Author: maristela
•Sexta-feira, Agosto 29, 2008


Ando com saudade deste blog, do tempo em que eu blogava sem parar, abria e fechava o endereço a toda hora, espiava o sitemeter, ia nos "vizinhos" para ver o que andava rolando.
Então, deixo esta crônica que está no Coletiva.net desta sexta e reproduzo, aqui, um comentário de alguém que eu queria muito que voltasse a visitar este cantinho e me mandasse seu mail.
Esta crônica é para você, em especial, Luismar, que foi num post que eu fiz em junho passado e deixou mais um pedaço da minha vida em forma de comentário. Obrigada.
As folhinhas do tempo
Não sei se foi a dupla virada de tempo – calor infernal, no meio do inverno seguido de um frio absurdo, sem espaço pra adaptação – ou se é a constatação de que estamos virando a folhinha, rumo a setembro, que me deu uma esvaziada e não consigo pensar em nada mais essencial para escrever.
Tanto isso é verdade que fico tentada a escrever sobre a folhinha, esta peça que hoje chamamos calendário e que, na minha infância pobre da vila do IAPI, era objeto de desejo.
A pendurávamos sempre na parede da cozinha que, então, não tinha essa história de azulejos, era pintada numa técnica que mistura tinta à massa corrida, formando desenhos estranhos nas paredes. Acho que era em tons de marron avermelhado, já não lembro. Só sei que a folhinha tão esperada tinha, sempre, seis páginas, e sempre com lindas e paradisíacas paisagens que nada tinham a ver com nossa realidade: ou eram cerejeiras em flor, em torno de pagodes, ou picos nevados tendo, em primeiro plano, lagos que refletiam as nuvens brancas do céu, ou então eram campos verdes, imensos, recobertos por pequenas flores amarelas. Quando se tinha sorte, uma das folhas exibia uma praia tropical, cheia de palmeiras.
Nunca havia uma figura humana nestas paisagens. E isso me impressionava.
Eu ficava ali, na mesa da cozinha, minha mãe fazendo almoço ou janta, o rádio de baquelite marron ligado ou na música da Guaíba, aquelas orquestras poderosas, minha mãe assobiando, ou então ouvindo noticiários, comentários, novelas, humorísticos, os reclames musicais e engraçados.
De quando em quando, levantava os olhos das contas de somar e multiplicar, da conjugação dos verbos, das questões de história do Brasil para espiar a folhinha. E alguma coisa me asserenava, como se me dissesse que o tempo passava, sim, mas que, com um empurrão divino, eu poderia até desfrutar, ao vivo, daquelas paisagens.
Hoje o calendário é um recurso pobre de divulgação publicitária. Tenho um, de um vizinho que trabalha com loja de tintas. Nem se preocuparam em colocar uma mísera foto de uma margarida, que fosse. É a propaganda no papel acartonado e, grampeadas nele, as 12 folhas com os meses. Só isso.
A inclemência do tempo sem o benefício das cores e da imaginação que nos proporcionavam as velhas folhinhas.
Agora entendo porque minha mãe insiste em manter uma delas, de mais de quatro anos trás, espetada num prego no quarto de televisão. Tem umas árvores maravilhosas, sem folhas, pura flor, de um rosa quase lilás. Cada vez que entro lá em casa, diviso a imagem.
Minha mãe fez 80 anos em maio, meu pai os completa agora, dia dois de setembro, eu caminho para os 56, um mês depois dele. Tudo se conta mais rápido, por esses dias: o tempo de trabalho, que já bate nos 36 anos, a idade dos filhos, todos com mais de 20, as amizades antigas, bênçãos que nem nos damos conta do quão fantásticas são. E tem as velhas músicas que não saem da cabeça, aquelas que a gente ainda conseguia decorar, facilmente, diferente de hoje, quando são menos elaboradas mas difíceis de memorizar. E tem os cheiros que voltam, como o do caramanchão de guaco que ficava à porta dos fundos do apartamento, atraindo abelhas e inundando o entorno com aquele cheiro doce. Penso em tudo isso e a sexta-feira se vai. E eu fugindo dos temas do jornalismo, por puro fastio e cansaço.
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Author: maristela
•Segunda-feira, Agosto 25, 2008

Não vi este show da bossa nova com Roberto e Cae.
Que tristeza!
E nem lembrava deste encontro que tem 33 anos.
Lindos!
Jovens.
O mundo era deles.
E da gente também.
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Author: maristela
•Sábado, Agosto 23, 2008
Era 1998, por aí. Eu estava, mais uma vez, trabalhando na redação do Correio do Povo, mais uma vez na editoria de variedades. Paulo Acosta estava lá, na editoria de geral, com sua risada peculiar, a mania de fazer uma piada por minuto, ouvindo rádio alto para não perder nenhuma pauta. Um dia, reclamei alto do som do rádio. Ele comentou que era melhor ser bancária. Fiquei furiosa. Achei que ele também estava. Mas, que nada: deu risada, não levou a sério nem minha reclamção, nem a resposta dele mesmo.
Esse era o Acosta, um sujeito calmo, pacífico, que, como tantos jornalistas, trabalhava em dois empregos para garantir sua sobrevivência. Logo depois do meu ranço, ele me convidou para escrever para seu site, Osaiti.
Fui a primeira articulista do espaço, e, de imediato, apelidada por ele de “a tia do saiti’. Acosta foi um dos pioneiros a acreditar na internet, no poder do espaço virtual. Com sua generosidade e capacidade de agregar, reuniu gente de todas as vertentes para ali expor seus textos, seus pontos de vista. Em 17 de agosto de 2005, Acosta nos abandonou, atraiçoado por suas próprias esperanças de vencer uma doença absurda que o mantinha preso a experiênicas médicas no leito do Hospital de Clínicas. Ele e seu computador, que o plugava no mundo e através do qual nos contava detalhes do tratamento e de sua recuperação.
Lembro de tudo isso porque, além de me tornar uma cronista online, Acosta ainda criou minha primeira conta de blog, com meu próprio nome, atitude que eu, na época, não soube reconhecer. Tanto que lhe enviava minhas crônicas por mail, por puro comodismo e ele, disciplinadamente, colocava no blog. Login e senha de acesso se foram.
Em 2006, me encorajei a criar meu blog, batizado com o nome da minha já extinta microempresa de assessoria. Custei a engrenar, passava semanas sem postar. Até que, desempregada desde o primeiro dia do ano da era Yeda Crusius de governo, passei a me dedicar a meu espaço. Livre, leve e solta, comecei a fazer da blogagem diária um dever. E a buscar estilo, modos de falar com um público que foi crescendo, devagarinho, e, se hoje não é numeroso, é fiel. O Clínica da Palavra, que já teve muitas faces, se multiplicou. Deu origem ao Diário da Dodô, para cachorreiros e afins, e ao Hilarius1968, que nasceu ridiculos1968, mas, atendendo pedidos de amigos e crítico, mudou de nome, já que busca pegar o lado menos “revoltado” deste ano simbólico para o mundo ocidental.
Só que blogar, hoje, já está passando do nível de diversão. Há tantos blogs, mundo afora, que a coisa virou séria, cheia de teorias. E leio, no blog do especialista em web2.0, Francis Pisani, sua oitava postagem sobre a blogaláxia, sobre Nicolas Vanbremeersch, alias Versac, um blogueiro francês que fechou, faz pouco, sua página virtual que já completava cinco anos. Um dos motivos para o fechamento do blog está no surgimento do que Versac chama de o blogueurinfluent, que ele classifica de uma espécie de monstro.
“Uma das minhas chaves de análise é que dois mundos se encontram atualmente, não são realmente conhecidos e que têm suas lógicas invertidas. Aquele das mídias e de sua economia (raridade, monopólio, relação individual) e aquele das mídias sociais, com sua visão plana, uma rede onde inexiste qualquer monopólio da expressão”, comenta Versac. Só este comentário já deve ser motivo para reflexão por quem hoje, querendo ou não, está mergulhado no mundo da webinformação.
Do tempo em que Acosta criou Osaiti até hoje, muita coisa aconteceu. Velozmente, sem dar tempo para pensar, refletir. O universo virtual, a blogaláxia de Pisani, muda a cada instante. Convém ficar atento. Ou, então, se está fora.
crônica de 23/08/2008 in Coletiva.net
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Author: maristela
•Sexta-feira, Agosto 15, 2008




Meu texto, hoje, por questões de absoluta falta de tempo, é curto. Mas não poderia deixar de estar presente à blogagem coletiva de Odele e sua Flavia.


Já temos injustiças demais neste país em que desonestos se locupletam e entram e saem de cadeia como quem vai ao shopping.


Portanto, não é possível que o caso de Flavia, emperrado na Justiça, continue desta forma.


Não só ela merece o respeito e a consideração devidas. Ela simboliza todos os que aguardam este ente que tudo pode e que tem o poder de decidir o que vai ser das pessoas.


Portanto, que se faça Justiça para Flavia.


Sem mais perda de tempo.


Porque dez anos se foram e os poderosos permanecem impunes e certos de que o braço da lei, par eles, é curto.


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Author: maristela
•Sábado, Agosto 09, 2008

Eu tava quietinha, no meu canto, torcendo pra não tossir, pra ficar boa de uma vez, pra Manu não desenvolver esta peste que já se manifesta pela tosse seca, quando abri o mail e achei uma mensagem de uma amiga (não dou o nome pq ela não me autorizou e nós vamos polemizar muuuuuuuuuuuito por causa do assunto!!!) que me enviava uma petição que já está com mais de 100 assinaturas. Não é nada contra as prisões arbitrárias na China, a tortura na África, a safadeza de tantos políticos no Brasil, a inflação que o Lula diz que não existe, etc etc etc. É uma petição que pede retratação de um jornalista aqui da província por causa de um texto que ele escreveu e que tem gente achando incitador de ódio e preconceituoso.
Também não vou citar o jornalista, que conheço há bastante tempo, embora não conviva com ele outro tanto. Ele escreve para um jornal que hoje é o que foram os da antiga Caldas Jr. em outros tempos. É bem lido. Tem blog também.
Pois o coleguinha escreveu uma crônica encharcada de ira porque seu fihinho, um bebê que nem anda ainda, levou uma mordida no olho, pelo que entendi de um cãozinho de alguma pessoa amiga. Como qualquer ser humano que se preocupe com sua espécie, este pai ficou literalmente furioso. E destilou seu reconhecido ódio nestas linhas.
Só que a raiva não reconhece limites e hoje eu acho que o autor, se pudesse, apagaria no mínimo metade das besteiras que escreveu e que, querendo ou não, são besteiras que ficam no ar, rodando por aí, mesmo num jornal que o sem-teto use para limpar a bunda daqui a alguns meses. Ele escreveu e ponto.
Desejou morte com tortura a todos os cães iguais ao que machucou seu filhotinho e espalhou sua bílis por todos os cantos do mundo, pessoas e atividades. E, claro, sobrou para a raça dos pitbulls, que ele deseja - como eu - ver extinta, já que fabricaram um bicho cujo comportamento malévolo fica ali, incubado, e só precisa de um empurrãozinho para se manifestar.
Imagino a dor e o sentimento de impotência deste homem que, nesta hora, é acima de tudo pai.
No mail que me mandou, minha amiga disse, com razão quem sabe, que ele não cuidou como devia do filho e atirou em quem não devia. Quem sabe? Respondi a ela que acho que este moço, como qualquer pessoa que escreve publicamente (eu, inclusive), comete muita asneira, produz textos absolutamente descartáveis e não é a primeira vez que coloca na roda temas que lhe rendem reações adversas. Mas é seu padrão de conduta e não cabe a mim questionar.
Não assinei nem vou assinar petição pedindo retratação do cara porque defendo o direito de ele escrever bobagens que, afinal, estão assinadas. É constitucional. Também porque, como já disse, acho que os pitt devem virar lembrança, começando pela castração, sem malvadezas. Ou então que cientistas inventem um jeito de recriar a raça eliminando o componente agressivo.
Tudo culpa dos homens, que, além de desenvolver um tipo de bicho perigoso, ainda os usam em rinhas e, pior, os deixam com fome, acorrentados, em becos miseráveis.
Tive, por 14 anos, um cusco chamado Pepino. Em sua trajetória de vida, ele mordeu e deixou marcas em três pessoa.
A primeira, era amiga de escola da minha filha e hoje é veterinária, filha de uma querida amiga que sempre me lê e me envia comentários e mails. Geninha era uma criança esperta, acostumada com seus cães que, uma noite, desafortudamente, ergueu o meu vira pelas patas dianteiras e ele desceu para o chão grudado em seu rostinho de querubim: faltava um pedacinho de carne na boca e, junto ao nariz, a milímetros do olho azul de Geninha, havia um risco que deixava o osso aparecendo. Achei que eu ia morrer quando, enquanto eu lavava o ferimento, ela me perguntou: "tia, será que eu vou morrer?" Não morreu, graças a Deus, seus pais foram de uma civilidade que me doeu na alma e, na mesma noite em que ela foi para o cirurgião plástico, costurar o rosto, o pai fazia o mesmo, por ter sido atropelado por um ciclista no Parcão enquanto corria. Pior: depois da sutura, me contou sua mãe, ela foi para a calçada da clínica mexer com um gato vadio que andava por lá.
Pepino mordeu, ainda, um amigo e uma ex-namorada de meu filho. Ninguém pediu sua cabeça. Porque, no fundo, o bicho não tem culpa. Continuo achando que o homem é o culpado de tudo - eu, por exemplo, deveria ter tirado o vira de perto de Geninha, a pior das vítimas, por ser, então criança.
O autor do desabafo contra o cão que mordeu seu filhinho e de todas as crueldades que listou na crônica hoje, com certeza, já se acalmou.
As cicatrizes se vão. O bebê, garanto, assim que crescer, vai querer um cãozinho.
E tudo vai se ajeitar.
Só não vejo jeito para os pobres pitbulls e para quem os criou com instinto de matar.
E, vou contar a vocês, ando com uma saudade do meu cachorro mordedor, que é mais uma lembrança numa manhã de sol, em cima de um tapete que, como ele, já se foi.

E PARA TODO MUNDO QUE É PAI DE GENTE, DE CACHORRO, DE IDÉIA, NO PASSADO, PRESENTE E FUTURO, UM ABRAÇO GRANDE.
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Author: maristela
•Terça-feira, Agosto 05, 2008


Devo ter dormido embalada pela tosse, essa noite. Tossi tanto, mas tanto, que acordei com uma dor absurda no peito, na barriga e na garganta, como se tivesse feito centenas de abdominais. É a segunda virose ou bacteriose, sei eu lá, que me pega em menos de 20 dias. Parece que atraio.
Voltei para a amoxicilina, única coisa que resolve pra mim, e para um descongestionante, repetindo a receita do médico. Podem criticar por me auto-medicar, mas a última vez em que fui para o plantão de emergência de particulares e convênios da Santa Casa, fiquei plantada mais de seis horas e quase que me esquecem por lá, não tivesse eu levantado e ido atrás de radiografia e médico.
Esta fragilização me inquieta e me irrita. Vejo os sem-teto aqui de perto, tomando cachaça dia e noite, dormindo de pés descalços, mal e mal uma calça e uma camiseta em cima do corpo, sobrevivendo melhor que eu.
Eu, que mal saio à noite, que vou do trabalho para casa e vice-versa, que cuido alimentação, vento encanado, durmo de meias e tudo. Que merda!
Ando meio de bronca com algumas coisas da vida, de novo.
Sábado, na madrugada, depois de ter passado aspirador e lavado a casa toda, além de passar lustra-móveis, cozinhado, lavado louça e roupa, resolvi ver um filminho no canal pago.
Eis que, senão quando, o que vem, pelo corredor, passando diante da porta, em direção aos quartos? UM RATO!No que levantei, ele voltou para a sala e pulou pela janela. Me deixou, porém, uma herança de medo e raiva. E lá fui eu revirar canto por canto.
Encontrei, às 3 da manhã, fezes entre caixas com discos de vinil e documentos, no quarto de empregada transformado em despensa.
Lavei, limpei e, dia seguinte, continuei a saga. Eliminei metade do que ali havia, abri espaços, realoquei coisas.
E o que ganhei? Dores.
Nas panturrilhas, de subir e descer escada.
Nos braços, de carregar tralhas e de varrer e lavar.
Rinite, por mexer não só em poeira mas, com certeza, mesmo que de luvas, no cocô deste bicho amaldiçoado que tem tanto esgoto pra entrar e escolheu minha casa.
Deixei um bilhete para o sub-síndico, já que a síndica não vejo há mais de mês, pedindo que providenciasse desratização.
Ok. O prédio é velho, já houve coisa semelhante antes, em outros apartamentos. No meu, o bicho não passara da despensa e, na caçada, escapou.
Mas no meu corredor, indo para os meus quartos, é muita afronta!
Quando isso acontece, me dou conta que somos menos que o cocô do rato e que eles, as baratas e todas as pragas, sobrevivem, debaixo de nossos pés, graças à imundície que produzimos a cada minuto, como civilizados.
Estou chateada.
E doente.
E em falta, de novo, com todos os que me visitam.
Me perdoem.
Assim que melhorar, vou ao blog de cada um.
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