Author: maristela
•Sexta-feira, Outubro 31, 2008



Olhem bem A CARA DE VOLÚPIA DO PAI (???) e me digam se isso é ou não é canalhice que se eterniza em nome de hábitos, costumes, cultura. Tudo por dinheiro!!!!

Em nome de tudo isso continuam mutilando mulheres que têm clitóris decepado para não ter prazer, achando normal índios deixarem gêmeos morrer por medo de maldição e inclusive mantendo índios em sua condição "natural", como bichos de zoológico, para conservar sua cultura, matando mulheres que não usam véu e por aí vai.
TUDO ISSO, SENHORES, SE CHAMA CRIME.

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Author: maristela
•Quarta-feira, Outubro 29, 2008


Eu queria escrever, hoje, sobre o filme Mamma Mia!, o clima pra cima, lembrar Gina Lollobrigida e o filme de 1968 que originou a peça e agora o filme. Mas a realidade dura me atropela. E eu abro o site da Zero Hora e vejo isto.

E tive de deixar um comentário horroroso como este ato. Mas é o que penso: este tipo de ser humano não precisava ter nascido. Nada acrescenta. Ao contrário. Só faz aumentar a descrença no futuro do homem, do planeta.

O que estes três marginais, miseráveis, que merecem viver no meio do lamaçal, e da merda, fizeram com este pobre animal, tem de ter castigo.

Não há olhar piedoso possível para estes criminosos.

Como escrevi em meu comentário para o site do jornal, o castigo ideal seria colocar um a um no lugar do cavalo e formar um corredor de cavalos furiosos que os espezinhassem durante os mesmos cinco minutos que eles chicotearam o pobre bicho.

Infelizmente, é apenas mais uma seqüência de fotos chocante que vai desaparecer no tempo, em meio a tanta maldade minuto a minuto.

Pra quem tiver estômago, este é o link para ver as fotos do chicoteamento.


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Author: maristela
•Terça-feira, Outubro 28, 2008


Peguei no blog do Sidney Rezende:


Carta de Brigitte Bardot a Sarah Palin
Da Fundação Brigitte Bardot

Paris, 7 de outubro de 2008

À Madame Sarah Palin

Governadora do Alasca

Caixa Postal 11000

1Juneau, AK 00811-001

USA


Prezada Senhora,
Há mais de dois anos entrei em contato com seu antecessor para denunciar a crueldade da caça aérea aos lobos do Alasca. Agora, estou chocada por saber que a senhora apóia, vigorosa e financeiramente, essa prática indigna, de uma covardia rara.
Suas medidas no sentido de manter os ursos polares na lista das espécies ameaçadas - para que deixem de ser protegidas, ainda que ameaçadas pelo aquecimento global - demonstram sua total irresponsabilidade, além de incapacidade para proteger ou simplesmente respeitar a vida animal. Mas também é verdade que para a senhora um animal bom é um animal morto!
Ao fazer campanha pela perfuração de poços de petróleo no Refúgio Nacional Ártico para a Vida Selvagem, a senhora coloca ainda em perigo um habitat já fragilizado, como também toda a biodiversidade de uma zona sensível que devia, absolutamente, ser preservada.
Governadora, ao negar a responsabilidade do homem pelo aquecimento global, ao fazer campanha pelo direito ao porte de armas e à prática de atirar sobre qualquer coisa que se mova, ao fazer numerosas declarações de alarmante tolice, a senhora cobre as mulheres de vergonha e representa, por si mesma, uma ameaça terrível, uma verdadeira catástrofe ecológica.
Defender a vida significa mostrar humanidade e compaixão por todos os seres que povoam esta terra doente. Já que só estamos aqui de passagem, por tempo limitado, pense no que estará deixando para as gerações futuras.
Para finalizar, faço um apelo para que não mais se refira a si mesma como "um pitbull de batom", já que, posso assegurá-la, nenhum pitbull, nenhum cachorro, como nenhum outro animal, é mais perigoso do que a senhora.
Em nome do respeito pela Natureza e sua preservação, espero com todas as minhas forças que a senhora seja derrotada nesta eleição.
Desta forma, o mundo inteiro, feliz, estará ganhando!
Brigitte Bardot, presidente
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Author: maristela
•Sábado, Outubro 25, 2008
Agora não tenho mais como calar a boca:
COMO É QUE UMA FAMÍLIA PERMITE QUE UMA MENINA DE 12 ANOS NAMORE E AINDA ACEITA QUE O NAMORADO TRATE A FILHA COMO "BONECA E SUA PROPRIEDADE?" Seria patético, ridículo. Não houvesse resultado no que resultou.
Então é normal que uma família aceite isso e ainda que a filha apanhe do namorado?
É o que contou, na tv, a mãe da garota Eloá, morta semana passada por uma coisa que se chama Lindembergue, uma podridão humana fruto desta miséria descontrolada e até incentivada por esta desgovernança ideológica de uma esquerda canalha e morta.
Agora, se descobre que o pai da morta vivia com nome falso e era procurado por vários assassinatos. E a zelosa mamãe vem se queixar que a polícia devia ter executado o cara.
Eu também acho que deviam ter dado um tiro no meio da testa do sujeito na primeira oportunidade.
Mas agora a polícia resolveu fazer o jogo dos grupelhos de "direitos humanos" e da midiazinha de merda e ser "prodente". Pressão não falta, como a da própria Record, no dia em que houve o desfecho do caso, reclamou que os policiais haviam sido bruscos ao retirar o assassino do local - eu vi e ouvi o apresentador da hora insistir que poderiam ter sido mais contidos ao deter o pobre moço!
Tudo errado. Deviam ter metido o pé na porta no primeiro dia. Estourado parede lateral, sei lá, não sou swatt.
E esta mãe que agora chora pela tv para o mundo todo devia ter vergonha de ter permitido que a filha namorasse com 12 anos de idade e, aos 15, já vivesse uma realidade digna de página policial, com brigas e retornos típicos de baixo nível.
Só tem uma vítima nesta história: Eloá! Vítima inclusive de uma família frouxa, condescendente, que não achou o menor problema em entregar a filha pra um malandro (e não me venham com a história de que ele não cheirava, não fumava, era do bem...) que sabia que ela mal tinha entrado na puberdade. Ah, vão dizer: as meninas, hoje, são impossíveis! Ninguém segura! Então, tá.
Esta mesma mulher ainda teve o peito de dizer que perdoava "de todo o coração" o assassino! Da filha!
E isso é o que de mais comum acontece nestas "comunidades" em que as meninas mal apontam seios já arrumam macho, na maior parte das vezes seguindo exemplo de mães que trocam de parceiro como quem troca de calcinha (e tomara que troquem de calcinha com a mesma freqüência), mulheres que ainda transam com aquele desdém que nem um animal tem, diante de filhos que aparentemente dormem.
Sinceramente: depois tocam pau no jornalismo que faz sensacionalismo! Mas essa gente quer o que, fazendo a cama para que esse tipo de miséria ocorra?
Eu já estava de estômago embrulhado com aquele enterro-espetáculo e esta gentalha deste país que vai chorar em enterro de celebridade instantânea, sem o menor sentimento que não seja falsidade. Quando vi a queixa da mãe da morta contra a possessividade do namorado da filha, me tapei de nojo.
Agora, então, é este desfile de mãe de vítima em tudo que é emissora fazendo declarações do tipo novela: "eu quero minha vida de volta"! Na hora de botar freio nas histórias, de dar educação e limite em filho menor de idade, nem pensar: tava onde, madame? Fazendo bolo ou fofocando com a vizinha?
E eu acrescentaria, às acusações contra o assassino, mais uma: pedofilia.
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Author: maristela
•Sábado, Outubro 25, 2008


Recebi estas fotos por mail, com o nome de abandono.

Mas prefiro chamar

SOLIDARIEDADE.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Nos últimos anos, tenho acompanhado o desenrolar da vida pelo filtro da internet. Mais especificamente, nos últimos dois anos, quando deixei o chamado “emprego”, com horários e tarefas fixas. Passei a desfrutar, praticamente em tempo integral, das delícias (e também malices) da web2.0, em especial, mandando e recebendo (e principalmente deletando) mails, falando com gente do mundo inteiro por MSN e webcam, me inscrevendo, usando e saindo (duas vezes), do Orkut - que detesto -, e, acima de tudo, exercendo meu pleno direito de cidadã, sem qualquer censura, escrevendo tudo o que me dá na telha nos três blogs que criei.
Este ver a vida pelos olhos da rede não envolve aquela alienação de que os profetas do após - calipso se valem para dizer que nos isolamos em função do universo virtual. Faz pouco, divulguei, aqui mesmo, no Coletiva, uma notícia que traduzi de uma das várias newsletter que o Washington Post me envia diariamente, dando conta que as famílias estadounidenses se declararam, em pesquisa, muito mais unidas hoje do que há dez anos. Graças a quem? Aos saraus movidos a violino e a batida de pé no chão, reabilitados nos celeiros dos casarões texanos? Às conversas ao pé dos fornos de pão nas cozinhas imensas das cidades próximas ao Alaska? Aos chiquetérrimos jantares nos lofts falsamente pobres de New York? Não! Graças a gadgets como o celular, que faz com que mãe, pai e filhos troquem mais hellos durante o dia do que antes do advento desta ferramenta. Graças aos encontros de final do dia diante de games ou de vídeos no youtube. Graças, também, a esta coisa maluca chamada twitter, uma espécie de mensageiro aberto através do qual você é mais localizável que se usasse GPS sob a pele.
Uma proeza da modernidade isso tudo, para quem, como eu, ainda guarda a Olivetti Lettera 32, azul-clarinho, comprada de segunda mão pelo meu pai de um seu irmão, sapateiro como ele, que, por sua vez, a recebera em pagamento por algumas solas-inteiras “penduradas” por algum freguês. Supra sumo da superação, este mergulhar na era do computador, ainda mais sem tempo para a transição, aprendendo-fazendo, no meio do “fechamento” de um jornal, com um ou dois técnicos percorrendo a redação para ajustar cabos e passar informações rapidamente. E isso não foi só uma, mas várias vezes. E, finalmente, veio a tal internet. No começo, uma complicação, discada, bloqueando o telefone de casa, tão lerda que dava tempo de conectar, sair da sala, ir à cozinha, preparar um bom café, se alimentar e, na volta, com sorte, “entrar” em algum site.
Isso era a pré-história da rede. E faz tão pouco tempo! Ciclo curtíssimo, como estão sendo todos os ciclos vitais que nos envolvem hoje. Pelo menos comigo tem sido assim. Tudo é rápido e já começo a embarcar na explicação de minha mãe de que a Terra está girando mais ligeiro e que por isso já estamos em fins de outubro. Ou seja: final do ano, já com os Jingle Bells e os hohohoho indefectíveis da época natalina nos nossos calcanhares. Mas, como assim? – me pego perguntando boçalmente para mim mesma! Era recém ontem, e eu estava me livrando dos restos da ceia de Ano Novo, planejando minha próxima ida para a Europa, as várias passagens pela cultura civilizatória de São Paulo onde mora meu filho, prometendo me disciplinar e escrever o novo livro! Nada! E tenho a desculpa ideal: não deu tempo!
O bom de tudo isso é que as experiências também se sucedem e, com ou sem desgastes, com ou sem expectativas (nossas ou plantadas em nós pelos outros), com ou sem vontade, elas terminam. Outras chegam. Estou passando por este momento vital, importante, novamente. Um ciclo se fecha. Outro me atropela e me leva para mais longe. E lá vou eu, feliz da vida, com meu celular, meu MSN, meu mail, meus blogs e, acima de tudo, meus afetos – todos eles, os bons e os nem tão bons. Dando vivas especialmente ao hyperlink, esta maravilha que nos poupa de interromper um fluxo de pensamento para explicar ou definir alguma coisa no corpo do texto. E pronta para contar tudo sobre esta recém-terminada viagem. Onde? Ora: na sacrossanta e libertária blogosfera.
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Author: maristela
•Terça-feira, Outubro 21, 2008


Um pouco atrasada, só alguns anos, na verdade, li, até dois dias atrás, o livro de Ruy Castro que retoma a história da Bossa Nova. Difícil interromper a leitura quando se trata deste moço que não só sabe onde consultar mas, em especial, sabe como refazer textos e deixar o dele absoluta e totalmente mais saboroso que qualquer outro que já tenha surgido sobre o mesmo assunto.
Lá pelas tantas, como era esperado, Ruy chega a Elis Regina, uma das últimas a se aliar e modificar o "movimento" bossanovista. E comete uma igorante grosseria que poucas vezes já vi um escritor cometer, eternizando em páginas o que poderia evitar de grudar em sua biografia.
Diz ele à página 368, da edição que tenho da Companhia de Bolsa da Companhia das letras: "Sua família morava num cortiço vertical (um conjunto hab itacional do IAPI em Porto Alegre) e ela era hostilizada pelos vizinhos por cantar no rádio". Primeiro: não era um conuunto habitacional do IAPI, caro Ruy. O IAPI É um conjunto habitacional. Segundo: o lugar sempre foi moradia de gente humilde, trabalhadores, tanto que o nome é, desdobrando a sigla, Instituto de Aposentadoria e Pensão dos INDUSTRIÁRIOS. Veja bem: não são INDUSTRIAIS. São industriários, pessoas que trabalhavam como operários nas indústrias e foram beneficiadas pelo plano habitacional do Getúlio Vargas.
A vila do IAPI, como é chamada, é um dos mais belos exemplos de urbanismo e arquitetura já vistos não só no Brasil, mas em todo o mundo. Seus arruamentos, suas árvores, a estruturação diferenciada das construções, as soluções de saneamento para o terreno, um charco em sua origem, são exemplares.
Se você tivesse interesse de pesquisador (o que você não é, você na verdade é um compilador de informações, o que é diferente), teria buscado informações na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs onde há documento fotográfico elucidativo sobre o IAPI.
No entanto, preferiu chamar o lugar de cortiço vertical. Outra besteira: nem vertical é, já que é composto por centenas de casas.
Como é público e notório, me criei no IAPI e meus pais, de 80 anos, ainda ali moram. Isso não evita que tenha, como também já contei várias vezes neste espaço e em outros, que eu tenho uma relação de amor e ódio com o lugar e o critique severamente, sempre.
De fato, o empobrecimento e o descaso das ditas autoridades resultou na ocupação irregular de áreas livres por não só garagens mas pseudo-moradias. Sem falar nas modificações de aparência e estrutura de casas e edifícios. Hoje, muitos dos imóveis originais abrigam pizzarias, casas comerciais, revendas de carro e outras atividades.
A degradação do IAPI é visível e inegável.
Mas daí a um escritor dizer que Elis vivia num cortiço é, no mínimo, cruel e indecente. `
À época em que ela lá vivia e eu também era menina e lá morava, a vila do IAPI mantinha quase que totalmente suas características e integridadade. O declínio veio bem mais tarde, nos anos 80 e 90. E hoje é irreversível.
Me dói circular por aquelas ruas em que coqueiros me municiavam de amêndoas a caminho da sapataria de meu pai, instalada num largo de onde ele foi despejado e que hoje homenageia, ironicamente, Elis Regina.
Fico com raiva em abrir a porta dos fundos do apartamento de meus velhos e enxergar oficinas mecânicas sob o figueirão centenário em volta do qual o edifício em que cresci e dois outros laterais formavam um abrigo para as nossas brincadeira e os gramados serviam de coradouro para lençóis azulados de anil.
Ruy Castro pisou na bola com o IAPI. Foi injusto. E mais: mesmo que eu e quem ali viveu e vive possa reclamar do que foi feito ao conjunto habitacional, ele, como autor, não tem o menor direito de chamar o IAPI de cortiço.
Pena que não tenha lido este belo livro antes, para escrever a este senhor na hora.
Mas faço o registro agora.
Pode ser inútil e solitário. Está feito, porém. E nunca terá perdão, mesmo que eu continue a ser fã de suas agradáveis compilações de informãções sobre gentes e acontecimentos.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Outubro 17, 2008


Acabo de chegar da comemoração de aniversário de um amigo querido, que me traz muitas recordações de outros tempos, outras pessoas que cruzaram a fronteira deste estado e se desconetacaram - ou teria sido eu que me desconectei.
Luis Fernando Lima, o Lula do bem, completou o seu sexogenário (brincadeira dele, sempre) em mais uns e outros anos. Continua gente boa, como sempre foi. Meio estourado, dos que brigam com o dono do restaurante se ousar trazer a garrafa de vinho pra mesa sem abrir diante do cliente!
Foi uma mesa grande, nós que convivíamos tanto: Caren Mello, Léa Aragón, Teresa Schembri, Arizinho Teixeira e sua Magali, Gilberto e Carmen Jasper, Sidney de Jesus (ô, criatura querida, meus deuses!), Paulo Dias, pessoas que vivenciaram, como eu, jornalistas, um período de trabalho diferenciado, assessorando, eu e Teresa na Secretaria da Cultura, eles todos no Palácio, um mesmo governo. Alguns, até conseguiram ficar mais uns tempos no que entrou em 2007 e que me presenteou com minha exoneração.
Enfim. Coisas que acontecem, doem e passam.
Rimos muito, e descobrimos, nestas poucas horas de comemoração, o quanto podemos ser criativos, divertidos e maravilhosos! E somos! Com todas nossas diferenças e incongruências.
Foi muito bom.
Pena que eu esteja meio broxa para a noite. Me cansa a cabeça, me deixa um tanto azoada e, Deus, na hora da saída, que medão destes zumbis que surgem do escuro, cheios de crack, invasivos, assustadores mesmo sem falar, esperando dinheiro por carro que nem cuidaram.
Que pena que a vida ande assim. E que eu tenha envelhecido me acovardando.
Que bom que consegui ir abraçar o Lula. Que foi casado com Iara, que já se foi e com quem teve Fernando, o filhão. Iara, jornalista como nós, que conheci na casa de Amaury (Mari de)Mello e sua Minê, que me apresentaram ao pai dos meus filhos.
Saudades de Amaury, que levou Minê, Ana e André, para o Rio, onde fizeram gêmeas, onde, também, infelizmente se separaram.
Revi Minê em algumas das vezes que andei por lá. Amaury, aquele que era meu amigo do peito, conselheiro, um gringo bugrão de Caxias do Sul, maluco beleza, que aparece nas fotos do meu casamento com Ana no colo e aqueles cabelos cacheados, pretos, barba e bigode como um Rasputin, vi uma única vez. Tão diferente! Mais diferente ainda hoje está!
Todos mudamos, eu sei.
Mas hoje lembrei tanto dele. Que nunca mais veio. Nem para se despedir de Iara. Nem do pai. Nem da mãe. Todos que já se foram. Amaury não tem mais nada a ver com esta terra aqui, com os amigos que deixou, com as histórias que construímos juntos. Só eu, nostálgica e inutilmente, teimo em dele e delas lembrar.
Ainda bem que temos o Lula.
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Author: maristela
•Sábado, Outubro 11, 2008
Martins Camiseiro. Durante anos e anos, eu cruzei frente ao casarão de esquina, na avenida Cristóvão Colombo com a rua Dr. Timóteo. Fazia parte da paisagem e da minha vida, embora nunca tivesse ali entrado, conhecido quem ali trabalhasse ou o que, na verdade, fazia Martins Camiseiro. Mas achava o nome poético.
Me levava a lembrar de tempos em que mulheres zelosas espanavam, com escovas pesadas, os ombros e as costas dos paletós dos maridos (onde andarão estas escovas?) para retirar poeira, caspa, fios de cabelo. Numa época em que não se lavava roupa todo o dia e em que lavanderia era luxo dos luxos.
Martins Camiseiro me lembrava, também, de camisas brancas, de tecido encorpado, imaculado, engomado, em homens alinhados e que, mesmo pobres ou remediados, cuidavam muito em manter o colarinho duro, pontudo, apoiando a gravata. Lembro de ouvir falar que se mandava virar colarinho puído, assim como punhos gastos destas camisas tão estimadas. Será que na Martins Camiseiro se fazia isso?
A vida correu. Eu vim morar perto da Cristóvão Colombo e da rua Nova Iorque onde uma casa de larga frente me chamava atenção em um dos lados da rua praticamente tomado por edifícios. É uma casa toda coberta de pastilhas em branco e azul, telhado de cumeeira, como eu gosto, com um jardim nem grande nem pequeno, poucas flores, alguns arbustos.
Ali eu sempre vi, ao longo dos anos, um velho homem, encurvado pelo tempo, calças em estilo social seguras por suspensórios, camisa e tênis confortáveis. Ele cuidava do jardim, e me intrigava ver que ele não tinha pressa nem de arrancar as ervas daninhas tampouco de plantar novas mudas. Ia no seu ritmo. Que era firme, apesar da idade.
Também o via atravessando em direção ao mercadinho, próximo, para comprar pão e leite. E, o que mais me encantava, o via passeando com a esposa, idosa como ele, os dois de braços dados, tão parceiros, tão unidos naquela velhice ainda produtiva e que sempre me pareceu feliz.
Anos depois de estar morando neste lugar eu soube que aquele era o seo Martins, ele mesmo, o dono da Martins Camiseiro. Que já tinha sido fechada, não sei dizer quando. E que ele era dono não só da casa branca e azul pastilhada mas também de uma velha casinha ao lado, que foi desmanchada e deu lugar a um prédio estreito, de altos e baixos, em que muitos escritórios abriram e fecharam. Agora, abriga uma chocolataria.
Como a terra e o tempo são circulares (quem duvida?), um dia, meu filho, que comprara seu primeiro carro, precisando de garagem foi avisado que a esposa do seo Martins estava alugando box nos fundos da casa. Feitos os devidos contatos, uma noite, toca o telefone, eu atendo e uma mulher disposta se parou a disparar perguntas sobre quem era aquele candidato à vaga no box. Conversamos muito. Mais de uma vez, porque ela era boa negociante, queria uma definição sobre o aluguel, fora todas as informações sobre o interessado.
O negócio não se concretizou. Continuei vendo o casal à distância. Ele a cada dia mais encurvado, lento. Ela tentando acompanhá-lo.
Como coincidências não costumam ter limites nem avisar que chegam, minha filha conhece, também, o neto do casal, arquiteto, que se especializou na arte do mosaico na Itália. E o casal voltou a ser assunto em nossas conversas familiares.
Até que, um dia, me disseram: seo Martins faleceu.
Fiquei pensando naquela senhora, sozinha no casarão – mais tarde eu saberia do filho solteiro que a acompanhava, e de uma zelosa empregada, amiga de muitos anos, que dela cuidava.
Há dois meses, precisei encontrar um novo lugar para deixar meu carro e o zelador do prédio colado à casa de azulejos brancos e azuis me indicou dona Naza. Sim, esse era o nome da viúva de seo Martins.
Tomei coragem, toquei a campainha, a sorridente empregada me atendeu, disse que falaria com a dona da casa sobre meu interesse em relação à vaga. Voltei 15 dias depois, de novo chamei e me atendeu à janela a própria dona Naza. Era noite. Mas ela não se intimidou. Me fez passar por uma bateria de perguntas, questionando ser eu mesma aquela que pedira para reservar o box. Até que se convenceu e me fez rir ao dizer: ah, então é a senhora mesma. É que minha empregada faz muita confusão!
Ato contínuo, abriu a garagem com o controle remoto e me fez entrar e guardar o carro na hora.
Entrei, ela se postou, sentada em uma cadeira recoberta com uma colcha, diante da porta da cozinha, no amplo pátio de fundos e passou a me comandar: quem sabe entra de ré? Mais pra direita. Agora tá bom.
Não resisti. Desci do carro, puxei o banquinho diante dela, e fiquei mais de uma hora conversando.
Me encantei com a inteligência, a lucidez, a graça da conversa daquela mulher decidida, que foi desfiando sua história, a morte do seu “velho” que tanta falta lhe fazia, tudo o que passara com as “cuidadoras”, os custos do “home care”, os problemas na coluna por ter dormido mal, durante semanas, acompanhando o marido no hospital.
Falamos de jornalismo, dos conhecidos em comum, dos filhos que tanto orgulho lhe davam, da irmã que ela tinha e que fazia crochê com perfeição, do quanto ela gostava de plantar temperos na horta, de tudo um pouco.
Me despedi prometendo voltar para outro papo. E para apresentar minha filha, amiga do neto querido e admirado por ela. E fiz isso, uma tarde, quando fui pagar os primeiros 15 dias de uso do box.
Dona Naza me fez entrar na ampla cozinha, elogiou minha filha e, veloz, sumiu por uma porta voltando com um lindo xale de crochê feito pela irmã, para me mostrar que o que me contara, na primeira conversa, era verdade.
Nunca mais consegui sentar e conversar com dona Naza.
No entra e sai da garagem, não mais a vi e achava que ela estava ali, naquele quarto, em cuja janela me atendera pela primeira vez.
Nesta sexta-feira, encontrei o filho, perguntei por ela e, surpresa, soube que estivera mal, na UTI, que sentira muito a falta do marido, que se desgastara nas longas noites de cuidados com ele, mas que estava bem, tinha se recuperado e breve voltaria para casa. Mas eu tive uma sensação estranha quando, à noite, lembrei que, na quinta pela manhã, havia descoberto quatro rosas imensas, cor de rosa, que haviam aberto no fundo do pátio.
Hoje, sábado, quando saía da garagem, vi uma movimentação estranha e uma moça que saía, cabisbaixa, pelo corredor lateral. Perguntei por dona Naza. “Ela acaba de falecer, me disse.Foi uma parada cardiorespiratória. E estava lúcida.”
Tão triste ouvir isso!
Tão triste saber que eu poderia ter tirado 15 minutos da minha correria para ouvir mais histórias de dona Naza e não o fiz.
Tão triste lembrar que ela disse, no dia em conversamos longamente e o filho chegou, que ela estava tão triste e que eu tinha chegado e conversando com ela, ela tinha ficado mais alegre.
E agora? Quem vai admirar aquelas rosas que estão lá, na chuva, no canto do jardim?
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Author: maristela
•Quarta-feira, Outubro 08, 2008
Poucas coisas são mais tristes, dolorosas mesmo e sinalizadoras de que caminhamos mal como humanidade do que uma criança marginal. Criança com o selo terrível do futuro fincado na maldade, no risco inútil, no desprezo pelo outro.
Já assisti isto quando, ao lado da casa de minha mãe, moravam quatro crianças, uma de cada pai, filhos de uma menina que vi crescer, ela, por sua vez, abandonada pela mãe e criada pela tia, num lar cheio de dificuldades econômicas e morais.
Deste núcleo, apenas uma criança aparentemente escapou do destino absurdo da marginalidade - a menina, mais velha de todos, que logo que exibiu seios arrumou um namorado, com ele começou a partilhar a vida e engravidou. Deixou a casa e, ao que parece, está estável, mãe de família, levando a vida.
Os três garotos, porém, não escaparam desta miséria humana que nos encharca de vergonha, de raiva, de perplexidade. O mais velho chegou a ter emprego com direito à casa para morar, depois da morte da avó e da diáspora obrigatória. Mas optou por ser "livre", e hoje é guardador de carros - oficialmente.
O do meio, que nascera para morrer logo, com um sério problema no coração, sempre foi um garoto impossível, inquieto, respondão, apanhava de cano de borracha da avó, era dissimulado e não levava em conta a mão que o ajudava. Um dia, botou fogo na casa que a vó construíra para eles e a mãe, pobre desequilibrada, nos fundos do apartamento. Por aquelas sortes de protegidos do demônio, não se feriu. E os bombeiros chegaram a tempo de evitar que todo o edifício fosse levado pelo fogo.
Pois este seguiu, logo, seu caminho de dissolução, andou por abrigos de crianças abandonadas e problemáticas, saiu e sabe-se lá onde anda. Eventualmente, aparece na zona, para assombrar a vizinhança.
Mas a dor maior de todos os que conviveram com este núcleo familiar dissoluto é o pequeno, que foi ensinado, desde um ano de idade (eu disse um ano de idade, quando já caminhava) a pedir esmola aos vizinhos e a quem passava na rua. Logo, aprendeu a ir mais longe e a atravessar a perigosa avenida próxima. Sempre pedindo um troquinho.
Para os vizinhos próximos pedia uma banana, um pão, qualquer coisa. Algo tinham de lhe dar.
Em casa, avó e mãe tinham tudo - som, televisão, cigarro, esmalte para as unhas, e, quando acabava gás, a igreja pagava, quando terminava a luz, alguém fazia vaquinha e alcançava o dinheiro.
Este caçulinha, que a gente aprendeu a amar com aquele amor cheio de pena e de certeza de que nada seria capaz de salvá-lo hoje anda pelas ruas, em meio a marginais, de há muito perdeu a carinha de pele clara e olho escuro que nos encatava e fazia esquecer que era já um explorador.
Conto tudo isso porque agora convivo com uma cena parecida, que brota como erva daninha em meu cotidiano, vinda do apartamento de baixo. Aquele mesmo que já abrigou um casal que fumava maconha na presença do filho de dois anos e da velha babá da família, com mais de 90 anos e que trouxe uma cadela pitbull para morar num cercadinho.
Estes, se foram, felizmente. Saíram silenciosamente, na calada da noite, deixando tudo para trás.
Agora, o apartamento da família abriga um núcleo que ainda não se conseguiu nem contabilizar tampouco entender, tamanha é a confusão.
Pior: tem um garoto, de seus seis anos, louco por futebol, que nos enlouquece batendo bola nas paredes e nas grades, gritando e chorando sempre que contrariado.
Pior: fala mais palavrões que qualquer adulto de má reputação. Xinga e agride a mãe. Não obedece a ordem alguma. Encara estranhos e esta semana, quando pedi, por favor, que parasse com a bola, me chamou de maluca e feia.
Quando ele acorda, ninguém mais, nem os pobres dois cães que moram com eles, tem sossego.
Não se vê mais televisão, não se fala mais ao telefone, não se ouve rádio, não se consegue trabalhar no computador. Nada. Ele ocupa todos os espaços.
Sem limites. Temido pela família. Já tem, no olhar e na postura corporal, aquela marca que me dá arrepios e que me lembra os meninos vizinhos de minha mãe.
Um garoto-problema. Que, ao que parece, não vai ser garoto-solução jamais, diante da atitude da família estranha, da mãe que parece dopada dia e noite, do "tio" misterioso que aparece quando anoitece e sai antes da meia-noite, certamente um cara casado pagando aluguel para a namorada.
E aí, o que se faz?
Só sei que a infância doente é um país que se perde, lentamente, à medida que estas crianças crescem, sem escola (ali, ninguém vai a colégio algum, nem o adolescente que atiça a maldade do garoto), sem educação familiar, sem gentileza, sem amor.
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Author: maristela
•Sábado, Outubro 04, 2008
Y ahora, con usteds ....


Com minhas desculpas aos Mamonas...
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Author: maristela
•Quarta-feira, Outubro 01, 2008
Ah, vocês!

Como é que têm saco para ainda vir aqui, me acarinhar, me puxar as orelhas e perder minutos desta jornada tão célere e preciosa pra deixar comentários?
Não é a primeira vez que boto literalmente a boca no mundo. Agora, porém, além do blog em si, a gente importuna por mail, porque acha que tá podendo, que a dor que se sente é a única, que as expectativas nunca foram jamais vivenciadas etc etc.
Então, eu me adianto e antes que alguns de vocês se dêem ao trabalho de voltar aqui neste dia dois, eu venho. E venho pra EU AGRADECER!
Não é a primeira vez que este blog me salva, que os amigos que nunca vi, outros que pouco vejo, outros ainda que não vejo há uns 30 anos, me tiram do poço. Claro que tem o povo da família, que conta pra caramba, até com seu absoluto silêncio - quiça de pavor - "ih, meu deus, vem ela de novo! cadê o remedinho!!!!".

Então, assim, venho aqui e digo a vocês, OBRIGADA!

Aos sem blog, primeiro:

JB Schuller: valeria só o teu ah, fica boa, vai. Mesmo que não tivesse mandado aquela reflexão porreta sobre a sanidade/insanidade de ser lúcido.

Ana Eiroa, zen por natureza, menina pra sempre, absoluta vencedora de adversidades.

Christa Berger, que me encaminha o convite pro show de Bossa Nova do filho, meu amado Matheus, bem no dia deste meu (hahahaha) natalício, sutil jeito de disser "estamos contigo".

Vicky Kauffmann, minha parceira eterna de tara pela França, não só gastando linhas e linhas pra me puxar pra cima mas ainda me pedindo endereço pra levar na casa espírita.

Nilton Filho, que telefonou com aquele jeito de deboche que me desatola décadas e me fez rir na primeira palavra.

Cristina Piccoli, que me perguntou: "tá, e aí, enlouqueceu de vez, então?"

Flávio Dutra, que vai ser meu dindo pra sempre e eu dinda dele (que paiaçada!) e seu "Pô, pára com isso".

Nelson Mola, optante pela vida de jornalista como eu, e seu "chega de choradeira"

Vieira da Cunha, aquela calma toda, "essa não é a Maristela que conheço"

Su Halfen, me mandando à merda

Maryo Almeida, com quem divido a maior honra de escrever no Coletiva: "A vida é um rascunho de sonho de vida".

E os blogueiros:

Lourenço, meu primogênito, que me escreveu o mais longo texto de todos seus quase 30 anos, e ainda me mandou uma preciosidade para rir que se chama todos os tipos de cocô.

Hugo, também Mano, também Ernesto, que me deixou como lembrança Marilene, que se foi, e que usou esta palavra que um garoto não merece, ele que já perdeu pai também: abalado.

Luis, que eu fui encher lá em Portugal, que gostou dos morceguinhos provectos

Ana, me convidando pra ir pra Pelotas tomar umas e outras.

Grace, cheia de razão escrever tudo o que escrevi e muito mais, no entanto, inteira, rindo da vida, indo em frente e ainda me empurrando lomba acima

Ziana, que tá indo amar lá no Rio

Cláudio, me avisando que ainda falta muito...

Bill, que aceita que eu fique em silêncio.

Adelino, cavalheiro, cavalheiro, cavalheiro.

Rosa, me chamando pra Santa Maria, pra mais um pileque

Guilherme, brincando, brincando

Vivien, parceira virtual de tanto tempo nestas confissões a céu aberto

Hermenauta, sempre tão silente, me honrando com a lembrança da mãe

Mário, um cara que acho que é ficção, o próprio apoio fraterno, que ama tão lindamente sua Cris

Sônia Mascaro, que me pega pela vaidade da escrita

Betty, minha ativista preferida do bem



Não.

Não quero só agradecer.

Quero pedir perdão pela chatura ao cubo.

E sendo ainda mais pedichona dizer: continuem comigo. Enquanto tiver gente assim em volta, eu escrevo besteira, mas não faço. Só continuo com pé no dramalhão.

Mas como gostei do que vocês me disseram e do que sentiram por mim.

Este é, de fato, um grande aniversário.


Viva as rugas.

Viva o que não vivi.

Viva meus ranços.

Viva este texto compriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiido

Viva a incoerência, o exagero, o beiço caído, o olho inchado e a entrada e saída do fundão

Viva vocês.





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