamento, uma pergunta, uma reclamação. Quer dizer que não leram o cabeçalho. Quer dizer que não se interessaram e agora, como uma mídia importante publicou sua falha de atuação, tentam tapar o sol com a peneira quando seria tão mais fácil dizer "erramos", "não vimos", "este mail não é acessado".
Sei que poucos estão tendo saco de ler estes posts. Mas continuo a registrar isso tudo como um diário. Pode que, num futuro, sirva como informação sobre como funcionava nosso sistema político e sua assessoria.
A boa notícia é que o senador Sérgio Zambiasi, conforme como me prometeu (sem eu ter pedido), encaminhou o assunto. Hoje recebi seu mail com cópia do pedido de esclarecimento enviado ao Ministério da Providência. Pena que em ZH insistam em dizer que respondem todas as mensagens. A que enviei pelo mail do portal do Senado não foi respondida. Só ganhei atenção depois que ZH publicou o puxão de orelhas.
De todo modo, minha advogada está firme, coletando dados para nossa defesa.
Dentro do meu princípio particular de transparência, vou continuar usando este espaço para relatar o andar do processo.
A propósito: Paulo Paim e assessoria, bem como os deputados que receberam o mail, nada falam.
E revelo aqui os deputados cujos mails retornaram por não ter sido encontrado o dono da casa:
2 comentários:
Maris, vou te falar... Nunca na história desse País foi tão usado os termos, "nada sei", "não vi nada" e agora em épocas de internet é muito usado o " em minha caixa de mensagem nada constava". Achei triste viu? Como assim... Primeiro o e-mail não foi respondido pq não chegou na caixa de mensagem, depois pq não continha somente um questionamento? Eu acho engraçado tudo isso, pq se os Senadores Gaúchos e os Deputados são eleitos é para quem sabe atender aos interesses do povo? Quantas Maristelas existem por aí? Pq isso minha amiga, deve acontecer muito.
Por sinal, a aposentadoria dos senhores não vai trancar nunca , isso é fato!
Maris, o bom é não desistir de lutar como tu está fazendo!
Beijos
Olá Maristela! Tenho acompanhado os desenvolvimentos desse processo Kafkiano. Lembra da desilusão e desencanto que falámos faz pouco tempo? Pois é... A sua história aqui em Portugal..."é mato"...Funcionário público sem vontade, político malvado ou negligente, justiça pesada, demorada e sem interesse...acontece todos os dias, inclusivé, é notícia de jornal...Só quando chega na televisão e que, miraculosamente, o computador deixa de te problema, o sistema voltou, o erro foi corrigido, etc.etc. etc. O que me dói é que fomos nós que confiámos...emprestámos-lhes o poder para eles nos servirem com dignidade e eles esbajam. Esbajam dinheiro público, esbanjam confiança e crédito. Ninguém liga a mínima, ninguém quer saber....as elites culturais e sociais que deviam pugnar por um sistema mais justo, comem do mesmo tacho... Você sabia que o Saramago..sim..o prémioo Nobel..aceitou um "benefício" de 30.000 eur da Prefeitura de Lisboa para financiar um documentário sobre ele? e que, miraculosamente, ele apareceu dando apoio ao presidente da prefeitura? É assim...nossas elites não têm mais vergonha...é por isso que o exemplo da Maristela é de louvar e de publicitar. É uma batalha difícil de uma pessoa só contra uma imensa máquina burocrática, negligente e má, mas cada vez mais temos que ser nós a lutar, a pressionar...Divulga nos blogs, no twitter, na rádio, faz chegar num noticiário de televisão. Senadores podem andar de avião e oferecer viagens para a família e benefício de aposentado é cortado? Não! Não pode ser. Continua lutando que a gente vai divulgando!
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