Author: maristela
•Sábado, Abril 05, 2008
O Hermenauta andou bisbilhotando por aí como é que nasce um meme. Fez o dele, abriu para quem quisesse brincar e como, há tempos, ando meio tentada em me exibir (ou me enterrar, depende do ponto de vista) com minhas escolhas de leitura (não necessariamente literatura, literatuuuuuura, assim) topei e faço minha lista de cinco queridos.
Como todo meme é conspurcado em seus desdobramentos (teoria do Hermenauta com a qual concordo) porque é tipo telefone sem fio - quem inventa passa adiante e cada um vai fazendo à sua moda - vou falar mais do que autores em livros. Claro, ué: a gente não é obrigado a achar tudo que um autor escreve maravilhoso.
Por exemplo. Adoro muitos textos do Caio Fernando Abreu, alguns livros do Ernest Hemingway, da Hilda Hilst, do Georges Perec, e peças de teatro, começando pelo Shakespeare, passando pelo Molière, pelo Ibsen, pelo Tchecov. Adoro o texto do Roland Barthes mas acho muita coisa enfadonha. Enfim. Tá muito comprido este intróito...?Vamos lá, ao trabalho então:
Ah. O critério: o meu é "o que me dá prazer...lendo".
Primeirão: Émile Zola - "Germinal". Fiquei tão fissurada por esta história que terminei de ler o livro no hospital, em 1979, depois de ter parido meu filho. Naturalista demais, vão dizer uns e outros. Tô nem aí. Também adoro, dele, "Como se Casa, como se Morre", fininho, cruelzinho, sobre o amor na França no século 17.

Segundão: Dorothy Parker. Abri, agora, "Big Loira e outras Histórias" e caiu uma lauda de rádio que deixou amareladas as duas páginas em que estava enfiada, no texto chamado "Um Telefonema". Hmmmm!

Terceirão: Ítalo Calvino. Li o "Visconde Partido ao Meio" umas quatro vezes. Volta e meia, quando tô muito entediada, pego o livro e leio pedaços. Já "O Barão nas Árvores", confesso que me cansou.

Quarto (ok. não dá pra dizer quartão): Manoel de Barros ("O Livro das Ignorãças") porque acho que a desconstrução do texto (se é que isto existe mesmo) no Brasil ficou nele e o que veio depois, incluindo a longa lista de jovens e brilhantes escrevinhadores incensados é cópia. Ponto.

Quinto: Henry Miller. Em especial por "A Crucificação Encarnada" (um dos livros da trilogia, emprestei e nunca voltou. Adivinhem qual?) e os Trópicos.

Esta coisa de meme é meio diabólica, na verdade. Acho que amanhã, se eu voltar à biblioteca, vou pegar outros cinco e dizer que são os melhores. Enfim.

Quem iria para a fogueira, que é a outra parte do tal meme? Todos os moderninhos de hoje, inclusive as últimas coisas do Michel Houelebecq, a maior parte dos nacionais pós anos 80 e muiiiitos de antes e principalmente gente pretensiosa que ganha uma boa resenha por ser amiguinho do jornalista de livros das revistas e de repente vira peça de teatro ou minissérie.
Pronto. Falei.
This entry was posted on Sábado, Abril 05, 2008 and is filed under , , , , , , , , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

1 comentários:

On Domingo, 6 de Abril de 2008 01h36min00s BRT , Odele Souza disse...

É bem isso Maris. Gostar de um autor não significa necessariamente gostar de todos os seus textos. Apanhei um pouco antes de aprender isto. Apaixonada por um livro saía comprando todos do mesmo autor. Muitos desses livros tive que abandonar nas primeiras páginas.
Caio Fernando Abreu. Nossa, tem uns textos dele que eu também adoro.

Bom domingo guria.