Author: maristela
•Domingo, Junho 29, 2008
Eu queria começar a semana com um post legal, positivo. Cheguei a pesquisar a história do pai que concorre, há anos, em triatlo, carregando o filho de hoje quarenta e tantos anos portador de paralisia cerebral. Este é um exemplo absolutamente maravilhoso de amor paternal e de superação. Vi no Fantástico e fiquei me sentindo a pulga do cocô do cavalo do bandido com minhas choromelas.
No entanto, à tarde eu havia visto, num programa da Record, um concurso para meninas de "comunidades" destinado a "descobrir" novos corpos para as passarelas e para o tal mundo fashion. Contra o qual nada tenho - a não ser o fato de colocar ninfetas se expondo, mundo afora, tudo em nome do sucesso, da "beleza" e desta coisa etérea e cada vez mais indefinível que se chama talento.
A intenção pode ser boa - dar oportunidade para uma pobre garota de favela e, por conseqüência, para toda sua família. Mas me deu mal-estar ver aqueles bandos de meninas (na faixa dos 13, 14, 15 anos - apenas uma disse ter 20) produzidas da melhor maneira possível com aquele olhar entre medo e esperança de ser "a escolhida".
Meu Deus! Vamos ser honestos e realistas! Quantas, destas que andam por aí ganhando zilhões em troca de algumas horas de "sacrifício" em estúdios ou ao ar livre saíram da pobreza absoluta e "chegaram lá?" Quem falar Luiza Brunet, que adora relembrar que foi empregada doméstica, me perdoe, mas está enganado: ela não saiu da cozinha para os flashes. Foram muitas e muitas "relações" até ser como se adora dizer descoberta.
Há exatos 11 anos, época em que eu era colaborada freqüente da revista Cláudia, eu via aquelas matérias ditas "humanas", feitas por jornalistas free lancers como e que eram do tipo "minha cirurgia plástica" e outras quetais. Pois resolvi oferecer uma pauta diferente: eu faria, sem revelar que era para uma reportagem, um curso de modelo e mostraria os bastidores desta procura pelo lugar ao sol, algo que no final dos anos 90 estava começando a virar mais que moda no Brasil. Eu tinha 44 anos.
Durante duas semanas, freqüentei, como uma candidata qualquer, o curso de uma moça que já tinha tido sua breve fase de sucesso nas passarelas e estava já entrando na curva do sumiço. Mas era o único curso disponível então.
Eu ainda resolvi participar das duas turmas - a da noite e a da tarde, para ver como era cada uma e como cada uma delas reagiria à presença de uma senhora baixinhae gorducha querendo aprender a ser modelo.
A "realizadora" deu o ar da graça apenas duas vezes: na primeira aula, com seu show exibicionista, diante de papais e mamães ansiosos, e ao final, quando "júris" avaliaram nosso desempenho, diante de mil promessas de contrato até com uma emissora de tv.
Tive "aulas" de maquilagem, de passarela, de comercial (interpretei, com brilho, aquele texto que dizia dois "hamburguer", alface, queijo e um molho especial....e um pão com gergelim, lembram???) e nem sei mais o quê e, para surpresa geral, ao final fui uma das selecionadas.
Claro! O mercado precisa de senhoras de meia-idade, afinal.
Como não era esse meu objetivo (como fui burra!poderia hoje estar com um bom reforço na aposentadoria), me revelei como repórter para a moça-dona-do-curso que não gostou muito, mas ficou firme, e passei à fase final: montar um book, levá-lo em agências e participar de um desfile, para complementar a matéria.
As fotos para o famoso book foram feitas por uma colega, em estilo sóbrio-chique, em branco e preto, muito bonitas. Fui a duas agências, uma delas a Ford, onde a moça primeiro levou a coisa a sério e me disse que as fotos eram boas mas tinham um senão: em nenhuma delas eu mostrava... os dentes! Então, seria muiiito difícil um booker ou um produtor de comercial avaliar meu material! Tive de me segurar para não rir!
O desfile foi a fase final: eu, naquela confusão de bastidores, tudo registrado para a edição. A matéria saiu com o título Modelo aos 44, em quatro páginas, com meu diário da experiência.
Hoje, passado tanto tempo, me divirto relendo e revendo o que fiz.
Do que mais lembro é que, naquela tensão toda de primeiro dia de aula, enquanto esperávamos a entrada em cena da promotora do curso, um garoto (sim, havia meninos!!!) me perguntou: "A senhora é a instrutora?"
Por isso, quando vejo programas de tv que tentam descobrir uma cinderela em meio a barracos, como assisti esta tarde, me dá uma vontade de virar ditador e dizer: chega, vão fazer concurso de conhecimento geral, de legislação, de ecologia, de ética! Peloamor de Deus: com tanta arte para ensinar (dança, teatro, música, olhem o exemplo de Heliópolis), vão logo pelo lado da maldita vaidade que mais bota garotada a perder do que a ganhar?
Por que este sonho que é para tão poucos e dura tão pouco?
Pois é. Não deu pra começar a semana com bom humor como eu queria.
Quer dizer: dá pra rir, sim. Da minha experiência de "modelo aos 44".


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Author: maristela
•Quarta-feira, Junho 25, 2008
Engraçado o mundo virtual. Eu jurava que o post sobre dona Ruth Cardoso e sua morte iria receber muitos comentários, contra ou a favor. Não recebeu nenhum.
No entanto, os anteriores, o que eu falava no reencontro com o meu velho amigo Tacho e aquele em que choraminguei minhas mágoas, ainda estão me rendendo não só comentários mas mails de pessoas com quem há muito não falo. E mais: com quem pouco convívio tive.
Até bronca recebi, como da Chica Françoise, esta minha amiga franco-hispano-brasileira, minha irmã há mais de 30 anos, que pouco vejo mas que parece que está sempre à minha porta, ao alcance de meus chamados.
Pois ela ficou zangada porque eu me disse sozinha em minha briga com Deus. E lembrou que não estou, que ela estava presente "até com cachorro no colo", citando o dia em que passou aqui e teve de aturar o Occhi convalescendo de suas convulsões e cirurgia, com muitas lambidas e manhas.
Também a Débora Magalhães, arquiteta com quem trabalhei na Secretaria da Cultura e com quem viajei Rio Grande afora, em muitas e divertidas (e também, muitas vezes, sacais) empreitadas pelo patrimônio histórico deste Estado, ela como diretora de instituição, eu como coordenadora de Comunicação. Me enviou um mail transbordando de carinho, ela que tem uma família grande para cuidar, mãe adotada (e não o contrário) pelos três filhos de seu grande amor, avó real e não postiça, como a vida poderia querer. Grande Débora!
E mais ainda me surpreendeu o mail que o Carlos Schmidt, um dos maiores empreendedores culturais deste Estado e quiçá do Brasil, que no peito e na coragem, junto com sua mulher, a Aiko, criou o cine Guion, que hoje se multiplicou (quem descer no Salgado Filho, vindo para ou indo embora de Porto Alegre, não pode deixar de desfrutar daqueles cinemas) e implantou nesta cidade o conceito de cinema de qualidade. Pois o Carlinhos, como sempre o chamei, me mandou um lindo texto falando estas loucuras da amizade, do vaivém das relações, da nossa inércia forçada em não cultivar tantas boas coisas semeadas.
A Nilza Scotti, colega de velhas jornadas, me chamando pelo gmail para me pedir que eu continue escrevendo!
O Alexandro, meu primo querido, irmão da Helena, minha prima-irmã no real sentido do termo, que pouco vejo, me mandou um pps sobre as alegrias da meia-idade, um texto divertidíssimo que me fez pensar que sim, há vida depois dos 50 e nem tudo é dor nas juntas e resmungos.
A Zezé, outra prima cujo ouvido gasto no telefone, contando das minhas inquietudes e com quem sempre termino dando muita boa risada, porque tudo o trágico traz sempre, embutido, a comédia e nós duas sabemos usar isso a nosso favor, graças a Deus.
O Nilton Filho, sobre quem já escrevi aqui, diretor de teatro, empreendedor, o cara que há mais de 15 anos segura, sozinho com o Hyro Mattos, um espaço cultural inteiro, sem ajuda de ninguém, me telefonou para dizer que o nosso amor continua intacto, que estamos sempre conectados e me chamando para um concerto que, infelizmente, ficou só na minha vontade de ver, de uma ex-aluna dele, a Regina Machado, que se formou em Canto pela Ufrgs.
O Sean, que há dez anos ouve pacientemente meus chororôs e me dá diretrizes, sem mãozinha na cabeça, me tratando como adulta que eu deveria ser.
A Márcia, curta nos comentários, mas direto no ponto.
A Christa, me fazendo ver que família é loucura mas que sem ela, nada existe.
A Vicky, parceira de fome pela França e Paris, que me arrastou prum cafezinho, com o Eugênio e a Naná, e, mal recebe meus mails, me responde na hora: "fica firme, não desiste", e me manda imagens lindas que lembram nossas viagens, sem desistir de mim apesar de meus sumiços.
A Bernadete, que mandou entregar aqui em casa uma máscara veneziana com pedras em amarelo ouro, como eu gosto, porque não pude ir no jantar para o qual ela me convidou porque meu pai tinha colocado o holter e eu tinha de ficar de olho.
O Dudu, que me puxa para sua casa mesmo depois de eu ter furado uma dúzia de convites. E ainda cozinha prá mim.
Realmente, eu sou privilegiada. Tenho amigos reais, mesmo no universo virtual, e reais próximos, que não vejo diariamente, com quem não sento para um cafezinho, mas que surgem assim, num zut, como diriam os ... franceses (ok, ok) e me pegam pela mão.
Sem falar no Bill, que me atola em mails e comments engraçados que é pra eu deixar de lado o beiço e rir um pouco, no Emanuel com sua generosidade, e mais Betty, Odele, Lucy, Grace, Vladimir (que me mandou o msn e diz que me lia no tempo da finada Folha da Manhã!!!!), Neutron, Ana, Rosa, Guilherme, enfim, todas essas criaturas fantásticas que conheci neste mundo de faz de conta que é tão real. E até o misterioso e crítico Hermenauta, em geral silente, que me mandou uma piada sobre loira que ele jura que é real, embora a loira seja morena. Do que é mesmo que eu estava me queixando esta semana?
Acho que a Divindade resolveu me dar de régua nos dedos....

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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 24, 2008


Ruth Cardoso morreu.
Morreu, na verdade, uma mulher-exemplo: intelectual, criadora de programas sociais imitados, copiados, "adaptados", MAS JAMAIS IGUALADOS.
Morreu uma primeira-dama que MERECEU E MERECERÁ SEMPRE ESTE NOME. Longe das vaidades dos preenchimentos labiais, das roupinhas "rejuvenescedoras", dos estica-e-puxa de pele que transformam umas e outras em réplicas do Coringa, aquele do Batman, dona Ruth deu orgulho ao Brasil.
Dona Ruth!
Ela merece o tratamento Dona: longe das festinhas juninas palacianas, soube entender e prestigiar a cultura popular.
Discreta.
Trabalhadora.
Eficiente.
Culta.
Ciente de seu conhecimento, segura do que podia ensinar.
Uma mulher que viveu a história como protagonista e nunca como coadjuvante
.
Dame Ruth Cardoso.
Em meio a tanta "primeira-dama" que nos envergonhou (e envergonha) por suas exposições de vida pessoal vexatória, ignorância e total falta de cultura e educação, falta de noção entre o público e o privado e também fazendo papel de boba da corte mandando construir jardinzinhos em forma de estrela, DONA RUTH É PRIMEIRA DAMA. É E SERÁ.

Dilma e sua gang, Lula e seus asseclas, Tarso e seus fantoches, este governo corrupto, ridículo, feito de gente sem letra e sem lei, devem todos estar felizes!
Aproveitem!
Um dia, tudo isso vai passar. E vocês também passarão!
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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 24, 2008

Um mail pode mudar não a vida da gente, mas o foco.
Estava eu, até pouco, cabisbunda e meditabaixo (vide post abaixo), quando eis que se não quando recebo um mail absolutamente inesperado de um ex-colega e ainda amigo de quem sei a toda hora mas com que há uns bons dez anos não falava.
O mail veio em busca do telefone de uma amiga comum, a jornalista Helena Lemos, que eu designo minha mãe profissional (com ela aprendi a escrever para jornal, a enfrentar o desafio de aprender sobre teatro para poder ser setorista e comentarista de artes cênicas além de muito, muito mesmo, sobre fidelidade e solidariedade). E, antes que me esqueça, tenho um pai profissional, Luis Figueiredo, meu primeiro chefe, que me ensinou tudo sobre rádio, sempre me acolheu em minhas andanças sai-volta de veículo e que, desgraçadamente, partiu não faz muito.
Enfim. Quem me escreveu o mail foi o Tacho, um grande chargista, figura exemplar como ser humano, que foi diagramador no Correio do Povo quando eu lá trabalhei sob o comando do Tuio Becker, outro que Papai do Céu chamou antes do tempo.
Mandei o telefone e escrevi, feliz da vida pelo contato, prevenindo-o: não sabes a besteira que fizeste mandando este mail!
Agora, estou AINDA MAIS feliz da vida: reatei um laço que o tempo, a preguiça, a frouxidão da vontade havia desatado. Vou mais além: ontem à tarde, depois de uma longa catilinária, de aspirador de pó na mão, com humor abaixo da linha do rodapé, sentei na minha caminha e rezei. Rezei não! Briguei com o Senhor!
Primeiro, pedi forças, ajuda, coragem, essas coisas que, quando o tempo fecha a gente se lembra de fazer. Mas encerrei a conversinha com a divindade dando uma bronca, rezingando que ora, onde já se viu, tanto filho da mãe que nem crê em nada se dá bem e euzinha ali, sofrendo, sem ver luz no fim do túnel nem com holofote de show.
Aí, dei um ultimato: se vocês aí de cima existem, meeeeeesmo, alguma coisa boa vai acontecer, algum contato, algo que me mostre que não estou sozinha e abandonada cá embaixo.
Além dos comentários que alguns amigos deixaram no meu post-lamúria, veio o mail do Tacho.
Ele, com certeza, nem pode avaliar o quanto este contato me ajudou.
Engraçado que ontem, à noite, tentei organizar a babel de papel (ih, rima podre!) que tenho nos armários do quarto e localizei correspondências com amigos (um antigo, outro novo, na época, e faz dez anos) que terminaram melancolicamente.

Pois veio o Tacho resgatar minha crença na amizade, na fluidez do tecido do tempo que a gente rasga assim, com um simples toque de teclado, buscando o outro, reativando sentimentos.
Então, se ontem eu estava a própria imagem do personagem aquele de desenho animado que só diz ó vida, ó dor, hoje estou bem mais animada. Com o afeto recebido nos comments deste blog e com o mail do meu querido Tacho, de quem reproduzo parte de um dos mails, pra vocês terem idéia sobre quem é e para que não deixem de ver, degustar e aproveitar o que ele desenha e que vale mais que um milhão de letrinhas.
"Maristela,
tentei ligar para Helena mas ela não estava. vou tentar novamente. Eu conheci Helena na parte mais conturbada da vida dela. Qundo o marido morreu e ela foi trabalhar no Correio. Depois do jornal ia para o palácio. Os filhos ligando. Um sofrimento que só enxergo agora. não sei de onde tirou tanta força. Ficamos bons amigos. Com todo o sofrimento ela mantinha um humor refinado.
O Figueiredo era uma figura. Nós dois ficavamos dizendo bobagens o tempo inteiro. Um dia eu estava indo embora e inventei que iria buscar minha mãe no aeroporto. ele perguntou de onde ela estava vindo. Eu disse: - Que nada! Ela tem um carrinho de pipocas no Salgado Filho. Vou lá ajudar ela a botar dentro da kombi... Ele teve um ataque de riso
Estou casado há 22 anos com a Nara. Minha filha, a Heleninha, faz 19 em julho. Te leio na Coletiva. e as vezes te leio no Emanuel. Te lendo achei que tu está mesmo cheia de mágoas. Espero que isto passe. Se não passar descarrega na na literatura mesmo. Mau humor também é humor.
Vou ler o teu blog. Quem bom que tu mandou este email. Temos amigos em comum neste plano e no outro. Tu arrumastes uma sarna para se coçar, também.
Desculpe este texto cheio de erros. Afinal de contas eu sou só um chargista. Sempre desconfie de um adulto que desenha como criança.
bj
Tacho"


Então. O último a ver as charges do Tacho é mulher do padre, como se dizia antigamente e, do jeito que anda a Igreja, acho que continua sendo ofensa. Pesada.
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Author: maristela
•Segunda-feira, Junho 23, 2008
Meu amigo Emanuel Mattos me perguntou, neste findi, o que estava acontecendo porque eu andava postando pouco...em relação ao que eu postava normalmente.
Falei do meu pai, a cada dia mais fragilizado, e da minha fragilização diante desta situação aparentemente insolucionável.
Na verdade, disse meia verdade.
Há tempos em que a gente pára e se pergunta a razão de continuar andando, falando, pensando e até vivendo.
E de ter um blog. Ou três blogs, por exemplo.
Sei que estes posts pessoais pouco interessam, valem como descarga de eletricidade pessoal.
Mas vou em frente assim mesmo.
Tempo enjoados, estes que tenho vivido.
Apesar dos filhos fantásticos, de ter casa, comida e roupa lavada, de estar bem na vida perto de tantos, ando naquela fase fezes - tudo incomoda, como uma felpa embaixo da unha que a gente não consegue tirar.
Não tenho perspectiva de nada, atualmente. Tudo pouco se me dá.
Vejo o mundo por uma janela com vidros baixos, o som chega filtrado, a luz, tudo. É uma percepção entre o real e o irreal.
Tenho vários livros começados, muitos deletados, outros tantos nas primeiras páginas.
As idéias parecem coisas incômodas e desinteressantes.
Os amigos chamam mas não dá vontade de ir até eles.
O ressentimento em relação aos canalhas que se dão bem começa a agulhar a alma e isso é ruim.
O) frio, que eu tanto queria, está me entorpecendo e me acumulando sentimentos pesados por dentro.
Se eu fosse um suicida em potencial, com certeza já teria agido. Não sou. Sou covarde.
Fui criada com a idéia de que temos muitas vidas e que o que deixamos mal feito numa vamos ter de recuperar na outra.
Mesmo assim, minha porção religiosa está oca. Só consigo rezar pela metade, acreditar pela metade.
Espero, quem sabe, um grande milagre, uma virada sensacional que não virá, eu sei.
Algo que vai poder me mobilizar e dizer: uau, como a vida é maravilhosa e eu não estava enxergando.
No momento, descaradamente, escrevo. Escrevo isso tudo que nada interessa a ninguém, eu sei, pra ficar um pouco menos borderline.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Junho 20, 2008
Eu sei que muitos vão dizer que temos problemas demais para resolver, favelas, crianças abandonadas, subnutridas, violadas, humilhadas, esquecidas por este Brasil afora.
Eu sei que a maioria de nós pouco ou nada faz para mudar esta situação, centrados que estamos no nosso umbigo diário da sobrevivência, abrindo a asa para proteger nossos rebentos, o que já é uma tarefa hercúlea nestes tempos de incentivo à drogadição, à pornografia e à corrupção sob todas as formas.
Mas se nos consideramos da mesma espécie, o que dói em um deveria doer em todos.
A Grace Olsson permanece em sua profissão de fé pela família humana e, por alguma razão muito especial, plantou seus pés e mãos na Africa, para onde dirige seus olhos e sua força cheios de carinho.
Vamos olhar, pelo menos neste dia, para estas pessoas com o mesmo filtro da Grace.
Convido todos para também deixar uma mensagem no youtube. A Grace e seus retratados merecem.

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Author: maristela
•Quarta-feira, Junho 18, 2008

Recebi por mail, da prima Zezé, e não "arresisti" a postar.
Agora, decidam se assim é ou não mais barato! E autêntico!
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Author: maristela
•Segunda-feira, Junho 16, 2008


Frrrrrrrrrrrrio!
Muiiiiito frio!
Neste momento (22h59min) são apenas 8.6 graus centígrados.
Frio de renguear cusco, como se diz nestas terras.
Eu, que em pleno verão, não abro mão do edredon para dormir, acordo com os ossos moídos pelo peso das cobertas: um cobertor (grosso, comprado no Uruguai), um edredon médio e outro, do tempo da Mesbla, pesadésimo e quente.
Os vidros das três janelas baixos (só uma frestinha, em uma delas, para renovar o ar, como diz minha sábia mãe), porta do quarto fechada e, assim mesmo, na arrancada, aquele mergulho na cama, entro de casaco de lã que só tiro quando o corpo esquentou.
Meinhas de lã, que ganhei da prima Zezé, feitos pela mana dela que mora nos Estados Unidos, uma graça, de crochê, com pompons! Luvas ainda não usei... esse ano!
Não! Não tenho ar condicionado e não gosto de aquecedor.
Mas rezei tanto pelo inverno que tranco a boca cada vez que me dá vontade de clamar contra este gêlo austral.
Enfim. Inverno gaúcho é assim e pronto. Pelo menos tirei o cheiro de mofo do casacão (manteau é coisa de Sex and the City) e das pashminas e mantas enchem uma prateleira.
E tenho tido um grande prazer em caminhar, 40 minutos por dia, com Occhi e Dodô, indo de minha rua até quase o centro da cidade, coisa que eu não fazia há muito.
O diabo é o banho. A água solta fumaça mas, quando bate nas costas, já está morna. O banheiro é frio, porque a basculante não fecha (faz anos) e a gente tapa com toalha grossa e uma placa de isopor (podem rir!!!).
E lavar louça tem sido supliciante, mesmo com luvas.
Isso que me considero uma grande dona de casa. Adoro passar um aspirador, depois um pano com destak no parquê antigo, complementar tudo com um bom lustra-móveis cheirando a jasmin ou lavanda.
Mas, hoje, me superei. Consegui queimar ovos que tinha colocado para cozinhar. Queimei a panela. De inox.
Tudo por culpa da internet, dos blogs, dos sites, desta fome por me manter ligada neste mundo que nos une e nos separa pela rede invisível, a tal web.
Agora, tomei meu chazinho de morango e vou me recolher.
Até o super Arthur, o gatão de quase dois anos de idade que mora aqui ao lado, já dormiu - ele que anda impossível de noctívago!
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Author: maristela
•Quinta-feira, Junho 12, 2008

As madrugadas nos reservam surpresas. Nem sempre. Mas, às vezes, trazem inquietação até ao se pegar um livro ao acaso, na biblioteca, para fechar o dia e chamar o sono.
Foi o que aconteceu nas primeiras horas desta friiiiiiiiiiiiiiia quinta-feira, quando puxei, da prateleira, Casanova, Uma Nova Perspectiva, que o diplomata americano J. Rives Childs levou mais de dez anos para escrever (e foi publicada depois que ele se foi) e que eu li há tanto tempo que, claro, já esqueci quase tudo.
E já ia eu levando Casanova e Childs para a cama quando caem, a meus pés, duas notas de dinheiro. Uma de 500 cruzados novos, com a carinha do Augusto Ruschi. A outra, de 200 cruzados novos já carimbada de 200 cruzeiros quase em cima da imagem da República em seu I Centenário.
Fiquei olhando aquelas notas que nada mais valem e primeira coisa que pensei: quanto não me fizeram falta na época, se escondendo em meio às trezentas e tantas páginas sobre a vida do Giovanni Giacomo, o chamado homem de muitos amores!
Me deu uma raiva fora de lugar encontrar essa grana!
E me bateu uma curiosidade que jamais vou matar para saber a razão de eu ter guardado ali aquelas notas e qual a sua finalidade: pagamento de alguma conta? Quem sabe a compra de alguma roupa nova? Ou brinquedos para os filhos? Supermercado?
Confesso minha preguiça para buscar converter o que valeria, na época, este dinheiro.
Folheando, depois, mais calmamente o mesmo livro, tive novas surpresas: um tíquete do ingresso para a apresentação da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, dia 16 de outubro de 1995, e, nas costas, minha anotação: "20 anos de Eva Sopher no TSP".
Havia, ainda, dois ingressos inteirinhos, sem carimbo, para Ade-Até, dia 29 de setembro, com patrocínio do Goethe Institut. Que eu não vi, sabe-se Deus o motivo!
Tenho achado muitas coisas dentro de livros.
Desenvolvi este (mau?) hábito não sei quando. Tem de tudo - de convite para coquetéis a laudas de rádio - uma delas marcou para sempre meu exemplar de A Big Loira, da Dorothy Parker, que resolvi ler em lugar do grandalhão Casanova.
Lembrei, agora, que, faz tempo, numa Feira do Livro em que eu fazia um "frila" para o Jornal do Comércio, tive de entrevistar Lair Ribeiro. E ele me deu uma nota de 1 dólar (distribuía para quase todo mundo, então) para eu me fixar digamos neurolingüísticamente em ser bem-sucedida.
Me interessei tanto que perdi a nota! Achei há alguns meses, dentro de uma velha carteira de motoristas.
Vai entender!
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Author: maristela
•Segunda-feira, Junho 09, 2008


Foi bem assim como vou narrar.
Eu estava em casa e resolvi convidar meu pai para dar uma volta no Shopping.
Mas resolvi ir a pé. Correndo como se tivesse 12 anos. Eu e um dos cachorros.
Quando ia entrando no estacionamento do lugar (sei lá por qual razão entrei pelo estacionamento, acho que condicionamento), chamei pelo pai e ele não respondeu.
Só aí me dei conta que eu tinha saído voando, sem ver se ele me acompanhava.
Quando estava querendo voltar em casa para pegar meu pai, passei na frente do restaurante que tem um salão de baile com enormes janelas de vidro. Um salão de paredes de madeira macho e fêmea.
Alguém bateu na porta, também envidraçada, pelo lado de dentro do salão e me chamou, assim, com o dedo em gancho e me deu uma piscadela. Entrei e aí que vi que eu estava com aquele vestido branco de cambraia, cintura franzida, corpete justo e alcinha.
O filho do dono do salão me chamou para assinar o livro de danças e eu sentei, cansada que estava, tirei as sandálias de tirinha branca, também, fiquei à vontade, de pés descalços.
Ele me disse que, como eu estava atrasada, e o pai não tinha chegado ainda para dançar comigo, como a gente sempre faz, eu teria de dançar duas músicas extras. Com ele.
Eu concordei, rindo e já ia botando as sandálias para sair e ele me disse que não, que eu dançasse descalça para mostrar a ele se eu conseguia dançar música "separada".
Alguém ligou o som, colocou luz colorida, e nós dois demos alguns passos de rock em roll.
Ele estava elegante, como sempre, de summer branco. Como o pai dele, que estava sentado à mesa, com o livro de presenças.
Olhei pela janela e vi o pai chegando. De blazer branco, camisa de jabô e gravata borboleta branca. Não consegui enxergar com quem o pai vinha de braço, todo faceiro, cabelo molhado e penteado pra trás. Cabelo bem preto.
Como ele tinha, até pouco tempo. Ondulado. Brilhoso.
Ele, todo orgulhoso, chegando para o baile.
Meu par. Meu pai.
Foi o que sonhei esta madrugada.
Acordei e anotei o que pude.
Foi um sonho muito bonito. E eu estava tão feliz!
Meu pai nunca usou blazer branco, camisa com jabô, gravata borboleta.
Pelo que sei, só dançava nas bailantas do interior, em meio a peões e moças simples, levando o sapato limpo na mão, para trocar pelas botas embarradas pelo trajeto em estradas de chão.
Meu pai nunca dançou comigo. Agora, mal se locomove.
Eu nunca tive um vestido branco como o do sonho. Tive outros. Mas como aquele, não.
E acho que nunca fui tão genuinamente feliz.

Milton Nascimento - Bailes da Vida, 1991
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Author: maristela
•Sábado, Junho 07, 2008

Eu não tinha visto os tais comerciais da C&A para o Dia dos Namorados que foram tirados do ar pelo Conar e que se intitulava "Papai e Mamãe Não".
Vi, há pouco, no site do Brainstorm9 e achei, realmente, além de déjà vu, de um grande mau gosto e de uma descarada apelação junto à garotada que compra muiiiito neste magazine de modinhas e preços baixos.
A empresa estaria refazendo os comerciais para não perder o trem, já que nesta época vende realmente muito bem suas roupinhas "sexies" do tipo lave uma vez e jogue fora.
Vi comentários de ditos publicitários ou aspirantes a isso, no tal site, indignados com um retrocesso, com a censura etc e tal. Outros, apenas falando mal do estilo, da breguice.
Houve um idiota que até falou que esse comercial, na Holanda, sede da multinacional que detém a marca, seria coisa para criança.
Parece que as pessoas não estão realmente se dando conta da gravidade do momento em que vivemos.
Nesta sexta, um procurador de Estado foi preso acusado de pedofilia. As prisões estão se sucedendo aceleradas e a lista envolve gente de grana, empresariado, policiais (olha o desgraçado aquele que se matou quando foi descoberto, lá em São Paulo) , há uma comissão no Congresso tentando neutralizar o efeito das comunidades de relacionamento, em especial no Orkut, que vivem desta tragédia moral que é a exploração sexual até de bebês.
E tem cafajestes que defendem um comercial de claras intenções de incentivo ao erotismo juvenil por achar que ele é inofensivo!
Acho que pais e familiares estão sedados pela indiferença neste país.
As coisas estão acontecendo muitas vezes no quarto ao lado e tem gente fechando os olhos para não se expor e até por peninha daquele tio velho ou avô que, coitado, é doente mental, um tarado que não tem culpa de meter a mão na sobrinha ou na neta.
Vamos mal, muito mal.
E pobre da nobre classe das enfermeiras, sempre usada como símbolo de fetiche pelos maus publicitários!

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Author: maristela
•Sexta-feira, Junho 06, 2008
Eu queria encerrar a semana no blog com esta visão romântica de Paris, que postei há pouco, para uma relaxante viagem virtual.
Aí, inventei de ir ao Terra e li uma manchete que me deixou de bunda no chão.
Reproduzo aqui o texto e proponho boicote aos cartões de crédito.
É uma safadeza sem fim o juro em cima de juro.
Na hora de pegar cliente, os caras só faltam carregar a gente no colo.
Quando o pagamento atrasa, a fornalha do inferno é acesa imediatamente e aí ninguém mais é cliente, é apenas devedor, trambiqueiro, desonesto e sujeito às tais leis do mercado.
Para completar, os nobres juízes, cujos salários devem permitir uma dezena de cartões de crédito no bolso, dão força para esta canalhice.
Pior: tem coisa que só se consegue comprar com cartão de crédito, como o próprio crédito pra skype e passagem de avião. Elitismo? Uma ova: obstrução ao direito do cidadão em escolher como quer comprar.
Enfim.
Taí a notícia.

Invertia

Últimas Notícias

Sexta, 6 de junho de 2008, 15h51
Fonte: Redação Terra
Justiça
STJ considera legal "juros sobre juros" em cartão de crédito
Atualizada às 16h35


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta sexta-feira que é legal a incidência de juros sobre juros em contratos de cartão de crédito. A decisão foi tomada dentro do processo em que um banco do Rio Grande do Sul requeria o direito de cobrar dívida de um cliente que questionava a prática na Justiça.
A incidência de juros sobre juros, também conhecida como capitalização de juros, é quando a taxa de juros de um empréstimo incide não somente sobre o capital emprestado, mas também sobre o valor monetário, em juros, acumulado anteriormente.
Como exemplo, um empréstimo de R$ 100 para pagamento em quatro meses com taxa de 5% ao mês. No fim do 1º mês, quem tomou o dinheiro emprestado vai estar devendo R$ 105. No final do 2º mês, a taxa de juros incidirá sobre R$ 105 e não sobre R$ 100 e assim sucessivamente até o fim do período do empréstimo.
Pela decisão, os ministros consideraram o cartão de crédito uma espécie de conta-corrente em que pode haver saldo líquido passível de cobrança de juros sobre juros.
O voto da relatora,
Nancy Andrighi, foi seguido pela maioria dos ministros da seção.
Segundo o STJ, o caso chegou ao colegiado do tribunal por meio de um recurso chamado "embargo de divergência", no qual o banco informou que havia entendimentos diferentes sobre o mesmo tema sendo aplicados pela 3ª e 4ª turmas do STJ, especializadas em direito privado.
O banco recorreu ao tribunal superior após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul entender que não havia previsão em lei para a cobrança de juros sobre juros na modalidade de cartão de crédito. A decisão da instância inferior foi mantida então pela 4ª turma do STJ, o que levou a instituição financeira a impetrar o embargo de divergência.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Junho 06, 2008

Clique aqui e passeie por uma boa parte de Paris.
Atenção às molduras vermelhas! Elas escondem imagens surpreendentes!
Bon voyage!
E bom voyeurismo!!!!
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Author: maristela
•Quinta-feira, Junho 05, 2008


Estou Cansado *

(Álvaro de Campos)

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —

Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

*Betty me mandou este poema do heterônimo de Fernando Pessoa ao final de um mail.
Hoje, precisei publicá-lo.
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Author: maristela
•Quarta-feira, Junho 04, 2008
Pois hoje prescreve um crime que abalou Porto Alegre e, em especial, as pessoas que conviveram de perto com a vítima, o jornalista José Antonio Daudt.
No início deste ano, escrevi, no meu espaço do Coletiva.Net, um texto-memória, mais sobre o Daudt que sobre este crime misteriosamente não resolvido, em que pese tanto "esforço" para solucioná-lo.
O Emanuel Mattos, meu amigo, meu colega, também contemporâneo do Daudt, em seu blog, hoje, reproduz meu artigo e também o comentário que fez no Coletiva na ocasião em que o publiquei.
Neste domingo, Zero Hora, que integra o grupo de comunicação gaúcho a que Daudt esteve sempre ligado, apesar de também ter atuado na então TV Difusora, hoje Bandeirantes, concorrente da RBS, fez um apanhado de dados sobre o caso e deixou de fora, inexplicavelmente, o programa de rádio que Daudt conduziu e eu produzi desde o início até minha saída, que o contariou. O programa se chamava Tribuna Gaúcha e o próprio nome foi escolhido por Daudt.
No entanto, não deixa de comentar sobre a homossexualidade de Daudt e seus esforços para manter esta opção sem torná-la pública, direito que tinha e tem.
Coisas do jornalismo "muderno": faltam informações concretas, mas sobra sensacionalismo. Como aquela pobreza de dizer que Daudt morava no bairro chique do Moinhos de Vento, quando, na verdade, basta passar diante do edifício, ele morava modestamente num edifício simples, sem luxos. Enviei mail ao diretor de redação de ZH, Marcelo Rech, alertando para a incorreção, mas não mereci ao menos uma mensagem automática.
Mandei um comentário para a edição virtual que foi publicado na segunda feira mas hoje já foi retirado. Para registro, deixo aqui abaixo o que reclamei. Um dia, alguém lerá, no futuro. É só clicar na imagem e ler.

Reproduzo, aqui, também, a imagem da página do Emanuel, com seu texto desta quarta-feira e os comentários. Também é só clicar para ler ou ir até o blog e desfrutar de boa leitura de sempre.

E, a seguir, a imagem e a íntegra do meu texto no Coletiva.
Tudo isso, que é pouco, é minha homenagem ao Daudt, um injustiçado.

Coluna de Maristela Bairros
08/02/2008
Daudt: 20 anos de ausência
Este tem sido um verão de muita mexida em livros e material impresso que atulha minha casa. Esta semana, desencavei do fundo de um armário a minha coleção de revistas Imprensa e deixei à vista, para ir lendo as que nunca foram lidas e reler as que já o foram. Ontem à noite, por acaso, deixei ao lado da cama a edição número 11, ano 1, que custava 250 cruzados, e que foi publicada em julho de 1988. Na página 32, me deparo com uma foto de José Antônio Daudt, com seu tradicional blusão de lã cashemire de gola alta com que tantas vezes o vi e a legenda: Daudt, assassinado: teses sem comprovação. A matéria intitulada Um Culpado a Qualquer Custo tem por linha de apoio Sensacionalismo e confusão marcam a cobertura da imprensa gaúcha sobre o assasinato de um deputado.
Revi todo aquele sábado em que acordei com as rádios enlouquecidas tentando informar e mais que isso, compreender, a morte do jornalista que era, então, deputado. O que se seguiu, todo mundo sabe: a acusação de Antônio Dexheimer, a devassa na vida pessoal de Daudt até as últimas baixezas, sem piedade, o julgamento coberto integralmente pela mídia e o até hoje mistério: 20 anos depois, a se completarem no dia 5 de junho próximo, não existe um culpado pagando pelo fuzilamento do jornalista à frente de seu apartamento na Quintino Bocaiúva.
Trabalhei com Daudt em começo de vida profissional. Eu havia feito um frila para a Zero Hora na cobertura das Olimpíadas do Exército, a convite do Telmo Zanini. Ninguém queria pegar o trabalho, já que ele se associava ao regime militar. Eu e Eva Caparelli, loucas por um estágio, aceitamos. A mim, coube acompanhar as provas de tênis e hipismo. Coi Lopes de Almeida era o editor de Esportes, então, e – coitado - precisava de muita paciência (que ele quase não tinha!) para esperar meus textos catados na máquina de escrever, em meio a minha inexperiência e ao nervosismo de debutante.
Encerradas as Olimpíadas, Luiz Figueredo me acolheu, naquele aquário em que funcionava, no terceiro piso do prédio da Zero Hora, parte da Rádio Gaúcha. Como não havia vaga para redatora, o gordo Fig me encaixou como assistente de produção do Sala de Redação, então um programa de debates jornalísticos que o Cândido Norberto apresentava e que tinha apenas um dos espaços dedicados ao esporte. Daudt me acolheu com aqueje seu jeitão entre carinhoso, debochado e impulsivo. Ainda o vejo, com suas calças boca de sino de veludo cotelê, caminhando rápido, sempre com um sapato social de qualidade, camisas bem passadas, um casaco de couro, o cabelo ondulado, que caía sobre a testa, o olho azul muitas vezes avermelhado pelas noitadas num bar do Hélio Wolfrid que ficava na João Pessoa, o Ressaca.
Chegava sempre cedo, olhava o material que eu havia selecionado, pegava tudo, botava embaixo do braço e ia para o estúdio. Por ter um gênio explosivo que depois ficaria bem conhecido, em seu programa na então TV Difusora, em que batia na mesa com a palma da mão para chamar atenção para algum assunto, brigava bastante com Cândido. Um dia, ele ganhou seu próprio programa, o Tribuna Gaúcha, das oito às nove da manhã, na rádio. E me levou junto, como produtora, com o que fiquei acumulando a tarefa do Sala de Redação e a do novo programa. Até que Daudt exigiu que eu ficasse apenas com o Tribuna.
Sempre chegou uma hora antes, banho tomado, perfumado, fumando seu cigarrinho, às vezes não querendo conversa, outras brincalhão. Gostava de ficar sozinho, sentado diante da mesa com recortes de jornal, pautas sobre entrevistas, gravações, entradas ao vivo dos repórteres. Volta e meia, passava o braço sobre meus ombros e dizia, antes de entrar no ar, “vamos lá, guriazinha”. E eu, que cedo aprendi a respeitar e, quantas vezes, temer meus superiores, o seguia, feliz da vida, por ter ser produtora de um cara que fazia tanto sucesso como jornalista combativo e, também, com o mulherio.
Daudt, como se sabe, tinha muitas fãs. Uma delas ia à rádio todas as semanas, vinha de Canoas, era uma moça simples. E lhe trazia presentes, como uma alfomada de crochê em que ela derramou litros de perfume e ele, num daqueles gestos de supremo desprezo e deboche, jogou fora.
Um dia, deixei no quadro de avisos um desabafo sobre uma injustiça que haviam feito com meu pai, na sua sapataria, e o tom deveria ter sido muito dramático, porque Daudt telefonou para a casa dos meus pais para saber como eu estava. Tempos depois, no meu aniversário, apareceu, de surpresa, na minha casa, junto com Ubirajara Valdez, que era nosso repórter, recém chegado de São Paulo. E ficou muito chateado porque as amigas que estavam na minha festinha caseira haviam se reunido numa outra sala, sem conversar com ele.
Fiquei no programa mais de um ano, até que me enchi da rotina estafante de receber gente que ia reclamar desde a virgindade perdida da filha até uma casinha para morar, e resolvi sair. Quando avisei da minha decisão, Daudt radicalizou: me deu a chave de seu fuscão e me botou a dirigir até, primeiro, uma casa de acolhida a deficientes, que ficava na Getúlio Vargas. Depois, para completar a aula, me mandou seguir para a Restinga Velha, para ver a denúncia de que um casal de cegos saía para mendigar e deixava duas crianças acorrentadas ao barraco. Chorei muito, quando cheguei em casa. Mas desisti do que Daudt dizia ser minha missão. Não suportava mais.
Nossos caminhos se separaram ali. Nunca mais o vi pessoalmente. Até que ele virou notícia da forma mais trágica possível. Infelizmente, ele, assim como Bira, Figueredo, Coi, se foi. Sem, ao menos, ser vingado pela vida, que lhe negou até a punição do criminoso que o matou de forma bárbara, que ele não merecia
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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 03, 2008

Eu li no G1 e achei a notícia tão fraca, tão sem consistência, que fui procurar alguma mídia de Montes Claros para confirmar e ver se não era um hoax.
Pois aí está, para quem quiser ver.
Reproduzo o texto da notícia que está na imagem acima:

Criança leva droga para creche achando que é sabão
“Tia, eu trouxe de casa esse sabão para brincar com meus coleguinhas”, foi assim que um garotinho de apenas quatro anos, explicou o significado de várias pedras de crack, com ele apreendidas na manhã dessa terça-feira, 3, no bairro Mangues em Montes Claros.
A situação atípica chocou não somente a comunidade escolar, mas até mesmo os policiais, já acostumados com o envolvimento de crianças, cada vez mais cedo com o tráfico. Diferentemente de outros registros policiais, a criança inocentemente acreditava estar levando sabão para escola. Ela disse ainda, que pegou o material nas coisas do padrasto.
H.H. foi flagrado, por volta das 10h, pela sua professora, que prefere ter o nome preservado, quando brincava com outros colegas na sala da creche onde estuda, denominada Estrela da Esperança. O menino teria retirado da mochila o saquinho plástico, contendo várias embalagens de uma substância branca, e imediatamente começou a brincar com o saquinho, rodando de um lado para o outro, segundo declarações da professora à Polícia. Ao perceber aquele objeto, bastante diferente, a professora desconfiou e chamou a Polícia Militar.
Polícia. Ao perceber aquele objeto, bastante diferente, a professora desconfiou e chamou a Polícia Militar.
Rapidamente, equipe composta pelo cabo Nascimento e soldado Marcelo chegou ao local e foi informada dos fatos. A suposta droga foi apreendida pelos policiais, que em seguida, foram até a residência do garoto, no bairro Chiquinho Guimarães, para colher mais informações sobre a origem do material apreendido. Os pais de H.H guardavam drogas até em fraldas de bebê. Durante buscas na residência, foram apreendidas mais 14 pedras de crack, 84 embalagens plásticas utilizadas para o comércio de drogas, cinco aparelhos celulares, documentos de veículos, e cerca de R$ 800,00 em dinheiro.
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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 03, 2008
A Lucy me passou e como ando com sodádi de meme, lá vão as respostas (ilustradas, algumas):

Um mês: dois - maio e fevereiro, quando nasceram meus pimpolhos
Um ano: dois - 1979 e 1984 - idem ibidem
Uma letra: duas - L e M - (adivinhem!)
Uma estação: outono
Uma flor: tulipa amarela
Uma fruta: maçã fuji
Uma matéria: história
Um passatempo: blogar, ouvir música anos 60 e 70, cinema
Um esporte: NENHUM
Um herói: aposentados do Brasil
Um exemplo: de dignidade e luta de meu pai e minha mãe
Um filme: dois: O Castelo de Minha Mãe e a Glória de Meu Pai, de Marcel Pagnol
Uma música: Moon River

Um programa de TV: noticiários e filmes
Um time: Internacional
Uma mania: dormir e acordar tarde
Uma profissão: sapateiro e dona de casa
Uma coisa importante: estar atento e forte
Um sonho: ser uma velhinha realizada
Uma sorte: ter filhos, pais e ex-marido fora de série
Um medo: mau-caratice
Um amor: Zidane

Um perfume: True Love, da Elizabeth Arden
Adoro: dias de outono
Odeio: gente boazinha
Amigos: nossa âncora
Um lugar: rue Mouffetard, em Paris
Um cheiro: jasmim-manga
Um horário: madrugada
Um sorvete: pistache
Um ciúme: nadica de nada
Uma cidade: Paris
Uma dor: amor que termina
Uma saudade: programas de tv que meus filhos pequenos viam (Arca de Noé, Plunc Plact Zum, etc)

Um hobby: não tenho
Uma peça de roupa: jeans saintropeito!
É indispensável: paciência (nunca tenho)
Um website: Reporters Sans Frontières
Um defeito: impaciência
Uma qualidade: não sei apontar... são tantas...
Uma comida: dobradinha, vulgarmente conhecida como mondongo
Um doce: TODOS
Uma lanchonete: McDonalds (e daí?)
Um restaurante: o 3B (bom, bonito e barato)
Uma frase: "É preciso estar atento e forte" (Divino Maravilhoso, do Caetano)
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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 03, 2008
Recebi por mail, com a seguinte observação:
"ao que tudo indica, foi adestrado em Brasília, diretamente com a equipe dos mensaleiros e outros quetais".
Observação minha: os de Brasília jamais terão este charme!
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Author: maristela
•Terça-feira, Junho 03, 2008
O reloginho do computador marca 01:01.
Bonito número!
Sono: nenhum.
Cachorros de banho tomado, cheirosinhos.
Tudo aparentemente em paz, até que minha filha, futura arquiteta, vítima deste sistema de ensino canalha nesta faculdade em que há professores nascidos especialmente para modernizar as torturas de godos e visigodos com os alunos, cai no choro: o computador deu tela azul.
Ela está há semanas fazendo um projeto que vai e volta, vai e volta. Detalhes ao sabor do nada que só Deus sabe que critérios movem, na cabeça do professor que "orienta".
Já tive professores de desesperar. Dona Ida Godinho, que Deus a tenha (se é que já foi), me ensinou francês nos tempos de ginásio. Era a imagem da bruxa se vassoura, com direito até a verruga no nariz. Nos chamava de idiotas a cada erro. E de bêtes.
Quando ficava braba, deixava cair o dente pivô, que aparava com a mão.
Coisa nojenta.
Se vestia inteiramente de cinza, sempre o mesmo tailleur, a cara de infelicidade absoluta, corcunda, a bolsa enorme e velha pendurada quase arrastando no chão.
Bonjour, mes enfants.
Parecia o demônio dizendo "esperem para ver, crianças".
Se aprendi francês? Aprendi. Por medo mas por vontade de mostrar aquela malvada que eu podia vencer até meu pavor de suas reprimendas injustas.
Tive outros, ao longo da vida.

Gente frustrada, feia, mal vestida, que deveria ser empregada como consultor de tortura, jamais em sala de aula, em que o mínimo que se pede é compreensão.
Hoje, sei, é pior, os alunos são tidos como demoníacos quando não insuportavelmente blasés e ignorantes.
Mas lembrei agora que vi o telhado do meu colégio que mais lembranças me traz, o Instituto de Educação General Flores da Cunha, totalmente pichado. Dizem que vão reformar.
Acho que houve aquele momento em que alunos e professores cindiram em definitivo, os alunos cansados de tanta repressão e maldade, os professores de saco cheio mesmo por não suportar mau salário e falta de futuro.
Nunca mais a coisa entrou nos eixos.
Vejo escolas "modelo" a preço de ouro, hoje, formando jovens analfabetos funcionais.
E faculdades preocupadas em integrar de forma torta por cotas, em vez de reaparelhar o corpo docente e suas instalações.
Vivemos o segundo milagre econômico da modernidade deste país. Confiança de invenstidores, dívidas pagas com os gringos, um presidente que balança a pança contida em ternos bem cortados e olha matreiro para o futuro.
No entorno: violência, saúde pública podre, ricos cada dia mais ricos, um cenário que pode pegar fogo. E vai pegar, ouçam bem.
E falei tudo isso porque estou cansada e meu pai volta hoje ao Susão, fazer seu eletroencefalograma. Marcado para as 18h. A ser feito a hora que der.
Parece aquela música da gafieira: quem está fora não entra, quem está dentro não sai.
Acho que, hoje, eu queria ser finlandesa.
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Author: maristela
•Domingo, Junho 01, 2008


Para tirar um pouco do peso das más notícias, um pouco de deboche.
Este comercial do Chevrolet Aveo é uma resposta ao transformer do Citroen, este cá de baixo.



E não posso deixar de lembrar do tempo em que meu filho tinha uma coleção de carrinhos, caminhões e aviões que viravam, em segundos, em suas mãos curiosas de garotinho de cinco anos, um "perigoso" robô.
E a paródia não deixa de dizer que cada vez mais nós somos comandados pelos carros.
Ou estes engarrafamentos quilométricos são apenas ficção?
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